Entrevista com Ivovic: “Sei que ainda posso render mais por aqui”



O sérvio Marko Ivovic chegou ao Brasil com status de ter sido escolhido o melhor jogador da Liga Mundial de 2016. Uma baita credencial, sem sombra de dúvidas. E também um peso enorme para quem chegava ao “país do vôlei”.

Não se esperava menos do que atuações dignas de um dos melhores do mundo pelo EMS/Taubaté. E no começo elas não foram vistas. O ponta se recuperava de uma lesão no tornozelo e estava longe da forma física/técnica ideal. Veio o problema com Lucarelli e o tal peso citado lá no início aumentou. Não restava para Ivovic outra opção: precisava assumir o protagonismo. E aos poucos o sérvio começou a mostrar a que veio.

Nas quartas de final da Superliga Cimed, no confronto em tese equilibrado entre quarto e quinto colocados, o Minas já viu um Ivovic diferente. 11 pontos na primeira vitória de Taubaté por 3 a 0, mais 11 na segunda, conquistada pelo mesmo placar. Um excelente parceiro para dividir as atenções com Wallace, a bola de segurança de qualquer time ou seleção do planeta.

No último sábado, Ivovic anotou outros 11 pontos (sete no ataque, dois no bloqueio e dois no saque) para o Taubaté, em Contagem, colaborando para o triunfo do time paulista sobre o sempre favorito Sada/Cruzeiro, na abertura das semifinais.

Ivovic

Ivovic na linha de passe com o campeão olímpico Dante (Rafinha Oliveira/Divulgação)

Pouco antes, o jogador de 27 anos, com passagens por clubes de Rússia, Turquia, França e Polônia, havia respondido algumas perguntas sobre sua primeira temporada no vôlei brasileiro. As dificuldades de adaptação, o estágio do time de Taubaté, o momento pessoal, futebol, futuro… Dá a impressão que Ivovic ainda pode fazer bem. E ele confirma isso.

1 – Qual balanço você faz da participação da equipe EMS/Taubaté até aqui na Superliga?
Este ano tivemos muitos problemas com lesões, e como a equipe é mais ou menos nova, foi necessário algum tempo para nos encontrarmos. Espero mais de nós nesta reta final de Superliga, mas de qualquer forma, como tivemos muitos problemas físicos, nosso desempenho até aqui posso considerar dentro do esperado.

2 – Por uma vaga na final, vocês enfrentam o Sada/Cruzeiro, que vem dominando o vôlei brasileiro nos últimos anos. Na sua opinião, qual dos dois cubanos mais desequilibra? Simon ou Leal?
Sim, eles são uma das melhores equipes do mundo. Eles jogam juntos há muitos anos, se conhecem muito bem um ao outro e isso dá resultados. Eu acho que ambos são importantes para o time deles.

3 – E o seu balanço individual até agora? Você teve uma lesão no tornozelo, ganhou espaço e a agora é peça-chave na equipe. Como você analisa seu desempenho nesta primeira temporada no Brasil?
Obrigado por este “peça-chave” (rsrs). Por ser um esporte coletivo, todos são importantes. Sofri essa lesão e demorei algum tempo para me recuperar, por isso precisei de mais tempo para estar em boa forma para jogar em alto nível. Eu ainda não estou 100% satisfeito com meu rendimento. A lesão tomou muito tempo com a recuperação e o processo de voltar à forma também acabou sendo demorado. Mas isso também faz parte do esporte, no entanto, eu dei o meu melhor nesse processo todo. Eu sei que eu posso render ainda mais e estou voltando a achar meu melhor jogo.

4 – Qual foi a maior dificuldade para sua adaptação no Brasil?
Demorei um pouco a me acostumar com o forte calor daqui, especialmente Taubaté, que é uma cidade bem quente. Mas não foi um grande problema. O Brasil é um lindo país, com beleza natural incrível, é um prazer estar aqui.

5 – Você estava acostumado a enfrentar pela seleção alguns dos seus atuais companheiros, como Wallace, Lucarelli. De alguma forma conhecê-los ajudou a sua adaptação ao país, ao time?
Sim, ajuda quando você conhece alguns caras da equipe, é mais fácil para a adaptação. Nossa equipe é boa, os caras são muito legais, então ajuda muito nessa adaptação a um país diferente.

6 – Como está o seu português? Já consegue se comunicar bem no idioma?
Está mais ou menos. Eu sei algumas palavras, mas não o suficiente para a comunicação.

7 – Com a reta final da temporada se aproximando, você já pensa em futuro, já conversa sobre renovar contrato?
Nada de especial. Você terá notícias se acontecer alguma coisa.

8 – Brasil e Sérvia têm em comum o gosto pelo futebol. A Sérvia é até chamada de Brasil dos Bálcãs. Você gosta de futebol? Acompanha? Aprendeu a torcer por algum clube brasileiro?
Como em todo o mundo o futebol é popular, mesmo na Sérvia. Temos jogadores realmente bons, mas por alguma razão o nível do nosso futebol não é tão bom. Não sou um grande fã de futebol. Gosto de assistir às vezes. Com o pessoal do time às vezes eu assisto alguns jogos, mas eu não consegui decidir por quem torcer.

9 – 2018 é ano de Mundial de vôlei. A Sérvia caiu em um grupo forte, com Rússia e Estados Unidos. Quais são as suas expectativas para a competição?
Sim, este ano é muito importante para nós. Espero que os rapazes estejam bem fisicamente, e com a qualidade que nós temos, acredito que conseguiremos bons resultados. Tanto os EUA como a Rússia têm sempre boas equipes. Espero que estejamos prontos para lhes mostrar a nossa qualidade! A Sérvia está sempre lutando por grandes resultados no voleibol, e todos os nossos adversários sabem disso. Vamos jogo por jogo e espero que façamos os resultados que queremos.

10 – Muitos estrangeiros que passam um tempo no Brasil ficam encantados com a comida daqui. Você é um deles? Quais comidas brasileiras você conheceu aqui e virou fã?
Eu não me surpreendo com a comida em geral, não sinto dificuldade em me adaptar. Gosto bastante de churrasco e de alguns doces brasileiros.

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