Derrotas…



É sempre difícil escrever com a razão quando a emoção quer falar mais alto. Mas não iria conseguir colocar a cabeça no travesseiro sem descarregar em palavras algumas sensações, constatações e imagens gravadas na memória nesta terça-feira.

À tarde, no Maracanã, Jakobsson, jogadora sueca, abraça duas rivais brasileiras após os pênaltis na semifinal do futebol feminino. Na madrugada, no vizinho Maracanãzinho, o pequeno Felipe, 6 anos, atravessa a quadra para abraçar o avô José Roberto Guimarães depois do tie-break com a China pelas quartas de final do vôlei, também feminino.

Cenas olímpicas. Cenas humanas. Cenas de duas derrotas doídas do esporte brasileiro. Cenas de sentimentos tão diferentes, mas também tão puros.

Ganhar um abraço carinhoso do rival, após 120 minutos de batalha e dez pênaltis batidos, me fez parei para pensar. A sueca poderia estar dando uma volta olímpica no mais puro êxtase, era o ápice, o auge, estava na final olímpica, eu refleti naquela hora. Mas ela preferiu consolar quem acabava de ver o tão aguardado sonho virar pesadelo. Bravíssimo!

E o que dizer do neto que aparece chorando muito, abraçado na bandeira do Brasil, durante o quinto set, ao ver o time treinado pelo avô estar perdendo? Ali ele ainda não tinha a certeza do resultado final, mas a pureza do sentimento era incontestável. Era incontrolável. A partida acabou com o resultado que o menino já sentia estar se aproximando. E ele não conseguiu esperar o protocolo oficial, quebrando o cerimonial. Precisava abraçar o avô, o herói, que acabava de ver escapar o objetivo de ser campeão olímpico mais uma vez.

Perdi também com as Seleções de futebol e vôlei nesta terça, confesso. Mas vi, vivi, senti e aprendi com dois momentos de mais pura nobreza da alma humana. Gestos de vitória!

 

 

 



MaisRecentes

Dentil/Praia Clube confirma presença no Mundial



Continue Lendo

Seleções disputarão amistosos pelo país antes dos Mundiais



Continue Lendo

O adeus do genial genioso Ricardinho



Continue Lendo