Colunista convidado: Bruninho, levantador do RJX



Fiquei muito feliz ao receber o convite para escrever uma história e um pouco sobre mim no blog do Daniel. Uma oportunidade para dividir algo que aconteceu comigo para alguns fãs de voleibol.

Agradeço a Deus todos os dias por ter feito parte de equipes com jogadores e profissionais que, sem dúvida alguma, foram essenciais para meu crescimento e amadurecimento no voleibol. Isso começou de fato profissionalmente na extinta equipe da Unisul, quando cheguei no final de 2003, com 17 anos, para completar o grupo e, mais do que qualquer coisa, aprender e ajudar no que fosse preciso.

O convite partiu do então gerente Renan dal Zotto, que precisava de mais algum jogador juvenil (Thiago Sens era o outro) inscrito na equipe para a disputa da Superliga 2003/2004. Eu já havia disputado três Brasileiros em categorias de base e me sagrado campeão brasileiro infanto em 2003 por São Paulo.

Assim que cheguei a Florianópolis fui recebido pelo então supervisor Chico Lins (anos mais tarde considero uma das pessoas mais importantes da minha carreira junto com Renan) e fomos para o ginásio, em seguida, encontrar o treinador Weber e o restante da equipe. No ginásio fui apresentado a todos e naquele momento me sentia mais um fã do que um jogador que faria parte daquela equipe. Estrelas como Milinkovic, André Heller, Marcelinho, Dirceu, Schwanke, entre outros, faziam parte do time.

Divulgação/RJX

Bruninho em ação pelo RJX. Ao fundo, Dante

À noite, já instalado no apartamento com outros quatro jogadores da equipe, ao colocar a cabeça no travesseiro, disse pra mim mesmo que se precisasse comeria o chão para poder de alguma forma ajudar a equipe, pois ainda não tinha condições de jogar efetivamente no nível dos demais jogadores.

Cada dia, para mim, seria uma forma de mostrar que eu merecia a chance de fazer parte do grupo, e que sobrenome e parentesco com o técnico da Seleção de vôlei não seriam de maneira alguma uma alavanca para que eu estivesse ali. Isso passava sempre pela minha cabeça. Como os outros jogadores me enxergavam? Será que estão desconfiados da minha presença?!?!

Com o tempo senti que fui ganhando o respeito do grupo, do treinador Weber e seu assistente Marcos Pacheco. Me dedicava como se aquilo fosse a última chance da minha vida e eles começaram a ver o quanto eu me esforçava apesar das limitações.

O time continuava indo muito bem na superliga, sempre brigando pela ponta com a equipe da Ulbra. Marcelinho e Milinkovic me deixavam boquiabertos com tamanho entrosamento. André Heller, um verdadeiro guerreiro. Dirceu e Badá, apesar de não serem considerados estrelas na época, jogavam como carregadores de piano na linha de passe juntamente com Jeffe (líbero)

No último jogo antes dos playoffs, enfrentaríamos a equipe de São José e até então eu não havia sido relacionado em nenhuma das partidas da superliga. Quando cheguei ao ginásio, Weber me chamou e disse que eu seria relacionado para a partida e possivelmente entraria para sacar e defender em algum momento da partida. Minha alegria se tornou apreensão. Eu nem tinha levado o uniforme para a partida. Graças a Deus morávamos num apartamento próximo ao ginásio e fui correndo buscar o uniforme para poder jogar. Correndo mesmo, pois ainda não tinha carro e não tinha salário para pegar um táxi (risos).

Após isso, fui relacionado para mais três partidas, incluindo uma das finais do campeonato daquele ano contra a Ulbra. Fomos campeões após batermos o Minas, de Giovane, Ricardinho, entre outros, na semifinal e na final vencemos a Ulbra por 3×0 nos três confrontos.

Aquela temporada foi um marco na minha vida. Ganhava hospedagem e alimentação e o dinheiro que ganhei foi apenas graças aos prêmios pelos títulos catarinense, da Supercopa e da Superliga. Consegui sobreviver sem pedir um real para ninguém e isso foi também importante para meu amadurecimento. Meu grande companheiro na época, Thiago Sens, tinha carro e cada um dava o que podia para colocar gasolina e irmos para a praia curtir o dia. Ou então nossos companheiros Dirceu e André Heller nos pegavam e nos levavam para fazer um churrasco ou ir a algum lugar para nos divertirmos. Fazer parte e conviver com grandes ídolos e campeões serviu para que eu percebesse o quanto o caminho seria longo e árduo para que conquistasse mais coisas. E esses caras foram verdadeiros espelhos para que eu fosse um líder como eles eram.

O maior sentimento que carrego, não so desta temporada, como de muitas outras, é a gratidão por todas as pessoas que me ajudaram naquele momento.

Duas temporadas depois me sagraria campeão da Superliga jogando como titular da Cimed, sendo o melhor levantador da competição. Sem essas pessoas e essa experiência acredito que nada disso teria acontecido tão rápido.

Meu lema é matar um leão por dia. Foi isso que procurei fazer todos os dias desde que cheguei a FLorianópolis, em dezembro de 2003, e é isso que continuo buscando, pois sei das minhas deficiências e o quanto posso crescer.

Obrigado a todos que me ajudaram e foram fundamentais para o meu crescimento e por tudo que aconteceu na minha carreira.

Espero que tenham gostado dessa história. Um grande abraço Bruninho #1

Abaixo, os demais textos já publicados na seção.

Jurquin – Medley/Campinas; William – Sada/Cruzeiro; Andreia – Pinheiros; Quiroga – Vivo/Minas

http://blogs.lancenet.com.br/volei/2012/12/05/colunista-convidado-jurquin-cubano-do-medleycampinas/

http://blogs.lancenet.com.br/volei/2012/12/17/colunista-convidado-o-levantador-william-do-sadacruzeiro/

http://blogs.lancenet.com.br/volei/2013/02/05/colunista-convidado-a-atacante-andreia-do-pinheiros/

http://blogs.lancenet.com.br/volei/2013/02/06/colunista-convidado-quiroga-do-vivominas/



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