Colunista convidado – Roberto Minuzzi: “Todos pelo vôlei?”



Depois de um longo inverno, a seção está de volta. O autor da vez é o ponta Roberto Minuzzi, do Kappesberg/Canoas. E ele não fica em cima do muro ao analisar o atual momento do vôlei brasileiro. Confiram!

Em 2010 eu estava finalmente voltando a jogar em minha cidade. Aceitando o convite, fui atuar pela UCS, Universidade de Caxias do Sul, para disputar a temporada 10/11. Eu e mais alguns jogadores fomos contratados para uma equipe que faria parceria com o São Caetano. Jogaríamos o Paulista por lá e a Superliga no Sul. Já havia passado por isso quatro vezes, duas na parceria ULBRA/SUZANO e outras duas com PINHEIROS/MINAS. Tinha sido campeão paulista em todas as oportunidades e estava muito empolgado.

A surpresa veio com o telefonema da CBV, avisando que, a partir daquele momento, não seriam mais aceitos os chamados “times estrangeiros” ou com “duas casas”. São Caetano ficou sozinho, com um time fraco. E nós, sem time, pois a UCS fechou.

Nesse momento, me abracei ao supervisor da UCS, Fábio Senna (que hoje é o gestor do projeto de Canoas), e fomos à luta para levarmos a equipe para a SOGIPA. Juntando patrocinadores de última hora, jogamos a Superliga recebendo salários de juvenil, para não deixar o vôlei morrer no Rio Grande do Sul. Para meu espanto, durante essa Superliga em que São Caetano e UCS foram golpeados, a equipe de Blumenau atuava com a parceria do Clube Olímpico, de Belo Horizonte. O critério usado para a quase extinção do voleibol no RS não foi utilizado com outros times e até hoje não se sabe o motivo…

Depois de muita insistência, hoje o esporte está se reerguendo no nosso Estado, por forças próprias. Jogadores e dirigentes se uniram e foram bater nas portas de empresários e prefeituras no Rio Grande do Sul. Para se fazer um time competitivo, muitos recebem um salário fixo bem abaixo da realidade e têm seus percentuais em cada patrocínio conquistado. Esta é a forma que trabalhamos no projeto do Kappesberg/Canoas e, nessa temporada, conseguimos atingir a meta de orçamento traçada pelo clube, depois de muito esforço, trabalho e persistência. Todos se ajudando para fortalecer o vôlei! Todos? A CBV, aos meus olhos, não.

Não sei se em algum outro momento, jogadores de qualquer modalidade, em qualquer canto do mundo, se interessaram tanto em melhorar uma modalidade como os atletas de vôlei do Brasil. Reuniões e reivindicações para aumentar o tempo do campeonato, a exposição dos patrocinadores, que são os que sustentam o esporte, foram alguns dos temas. Tudo para fortalecer as competições.

O que vemos, ano após ano, é a CBV tirando possibilidades do clube divulgar os patrocínios, para dar espaço a seus próprios colaboradores. Hoje, não podemos ter cartazes, backdrops, bonés, adesivos na quadra, nem na cadeira do árbitro. As placas de maior visualização são dos patrocinadores da entidade, e as dos clubes, que a cada ano perdem mais espaço, ficam escondidas. Nós, do Kappesberg/Canoas, perdemos um patrocinador, que na temporada passada pagava somente para ter a decoração do ginásio. Nem a bola gigante, aquela que se joga para animar a torcida, a CBV deixou usar.

O esforço que é feito para se manter uma equipe, para tentar melhorar o nível do campeonato, parte somente dos clubes. O dia que a CBV resolver ajudar, nosso voleibol será, sem dúvida, o melhor do mundo.



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