Colunista convidado: “No próximo jogo da Superliga vou levar tapa ouvido”



Amantes do voleibol. Sexta feira passada, depois de muitos anos, fui assistir a um jogo da Superliga, no belíssimo ginásio de Barueri: o time da casa contra a equipe de Uberlândia.

Estava muito curioso pelo fato de ter frente a frente dois profissionais que se respeitam e trabalham juntos na Seleção Brasileira. Maravilhosa a postura de antes, cordiais. Durante, adversários. E depois do jogo novamente a relação de confiança um no outro.

Mas não se preocupem, não vou falar de vôlei. Vou me permitir abordar o produto voleibol oferecido por todo conjunto da obra, durante aquelas duas horas. Sim, meus amigos, mais uma vez a questão para mim é a qualidade de espetáculo oferecido a quem está no ginásio e a quem vê pela TV.

Ponto 1 

O protocolo de apresentação feita pela cidade anfitriã, sensacional. Saudar a equipe adversária, saudar a torcida que veio de longe para ver seu time jogar,pedir que os torcedores de Barueri aplaudissem, faz todo o sentido do mundo. Civilidade, cidadania, educação.

transmissão pela internet

Aquecimento do Hinode/Barueri no Ginásio José Correia (Divulgação)

Ponto 2

Por favor digam ao organizador do protocolo e/ou ao DJ que quando o Hino Nacional é usado na sua versão cantada, tem que tocar inteiro. Usem a orquestrada.

Ponto 3

Como diria o saudoso João Saldanha, se estivesse vivo e fosse comentar vôlei: “Meus amigos, aí começa um show de horror”. Um cidadão que deveria ser animador do espetáculo, atenção para o detalhe, e não assustador de torcida, começa a gritar desesperadamente cada vez que a bola para. E no vôlei ela para muito.

De acordo ou em desacordo com seu DJ, se perdiam muitas vezes, fizeram um monte de baboseiras sem qualquer sentido.

Vou exemplificar somente uma; time da casa atrás no placar; adversário sacando; e o cara grita barulho, barULHO, BARULHO. Vejam, a equipe que vai receber o saque está em desvantagem. Precisa de concentração, precisa que uma escute a outra. E o cara desesperado pedindo BARULHO. Ele queria atrapalhar quem? E o mais cômico para não dizer trágico, quando o time da casa fazia um ponto, o nosso assustador gritava ISSO!

E assim meus amigos foi o jogo inteiro. Muito barulho. O som também fazia mais barulho do que qualquer outra coisa. O nosso digníssimo DJ não teve a preparação necessária para entender os momentos, sacar as músicas, fazer o público dançar, se divertir. Era tum tum tum / tum tum tum / e / tum tum tum. E só.

Resultado; as jogadoras não se ouvem, o técnico não consegue dar instruções, os meios de comunicação não conseguem fazer o seu trabalho. E os patrocinadores, o que acham? Que vai vender um produto a mais porque tem um doido gritando no microfone o nome do produto ou da empresa?

A CBV deveria regulamentar, não a promoção do evento em si, mas sim a quantidade de decibéis permitida para tais ações de forma que houvesse um pouco de bom senso.

No vôlei, uns 20 anos atrás, procuramos estabelecer os critérios para embalar o produto voleibol. O espetáculo, a festa, o show e o entretenimento acontecem também fora da quadra. Mas essa coisa horrorosa que se tornou esses assustadores de torcida (e eu coloco desta forma pois eles impedem os torcedores de se manifestarem livremente, berrando coisas sem sentido, e que nada tem a ver com a torcida, a situação em si ou com o jogo).

Sou totalmente a favor de termos comandantes de espetáculo nas quadras. Animando todo mundo, torcendo as vezes, incentivando e em parceria com o DJ tornando aquelas duas horas superdivertidas. O que não consigo suportar é assistir a um jogo com um cidadão gritando BARULHO e ISSO.

Alias, será isso que chamam hoje de Marketing Esportivo?

Luiz Coelho é consultor de marketing tendo desenvolvido importantes projetos nas Olímpiadas de Pequim/2008, Londres/2012 e Rio/2016 com a Casa do Vôlei para a Federação Internacional de Voleibol. Atua hoje em outros esportes olímpicos.



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