Colunista convidado: Precisamos reagir contra o racismo



O texto abaixo foi escrito por Marcelo Carvalho, diretor executivo do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, e publicado neste domingo, dia 18 de outubro, no LANCE!.

Marcelo me procurou após a publicação da Coluna Saque na semana passada sobre os seguidos casos de racismo no vôlei brasileiro. Relembre aqui: Coluna Saque sobre racismo

Durante muitos anos o Brasil conviveu com o mito da “Democracia Racial”, desmascarado ano passado por um relatório da ONU que apontou que por aqui o racismo é institucional, acreditávamos nesse mito mesmo que casos de racismo fossem se somando ao longo do tempo. Iludíamos-nos em pensar que eram incidentes esporádicos e que, cada um deles, nos levariam a discutir o tema e acabar com essa praga que tanto macula a sociedade brasileira, mas não. Hora ou outra um novo caso de discriminação racial envolvendo alguma personalidade ou atleta volta a acontecer e choca a sociedade. Mas o que é feito na prática?

Ano passado o esporte brasileiro, mas precisamente o futebol, sofreu com inúmeros incidentes, houve encontro com a presidente da republica, ações de clubes e federações, mas na pratica nada foi feito. As leis desportivas continuaram as mesmas e as punições aos envolvidos foram exceções. Sendo assim, este ano os casos continuaram a acontecer e não apenas no esporte mais popular do país, mas também na ginástica e no vôlei. O Brasil que sempre fez questão de distorcer e amenizar a história da escravização dos africanos e a extrema desigualdade social que separam negros e brancos, no país com a maior população de negros fora da África, precisa repensar suas leis e ações de combate ao racismo.

Clubes, federações e demais entidades precisam estar atentas para os incidentes que acontecem no esporte, pois estes geralmente têm extrema repercussão e sinalizar para a sociedade que estes crimes não são punidos constituem em sério retrocesso à própria contribuição que os atletas negros deram à democratização das relações sociais no esporte e à construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

O esporte que sempre foi um importante instrumento de inclusão social precisa se ver livre dessa praga que tanto macula nossa sociedade. E, servir de exemplo e de instrumento de luta contra a discriminação racial. O que aconteceu com a jogadora Fernanda Isis, do Bauru, na quarta-feira, dia 7 de outubro de 2015, precisa de uma indignação maior da sociedade, da mídia, das autoridades, mas principalmente dos atletas que sofrem esse tipo de agressão.



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