A crise existe no Brasil e não pode ser minimizada



Não dá mais para tratar como um simples caso isolado. Muito menos tapar o sol com a peneira e colocar a culpa na crise do país, na alta do dólar, na guerra comercial entre China e Estados Unidos ou na tensão constante no Oriente Médio. O vôlei brasileiro convive atualmente com um sério problema de gestão em vários dos times da elite.

Na última semana, mais dois casos ficaram públicos, expondo a fragilidade do “sistema”. No projeto América/Montes Claros, grande parte do elenco não recebeu um real de salário desde agosto, quando começou a temporada 2019/2020. É isso mesmo que você leu. Estamos em janeiro e vencimentos de seis meses não foram pagos. Como o empregador faz para cobrar empenho e profissionalismo se não honra com seus compromissos mais básicos?

Durante todo o primeiro turno, os atletas confiaram nas promessas dos dirigentes, treinaram e jogaram mesmo sem receber. Depois da saída do líbero Kachel, que resolveu expor a situação e deixar o América para morar com os pais, em Curitiba, por falta de dinheiro para se manter em Montes Claros, até uma greve já é ventilada. Vale lembrar ainda parte do elenco está com o salário em dia por ter vínculo com o Sada/Cruzeiro, sendo pago pelo projeto de Vittorio Medioli. Fico imaginando como o técnico Henrique Furtado faz para gerir um grupo assim…

Vale lembrar ainda que o América/Montes Claros só está jogando a Superliga por ter entrado na justiça contra jogadores que ficaram sem receber na temporada passada. Parece loucura, mas isso existe. Montes Claros alugou sua vaga para o Corinthians/Guarulhos. O time paulista não pagou todos os salários e, de acordo com a regra do fair play financeiro, o CNPJ usado não poderia ser inscrito no ano seguinte. Mas uma brecha no regulamento previa a “liberação” da vaga caso existisse um processo judicial. A mesma manobra foi feita em Ponta Grossa, outro integrante da atual Superliga com problemas financeiros, que chegou a ter apenas oito jogadores inscritos para um jogo na atual competição.

Já o Denk Maringá perdeu, nos últimos dias, Lorena. O veterano de 41 anos resolveu deixar a elite para jogar a Superliga B por Lavras, por falta de salários. Pegou todos de surpresa, uma vez que o time paranaense vinha da disputa da Copa Brasil, como um dos oito melhores times da Superliga no primeiro turno, com o oposto canhoto sendo um dos destaques. Mas o clube admitiu ter três meses de atrasos salariais com o elenco (com Lorena, dois).

Crise

Lorena teve problemas no Botafogo e no Maringá (Vitor Silva/SSPress/Botafogo)

E Lorena está perto de pedir música no Fantástico nesta temporada. Ele fazia parte do projeto do Botafogo, que desistiu de participar da primeira divisão nacional às vésperas do início por falta de dinheiro. Tinha montado um elenco bem competitivo, aliás, com a expectativa de ter um patrocínio. O acordo não se concretizou e um time inteiro ficou desempregado do dia para a noite.

Não dá para achar normal todo o cenário acima. Ou todos os envolvidos, incluindo a CBV, colocam o dedo na ferida em busca de uma solução ou a tendência é ver uma realidade ainda pior em um futuro próximo.



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