Deu Al-Zebrayyan em BH!



Texto publicado hoje no LANCE! sobre a semifinal de ontem.

Prestem atenção nos números. O Sada/Cruzeiro vinha de uma sequência de 15 finais consecutivas e buscava a terceira em Campeonatos Mundiais. Mas o sonho de obter o 13º título neste período e ser o dono do planeta pela segunda vez seguida terminou. Culpa, ou melhor, méritos do Al-Rayyan, com sede no Qatar, mas na verdade uma multinacional com dois brasileiros, dois cubanos e um búlgaro em sua formação titular. No placar do Mineirinho, a comprovação da superioridade dos “gringos”: 21-25, 25-18, 25-21 e 25-18.

E o resultado merece uma profunda reflexão. O Al-Rayyan contratou a sua legião estrangeira na véspera da competição, treinou apenas uma vez antes da estreia em Belo Horizonte e vai disputar o maior título de clubes do planeta tendo jogado apenas quatro partidas. E pior: ignorou o atual campeão do mundo, que tem praticamente a mesma base há quatro temporadas. Uma chocante desconstrução da tese de que um time sem treinar pode fazer a diferença. O individual superou o conjunto.

Na frieza das estatíscas, uma comprovação: o número 1 do Al-Rayyan foi o maior pontuador, com 17 acertos. E Kaziyski, um dos melhores ponteiros do planeta, realmente fez a diferença. Quase não foi encontrado pelo bloqueio mineiro e deitou e rolou no ataque.

O Sada/Cruzeiro só foi o Sada/Cruzeiro no primeiro set. Depois se perdeu de uma forma assustadora. Marcelo Mendez trocou várias peças, mas a reação não apareceu. Erros de saque, ataque, passe instável… Nem sequer o conhecido entrosamento da dupla William e Wallace funcionou.

Ali Bairani, um dos dois cataris do time titular do Al-Rayyan, definiu bem o feito conquistado ontem:

– Estou sonhando. Jogamos sorrindo, felizes, sem qualquer pretensão. E acho que vamos ganhar muito dinheiro na volta para o Qatar.

E a bolada não deve ser pequena mesmo, já que Simon e Kaziyski, por exemplo, ganharam aproximadamente R$ 110 mil pela disputa do Mundial.

Para sair do Brasil como campeão, o time do Qatar terá de superar os russos do Belogorie Belgorod, liderados pelos 2,18m de Muserskiy, às 19h, no Mineirinho, em Belo Horizonte. E, se conseguir, derrubar definitivamente a tese de que a individualidade pode sobrepor a coletividade. E, se fizer isso, vai ter jogador ganhando camelos ou poços de petróleo do príncipe dono do Al-Rayyan.



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