A corajosa entrevista de Douglas Souza à Folha de S. Paulo



O ponta Douglas Souza, em entrevista à Folha de S. Paulo neste fim de semana, fez uma análise sobre o atual momento da carreira após o segundo lugar no Campeonato Mundial com a Seleção, as perspectivas para a Superliga com o EMS/Taubaté e sobre preconceitos e dificuldades enfrentadas no esporte por ser gay.

Aos 23 anos, o jogador demonstra maturidade e coragem ao falar abertamente sobre a orientação sexual em um país tão preconceituoso como o nosso. Muitas vezes a homofobia é não aberta, não está escancarada. Está veladamente escondida por trás de comentários sobre o desempenho de Douglas nos jogos, com um peso maior para criticar e uma dificuldade enorme para elogiar. E isso vale para fãs e mídia, que fique claro.

Com um ouro olímpico no currículo, Douglas Souza já mereceu críticas. Teve, por exemplo, uma temporada 2017/2018 abaixo do esperado pelo Sesi e uma transferência para Taubaté para brigar por posição com Lucarelli e Facundo Conte. Na Seleção, também não vinha bem até o Mundial, momento da virada.

Agora tem o desafio de mostrar que pode mesmo se manter em alto nível e em um novo patamar.

Douglas Souza, à direita, foi destaque brasileiro no Mundial (FIVB Divulgação)

Abaixo algumas das respostas de Douglas à Folha:

TAUBATÉ FAVORITO NA SUPERLIGA

Grande favorito, talvez não. Além da gente tem o Sesc, Sesi e Cruzeiro, três equipes fortes. Não sabemos como o Cruzeiro reagirá após tantas mudanças no time. Acho que somos um dos quatro favoritos ao título.

SER UM DOS MELHORES ATACANTES DO MUNDIAL

Eu fui sendo o novinho do time, de quem ninguém esperava muita coisa e que acabou se destacando como melhor atacante do campeonato. Agora as pessoas me veem diferente, esperam muito de mim. Isso é legal, de certa forma pressiona, mas a gente está acostumado a viver com pressão.

SURPRESA COM A PERFORMANCE

Não sei se surpreendeu é a palavra. Eu estava extremamente concentrado. Saía de um jogo e ia estudar o próximo, ficava olhando nossos números no scout, sempre ligado. Mal entrava no Instagram, só postava resultado dos jogos e pegava o celular para me comunicar com parentes. Então realmente estava muito focado e não estava esperando menos.

PRESENÇA DE LEAL EM 2019

Esse negócio de o Leal poder ser convocado é bom. Quem não quer ter o Leal em forma no seu time? Acho que nos ajuda bastante. Mas a função dele e do Lucarelli é totalmente diferente da minha. Faço uma função mais de volume de jogo, ponteiro mais completo. Vai ser uma disputa boa, mas cada um tem sua função.

GESTO DE WALLACE E MAURÍCIO FAZENDO ALUSÃO AO ENTÃO CANDIDATO BOLSONARO

Quando aconteceu eu estava fora das redes sociais. Muitos de nós não tínhamos visto o que eles tinham feito. Eu postei para avisar que tinha ganhado, depois pessoas me mandaram mensagem, minha família disse que estavam falando sobre isso. Fui no Twitter e disse que eu não tinha nada a ver, que não estava fazendo nenhuma campanha política. A situação do país está muito complicada, isso é um fato, mas o que importava para a gente era o que estava acontecendo no Mundial.

Dedos levantados por Wallace e Maurício Souza formam o número 17 (FIVB Divulgação)

SER REFERÊNCIA DO ESPORTE NO MOVIMENTO LGBT

Com certeza, mas não só LGBT. Crianças e jovens jogadores me levam como exemplo por ter chegado à Seleção muito novo. Quando eu tinha 17 anos não imaginava estar na próxima Olimpíada, e estive. Então não só a comunidada LGBT, mas novos atletas também me veem como espelho. Se o Douglas, que é um magrinho do interior, chegou lá, por que você não pode? Isso que eu tento pregar para todo mundo.

COMO LIDAR COM A SEXUALIDADE NO MEIO ESPORTIVO

Eu nunca me escondi para ninguém. Em todo clube com quem assinei, a diretoria sabia, os atletas sabiam. No meu dia a dia não muda absolutamente nada. Estou aqui a trabalho. Acho que a vida pessoal e profissional são totalmente diferentes. Ninguém tem que saber da minha vida pessoal. Todo mundo respeita, é tranquilo. Não tem brincadeirinhas chatas, até hoje não vivi nada assim.



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