Coluna: Uma semana estranha para o vôlei brasileiro



Quem nunca teve aquela sensação de viver um inferno astral? Nada funciona, dias ruins em sequência, notícias desagradáveis, resultados abaixo do esperado…

O vôlei brasileiro viveu algo parecido nos últimos dias.

Na Seleção masculina, o campeão olímpico Lucarelli foi convocado para os treinos em Saquarema, mas preferiu abrir mão da participação no Campeonato Mundial. A alegação do ponta foi não estar no nível desejado para representar o país em uma competição tão importante.

Operado em novembro do ano passado após uma lesão grave no tendão de Aquiles, ele voltou a defender o EMS/Taubaté apenas no último dia 10, na abertura do Paulista, quase nove meses depois. Perdeu praticamente toda a temporada de clubes, algo que o Taubaté não quer imaginar uma repetição. Lucarelli optou por seguir a recuperação no time e disputar o Estadual.

Como escrevi no blog na ocasião, ninguém melhor do que o próprio atleta para saber do nível, do status no momento. Faltam ritmo de jogo e físico ideal, certamente. Mas o principal temor está na cabeça. O tal fantasma de uma nova lesão grave. Some-se a isso o receio do clube de perder novamente seu principal patrimônio e fazer novo investimento (alto, diga-se de passagem) para não colher os frutos em quadra.

Eu só teria agido diferente e dado o direito da dúvida para a Seleção. Aceitar a convocação, treinar alguns dias em Saquarema e mostrar a todos não ter plenas condições de entrar em quadra daqui a três semanas, na Bulgária.

Crédito: FIVB/Divulgação

Lucarelli está fora do Mundial, em setembro (Divulgação)

Perderá muito a Seleção sem Lucarelli. Maurício Borges, outro campeão olímpico, também está fora por contusão. Justamente na posição mais carente do vôlei nacional na atualidade, como ficou provado na reta final da Liga das Nações.

Já na preparação feminina, a semana foi marcada por derrotas em amistosos contra um time B dos Estados Unidos, em Brasília e Uberaba. Escrevo a coluna antes do resultado do quarto e último confronto, no Rio de Janeiro. Nos três primeiros, vitórias americanas por 3 a 1, 3 a 0 e 3 a 2.

Em condições normais de temperatura e pressão, perder para os Estados Unidos pode até ser considerado como um resultado normal, vide a força do time de Karch Kiraly. Mas ficou no ar uma sensação de que o Brasil está muito distante de um nível ideal, pensando justamente no Mundial do Japão.

Brasil em uma das derrotas para os EUA (Wander Roberto/Divulgação)

O copo meio cheio desse cenário é o seguinte: faltam 40 dias para o início da competição, Dani Lins e Thaisa estão voltando agora ao grupo principal e três jogadoras ainda precisam ser integradas ao grupo: Fernanda Garay, Natália e Suelen.

Já o copo meio vazio é a repetição de falhas mostradas na Liga das Nações: inconstância no passe, lapsos de concentração e algumas jogadoras com nível de atuação bem abaixo do normal. Some-se a isso um processo de renovação problemático, um ponto já debatido por aqui recentemente.

Fui entrevistado dias atrás sobre expectativas do vôlei brasileiro para os dois Mundiais. Logicamente vejo as Seleções masculina e feminina na briga por medalhas, com mais uma penca de adversários. Nem precisaria ser um especialista para dizer isso, visto o histórico brasileiro neste século no vôlei. Mas não coloco nenhum dos dois como favorito, um cenário que nos habituamos a ver neste mesmo período glorioso citado anteriormente.

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