Entrevista com Kerri Walsh, três vezes campeã olímpica



Tricampeã olímpica e mundial. Apenas com esse resumo básico do currículo dá para imaginar o tamanho de Kerri Walsh no vôlei de praia.

Na semana passada, a americana esteve no Brasil para disputar a etapa de Itapema (SC) do Circuito Mundial. E concedeu uma entrevista exclusiva para o blog.

Walsh, 39 anos, em preparação para a sexta Olimpíada da carreira, em 2020, em Tóquio, lançou recentemente o projeto P1440, focado em viver a vida com um propósito em seus 1.440 minutos, que englobará uma série de eventos exclusivos com base nos pilares: competição de vôlei, desenvolvimento, saúde e bem-estar e entretenimento.

A primeira edição do evento será realizada em São José (Califórnia), seguida por Las Vegas (Nevada), San Diego (Califórnia) e Huntington Beach (Califórnia). Este cronograma foi criado para que não haja conflito com os jogos organizados pela Associação dos Profissionais de Vôlei (AVP) e a Federação Internacional de Vôlei (FIVB), permitindo que os atletas possam competir e conquistar as premiações envolvidas em cada campeonato. Os irmãos Pedro e Carol Solberg são embaixadores do projeto.

Walsh, um dos maiores ícones do vôlei de praia (Divulgação)

Abaixo a entrevista com Walsh, falando também sobre Duda, um jovem talento brasileiro, a relação com o Brasil e as duplas verde-amarelas e o segredo do sucesso com a eterna parceira May.

1) Me fale sobre o P1440. Qual foi a inspiração para um projeto aparentemente complexo, que engloba tantas variáveis diferentes (esporte, desenvolvimento, saúde)?

Nosso projeto é perfeito. Não é preciso mudar nada. O que é preciso é mudar a maneira que nós trazemos nosso esporte ao mercado. Nós precisamos engajar além dos fãs de esporte e voleibol. Existe um universo de pessoas que amam o movimento de saúde e bem-estar, que trabalham todos os dias em busca de seu crescimento interior, e que estão curiosos com o que há la fora para eles. Essas áreas são infinitas. Existe também um universo de pessoas amantes de música. Nós estamos trazendo esporte + estilo de vida + música de uma maneira inspiradora e poderosa, para que elevemos nosso jogo e para introduzi-lo para centenas de milhares de pessoas de que não se deram conto de quanto fantástico ele é. Em quanto isso, nós vamos criar experiências maravilhosas para aqueles que aparecerem nos eventos P1440, ou para aqueles que se tornaram membros do movimento P1440 no www.p1440.com

2) O Brasil é, ao lado dos Estados Unidos, um dos grandes centros do vôlei de praia mundial. Como o país se encaixa no business plan do P1440?

De todo coração nós queremos mostrar ao Brasil o amor que ele sempre demostrou pelo nosso esporte. Nós queremos criar experiências aqui no Brasil, apoiar os atuais e futuros atletas hospedando-os em nosso evento e, finalmente, gostaríamos de levar nossos festivais para o mundo todo. Ter um evento P1440 em Copa seria um sonho completo!

3) Walsh, qual a relação do Pedro e da Carol Solberg com o projeto?

Pedro e Carol Solberg são os embaixadores mais incríveis do P1440, por toda a bondade que defendemos e toda grandeza que queremos criar. Toda família Solberg-Salgado é incrivelmente especial. Eles jogam com integridade e coração, o que é incomparável. A maneira como estão constantemente procurando se aprimorar, otimizar suas performance e maneira de viver a vida, é exatamente quem queremos que nos represente no P1440 e exatamente o positivismo e empoderamento que queremos compartilhar com o mundo. Nós todos temos uma grandeza dentro de nós e queremos inspirar as pessoas a serem curiosas sobre como elas podem criar isso em si mesmas e em suas vidas.

4) Falando sobre esse início de ciclo olímpico para Tóquio-2020, como você vê a divisão das forças no vôlei de praia feminino?

O cenário internacional é extremamente difícil. As equipes são fisicamente fortes e bem treinadas. É divertido jogar! As equipes que jogam com a melhor defesa são as que estão ganhando. Os brasileiros lideram o caminho aqui no feminino e masculino, como fizeram com frequência.

5) O Brasil deposita muita esperança em algumas jovens atletas, como a Duda. O que você pode falar sobre ela?

Duda é uma jogadora maravilhosa. Ela tem “a manha”. Seu instinto é incrível e suas habilidades são astutas e consistentes. Eu realmente aprecio seu estilo de jogo. E ela parece ser um doce. Ela também parece ser muita querida, o que me faz gostar do seu jogo ainda mais. Duda e Ágatha formam um grande time. Mal posso esperar para jogar com elas.

Duda (à esq.) com a parceira Ágatha em Itapema, após conquista da etapa do Circuito Mundial (Divulgação CBV)

6) Em grande parte de sua carreira, as duplas brasileiras foram as principais adversárias. Você criou uma relação de amizade com muitas atletas do Brasil?

Eu tenho muito respeito pelos jogadores brasileiros de vôlei. Eles jogam demais. A paixão e a dedicação pela profissão são extraordinários e inspiradores. Ao lado da família Solberg-Salgado, Adriana e Shelda são as minhas favoritas no Brasil. Elas são uma lenda.

7) Walsh e May se transformaram em sinônimo de excelência no esporte. Hoje, com a dupla já encerrada, você poderia nos contar o segredo de tanto sucesso?

Nós sabíamos o que queríamos realizar, nos dedicamos a realizar nossos sonhos juntos. Tivemos tempo para crescer dentro de um time dinâmico. O alto nível de competição dos Estados Unidos durante a turnê mundial nos fez ser ótimas, porque tínhamos que ser. Por isso que o P1440 é tão essencial. Para que os atletas continuem a crescer e evoluir, eles precisam ser mais recompensados financeiramente, e o nível de competição global deve continuar a crescer. Este é um grande ponto para nós. Elevar os investimentos no esporte para que os atletas sejam verdadeiros profissionais recompensados.

8) Qual sua principal recordação da Rio-2016?

Eu adorei o tempo que estive nos Jogos do Rio (jogando com April Ross, ela conquistou a medalha de bronze ao vencer Larissa e Talita). Vocês fizeram um trabalho incrível hospedando os Jogos. As partidas de vôlei de praia estavam repletas de paixão e de uma energia incrível. É 0 que está em minha memória: a constante energia e amor que os brasileiros demostram pelo exporte e pelo seus atletas.

Americana em ação em Santa Catarina, na última semana (FIVB Divulgação)

9) Se pudesse passar um período de férias no Brasil, gostaria de conhecer algum lugar especial?

Eu iria visitar o João de Deus, na Casa Dom Inácio (é um destino religioso em Abadiânia, em Goiás, conhecida por curas mediúnicas).

10) Para encerrar, qual o ensinamento aprendido no vôlei de praia que você carrega para a vida?

O vôlei de praia me ensinou que a verdadeira recompensa por ter tido coragem de ir atrás dos seus sonhos não é o ouro no final, mas as amizades profundas e relacionamentos que criamos ao longo do caminho.



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