Colunista convidado: Jurquin, cubano do Medley/Campinas



Inauguro esse prometido espaço com um depoimento muito bacana do Rolando Jurquin, cubano contratado pelo Medley/Campinas nesta temporada.

“Desembarcar no Brasil foi um alento. Venho de dois anos de vôlei na Grécia e, os últimos meses por lá, tinham se transformado num verdadeiro pesadelo. O clube pelo qual eu jogava, o Iraklis Thessaloniki, foi atingido pela crise e isso afetou a todos os jogadores. Eu mesmo fiquei cinco meses sem receber salário. Cheguei a passar um mês inteiro com 80 euros no bolso. Os problemas eram diários. E eu, dentro de um hotel o tempo todo, sem perspectiva de melhora. Para piorar a situação, jogava praticamente sozinho. Os  companheiros falavam que eu era jogador de Federação Internacional e tinha que resolver as partidas.

Aqui no Brasil, em Campinas, tudo é diferente. Me sinto em casa. Até a comida é parecida com a de Cuba, minha terra natal. Aqui também se come muito arroz, muito feijão e a dificuldade é mais controlar o garfo do que qualquer outra coisa.

Foto de Cinara Piccolo

O apoio que me faltou na Grécia, sobra em Campinas. Minha mulher, a Zoe, está grávida e só fala grego ou inglês. Imagine a dificuldade para uma mulher que vai ter seu primeiro filho numa terra estranha e de idioma tão diferente. Pois até nisso eu pude contar com o apoio do Medley/Campinas. E devo agradecer ao nosso supervisor, o Fernando Maroni, que não só meu deu todas as condições e apoio, como compareceu às primeiras ultrassonografias do Rolando Júnior – que deve nascer entre dezembro e janeiro. Hoje, já me viro sozinho. Entendo bem o português. Mas sem o apoio da equipe nos primeiros dias, teria sido muito difícil.

Sinto saudades de Cuba. Meu primeiro filho está lá. Minha família está lá. Mas não me arrependo de ter saído tão cedo de casa. Tinha apenas 12 anos de idade e desde então estou na luta para conquistar meus objetivos. 

Apesar do pouco tempo em que defendo o Medley/Campinas, já tenho alguns bons resultados para mostrar. Meu desempenho mais expressivo foi em um tradicional duelo contra a equipe do Sesi, no qual marquei 17 pontos.

E a convivência com os meus companheiros de time reforçam a máxima de que o povo brasileiro é bastante acolhedor, temos momentos muito divertidos nos treinos, momentos intensos nos jogos, dependemos muito uns dos outros quando estamos em ação. O Pacheco é um grande professor e a torcida campineira me recebeu muito bem, percebo isso a cada partida.”



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