Cuba volta ao cenário olímpico. O que esperar dos caribenhos na Rio-2016?



Leon, Leal, Simon, Juantorena, Hierrezuelo…

A base da seleção masculina de Cuba na Rio-2016 poderia ser formada por craques do quilate dos citados acima. Seria uma candidata real a um lugar no pódio, não tenho dúvidas. Mas a realidade dos cubanos para voltar a disputar os Jogos após três edições de ausência é bem diferente.

A surpreendente classificação de Cuba para a Olimpíada foi garantida no fim de semana. Três vitórias por 3 sets a 0 (México, Porto Rico e Canadá) carimbaram o passaporte do time para a Rio-2016. E, sem os craques que desertaram e já jogam até por outras pátrias (Juantorena defende a Itália, enquanto Leon e Leal se naturalizaram polonês e brasileiro, respectivamente), a opção foi apostar em um grupo de moleques, com algumas exceções um pouco mais rodadas.

A média de idade dos 14 inscritos no Pré-Olímpico foi de 21,5 anos. Seria bem menor se o ponta reserva Rivera, 33 anos e 1,80m, não fizesse parte do grupo. Entre os sete titulares, a média sobe um pouco: 22. Mas ainda bem abaixo da média das grandes potências mundiais. Em comparação com o time que disputou o Campeonato Mundial da Polônia, em 2014, são seis caras novas.

O oposto Cepeda em ação (Divulgação)

O oposto Cepeda em ação na última Liga Mundial (Divulgação)

O grande nome da equipe é o oposto canhoto Rolando Cepeda. Aos 27 anos, o jogador de 1,98m é a bola de segurança. Foi o maior pontuador em dois dos três jogos no Pré-Olímpico, diante de México e Canadá. De quebra, o capitão cubano foi eleito o melhor jogador do torneio, além de aparecer como melhor oposto e sacador.

– É um novo começo para o vôlei cubano e acredito que temos time para vários anos que estão por vi. Estou muito feliz com a vaga olímpica e não tenho palavras para expressar meus sentimentos – disse Cepeda, após a vitória sobre o Canadá, que era o dono da casa no Pré-Olímpico e , caso contasse com o oposto Gavin Schmitt, lesionado, seria o favorito disparado.

Em setembro do ano passado, conversei com Rodolfo Sanchez durante um café da manhã durante o Campeonato Mundial juvenil masculino, no México. O ex-jogador era o comandante do time cubano que ficou em 13º lugar entre 16 participantes. Estava bravo com o desempenho dos meninos, que haviam perdido para Brasil, Irã e China, ganhando apenas um set na primeira fase. Falou um pouco da dificuldade da renovação e dos desafios que teria pela frente.

Quatro meses depois, cinco dos 14 jogadores inscritos no Pré-Olímpico faziam parte da equipe de base no Mundial de base: Uriarte, Melgarejo e Abrahan (pontas), Richard Calvo e Goide (levantadores). Dos cinco, inclusive, Uriarte e Calvo são titulares da seleção adulta. O primeiro foi eleito o segundo melhor ponta do Pré-Olímpico, enquanto o segundo ganhou como melhor levantador.

– Me sinto extremamente feliz. Enfrentamos um rival forte no último jogo (Canadá), mas estávamos preparados, tendo estudado demais. A classificação para os Jogos Olímpicos é muito importante para o vôlei cubano e estou satisfeito com a performance dos garotos – disse Sanchez.

A performance cubana rendeu elogios dos rivais. Fred Winters, capitão canadense e jogador do Sada/Cruzeiro, admitiu certa surpresa com a atuação de Cuba:

– Eles jogaram incrivelmente bem. Foi o melhor que vi deles em mais de um ano. Nós jogamos muito contra eles e desta vez não conseguimos pará-los. Não achamos uma solução para o saque e não conseguimos parar o ataque deles também.

A presença na Rio-2016  já é uma grande vitória de Cuba. A maior desde o vice-campeonato mundial em 2010, na Itália, com parte daquela base que citei no primeiro parágrafo.

PS: Texto publicado no jornal estatal Granma apontando as razões para a alegria dos cubanos após a classificação: Repercussão em jornal cubano



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