Colunista convidado – Bruno Zanuto: “A decisão mais difícil”



Em mais um texto da seção colunista convidado, Bruno Zanuto escreve sobre a decisão de “virar” italiano e tentar uma chance na Azzurra.

Olá a todos!

Em janeiro de 2012 tomei uma decisão que mudaria o rumo da minha carreira e me abriria novas possibilidades.

Paulistano, descendente de italianos por parte de pai e de mãe, estava há alguns anos aguardando a concretização do reconhecimento da minha cidadania Italiana. Já havia jogado em alguns campeonatos no exterior, como o Francês e o Polonês, mas o Italiano havia me conquistado.

A identificação com a cultura e com o país, junto com todas as lembranças do campeonato, mantinham vivo um desejo de retornar. Ensaiei durante alguns anos esse retorno, mas não era uma decisão simples. Envolvia a minha família, esposa e filhos. Até que, no início de 2012, depois de varar a noite com um grande amigo relembrando os tempos vividos na Itália, tive a necessidade de acordar a minha esposa às 4 horas da manhã para uma conversa: o objetivo era inverter a rota da nossa viagem, já que estávamos bem estabelecidos no Brasil.

Coincidência, ou não, meu processo de cidadania ficou pronto poucos dias após o último jogo da minha equipe na Superliga. Não tive dúvidas: tinha de embarcar logo para finalizá-lo na Itália. Com toda a documentação pronta, decidi esperar uma oportunidade no campeonato italiano. Havia possibilidades, mas nenhuma oferta concreta. Estava começando um período de crise na Europa, e todas as equipes do Brasil já estavam formadas. Foi uma fase difícil, de incertezas, de medo e de fé.

Enfatizo esse ponto da espera e da expectativa porque sei como isso mexe com todo jogador, ou pelo menos, com a grande maioria. Muitas vezes é difícil tomar certas decisões, e deixar coisas que temos como “seguras” em segundo plano, pela incerteza do que nos espera mais à frente. Sabia que não poderia errar nesta decisão, mas um sentimento de que tudo daria certo me acompanhava.

Aceitei uma proposta da equipe de Ravenna. Então eu e minha família embarcamos com a intenção de vivermos não somente uma breve experiência, mas de nos estabelecermos por aqui ou, se fosse o caso, de analisarmos novas possibilidades. Mas o objetivo era morar no exterior, e a princípio, na Itália.

Em abril de 2013, solicitei à FIVB a minha troca de federação de origem, me vinculando à Federazione Italiana di Pallavolo (Federação Italiana de Vôlei). Uma decisão embasada em uma opção e em um direito meu que, claramente, me trariam coisas novas e me tirariam outras. Hoje sou um jogador Italiano, e a maior joia que encontrei foi poder viver novas expectativas dentro de novas realidades.

Claro que a saudade do Brasil é grande. A família e os amigos que estão do outro lado do oceano fazem muita falta. Retornar em definitivo ao Brasil ainda é um plano em aberto, distante, mas ainda em aberto. Acredito que, principalmente tratando-se de voleibol, nós, como jogadores, podemos ter intenções e tomar decisões. Mas nunca saberemos ao certo para onde o vento vai soprar…

Um enorme abraço

Ciao

Bruno Zanuto



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