Colunista convidado: o levantador William, do Sada/Cruzeiro



“Vou confessar que escrever na coluna de Daniel Bortoletto é uma responsabilidade tremenda, mas jamais recusaria o convite, ainda mais se tratando de um jornalista imparcial, respeitado e acima de tudo amante do nosso querido voleibol.

Muitas coisas passaram pela minha cabeça, porém acredito que citar um pouco da minha vivência nesses 16 anos como profissional seria bastante curioso para os leitores e amantes desse esporte.

Tudo começa em 1996 na extinta equipe do Report/Suzano, de lá pra cá, muita coisa aconteceu, tragédias familiares, mudança de regras, experiência internacional, e a volta a um grande clube mineiro chamado Sada/Cruzeiro que me repatriou, acolheu, e que hoje mora dentro do meu coração.

Ao longo desses anos tive o prazer de jogar ao lado de grandes craques, que com certeza moldaram e construíram um pouco da minha identidade e o que sou hoje como atleta profissional. Poderia citar uma lista imensa, mas darei alguns nomes como exemplo: Max, Pampa, Schwanke, Olikhver, Ive, Maurício, Diago, Ricardinho, Marcelinho e o eterno capita Carlão. Nunca deixando de lado o mais importante de todos eles o Sr. William Arjona Chong, meu pai.

Tive o prazer e o privilégio de defender a camiseta da Seleção Brasileira em todas as categorias de base, onde encontrei pelo caminho grandes mestres como Percy Oncken e Marcos Lerbach. Treinadores que me ensinaram muito e sou muito grato a eles pela oportunidade que me deram. E é daí que dou um pulo direto a minha experiência em terras “hermanas”.

Em 2006 recebi o telefonema de Carlos Weber, excelente levantador e que já começara a escrever seu nome como treinador vitorioso. Era um convite para atuar no voleibol argentino, em uma equipe que seria formada para fazer história, com grandes nomes de lá, mais três brasileiros: Badá, Wallace e eu. Confesso que me pegou desprevenido, mas não titubeei por saber que estaria sendo treinado por um dos melhores da história e com ótimas referências dos atletas que ja haviam trabalhado com ele.

Sem sombra de dúvidas eu estava entrando até então na melhor fase da minha vida, não só como profissional, mas como pessoa. Meu crescimento foi notável, foram 28 torneios disputados com 27 títulos, uma marca incrível na vida de qualquer atleta que vive de vitórias e derrotas. Mas o mais legal de tudo isso foi a experiência de viver em uma cidade como Buenos Aires, cheia de cultura, de vida e de lugares incríveis. São essas possibilidades que eu agradeço todos os dias ao vôlei por me proporcionar.

Na Argentina me tornei uma pessoa mais politizada, um país com tantos problemas, e esse problemas eram discutidos todos os dias entre os jogadores, pessoas que frequentavam o clube, na fisioterapia e em cafés tradicionalíssimos por lá. Começei a enterder que, como cidadão, não poderia me omitir das barbáries que acontecem na frente de nossos olhos, e voltei ao Brasil com uma visão muito mais crítica em relação à nossa política, exercendo meu papel principalmente por ser hoje uma pessoa pública. Os que me seguem pelas redes sociais sabem que sou um cara que fala o que pensa, mas sempre buscando uma melhor solução para todos, visando o lado positivo da coisa.

Hoje defendendo as cores celestes do Sada/Cruzeiro minha carreira como profissional continua no mesmo rumo. Já são 3 anos de equipe com 10 torneios disputados e 8 títulos. Alguma coisa boa eu fiz durante todos esses anos pra merecer isso, mas é preciso se preocupar com o futuro. Afinal a vida de jogador de vôlei um dia vai acabar, infelizmente, mas o meu papel como cidadão de bem deverá permanecer por muitos e muitos anos”.

Segue o link para o primeiro texto da seção, escrito pelo cubano Jurquin, do Medley/Campinas: http://wp.me/p1b2tr-1dD

E aguardem que mais craques das Superligas masculina e feminina já aceitaram o desafio e vão dividir as experiências com vocês.



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