Entrevista Dani Lins: “O Mundial move todo mundo”



Pouco mais de três meses atrás, Dani Lins realizou o sonho de ser mãe com o nascimento de Lara. Viu a vida mudar radicalmente (para melhor). Em maio, a maternidade começou a ser dividida com o vôlei, com a retomada dos trabalhos físicos. E por um outro sonho, desta vez profissional: o título mundial.

Nesta entrevista exclusiva, a campeã olímpica fala sobre o retorno às quadras para buscar, no fim do ano, no Japão, a conquista inédita para a Seleção Brasileira.

Com contrato assinado com o Hinode/Barueri, após uma temporada fora do vôlei, Dani sabe que corre contra o tempo para retomar a forma física, o ritmo de jogo e a vaga na Seleção. Mas nada que a faça tirar o sorriso do rosto neste momento tão especial da vida.

Dani Lins com a camisa da nova equipe (Gaspar Nóbrega/Divulgação)

1) Em qual ou quais aspectos a maternidade mudou seu modo de encarar a vida?

A maternidade mudou minha forma de encarar a vida. Nos tornamos pessoas mais responsáveis, não só por ser atleta, mas por ser mãe. Tem uma vida que depende de você pra tudo. Agora preciso tomar conta desse “serzinho” que me faz ter muito mais responsabilidades e encarar a vida com mais seriedade.

2) Me fale um pouco de como é o papai Sidão.

O Sidão é um pai ótimo. Ele é super paizão e é maravilhoso, sempre me ajuda do jeito que dá. No começo, a bebê depende muito de mim, e fica um pouco com a minha tia. Mas sempre que dá, ele dá mamadeira para ela, troca a fralda, coloca para dormir, dá banho, entre outros. Não tenho o que reclamar um A dele… Ele é um super pai e será melhor ainda.

3) Você é muito próxima da Camila Brait. Ela deu muitas dicas sobre a maternidade?

Sou muito próxima da Camila Brait e temos somente três meses de diferença da Alice e da Lara. Trocamos muitas ideias, dicas de tudo. Hoje quando nos encontramos só falamos disse. “Ai a Lara dorme tanto, a Alice dorme tanto, come isso, come aquilo (rs)”. É muito gostosa essa troca. Quando nos encontramos nem falamos mais de vôlei, falamos só disso. Minha proximidade de Brait é tão grande que ela e o marido Caio são os padrinhos da Lara. É uma relação muito gostosa.

Dani Lins com Lara durante um treino físico (Divulgação)

4) Fisicamente, de 0 a 10, qual nota você se daria atualmente? E tecnicamente?

Fisicamente acho que estou com 7, de zero a dez, porque ainda tenho uns cinco quilos para perder. Estou voltando a minha forma física o mais rápido que eu posso. Acho que quando me juntar a equipe nesta segunda-feira, em Saquarema, vai acelerar ainda mais a minha perda de peso. Tecnicamente estou super bem. Já treino defesa, levantamento, só não comecei bloqueios. Estamos indo devagar por conta do sobrepeso da gestação.

5) Zé Roberto já disse que pretende usar a Copa Pan-Americana como um teste importante para você e para a Thaísa na Seleção. Como você está encarando essa competição?

Estou bastante ansiosa por vestir a camisa da Seleção Brasileira novamente, pois é uma grande responsabilidade. Estou me esforçando o máximo possível para voltar a minha forma ideal. Vou treinar tudo que posso e me preparar para os desafios. O técnico será o responsável por me colocar na quadra se estiver seguro para isso.

6) O Mundial é a grande competição que falta para a Seleção feminina. Virou uma certa obsessão para essa geração que já ganhou todo o restante?

O Mundial é o único campeonato que a Seleção feminina não tem. É um campeonato que a gente quer trazer para a casa e move o mundo todo. Será muito bom se conseguirmos trazer o Mundial pra o Brasil.

7) O que achou do Brasil nas primeiras semanas da Liga das Nações?

As meninas estão indo super bem na Liga das Nações. Acompanhei o time em Barueri e agora estou acompanhando todos os jogos. Estamos indo em busca desse título. Elas tem uma pessoa importante ali que é a Tandara, por exemplo, uma oposta que está rodando bola pra caramba, e a Roberta acaba tendo confiança nisso. É um apoio muito bom. Acaba meus treinos e eu corro para casa para ver os jogos. É uma Seleção jovem e elas estão super afim de tudo.

Dani Lins em ação pela Seleção Brasileira. Volta acontecerá na Copa Pan-Americana (FIVB Divulgação)

8) Neste período sem jogar, você teve a experiência de apreciar e analisar os jogos de um outro ângulo. Como foi essa experiência?

A gente brinca que quando estamos de fora conseguimos ver melhor as coisas e analisar de outro ângulo. De fora vemos os times como são, não só Brasil, mas os outros países também. Vemos as reações, os movimentos, entre outros. É bom estar de fora, mas melhor ainda estar dentro da quadra né (rs)

9) Como vê o time que o Hinode/Barueri está formando para a temporada 2018/2019? Ter praticamente toda a comissão técnica da Seleção no time pesou na sua decisão?

Acho que desde que o Zé Roberto montou o time e começou o projeto, ele vem subindo aos poucos, degrau por degrau, construindo e tentando melhorar a cada ano. Ele busca ficar melhor no campeonato, e neste ano, quer montar um time bom para brigar pelo campeonato Paulista e ir em busca para chegar numa final de Superliga. Ele vai em busca disso a cada ano. Por praticamente toda a comissão técnica da Seleção ser do time Hinode Barueri, e me acompanhar ao longo da gestação, pesou na minha escolha sim. Ir pra Seleção e jogar no time da Hinode Barueri com Zé dá uma continuidade .Como levantadora preciso ter afinidade muito grande com a comissão, principalmente com o Zé Roberto. Pesou muito também ser um time de São Paulo que me permite ficar perto da minha filha e do meu marido Sidão.



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