Coluna: Último capítulo de uma bela história



Coluna Saque publicada no LANCE! neste 24 de maio.

Sabe aquele dia que você gostaria que não chegasse nunca? Aquele momento que aumenta a ansiedade, acelera os batimentos cardíacos e termina, quase sempre, em choro? Pois é. Não dá mais para adiar o inevitável. Para a levantadora Fofão, todos esses sentimentos irão se misturar a partir das 11h, no Ginásio Milton Feijão, em São Caetano do Sul. Com a presença de 3.500 fãs, treinadores da Seleção Brasileira e companheiras de diversas gerações, ela, aos 45 anos, colocará um ponto final na carreira.

Um grand finale mais do que merecido para alguém que não foi simplesmente uma referência como atleta em quadra, um sinônimo de perfeição ao preparar uma jogada para as atacantes. Mas principalmente pelo fato do ser humano Fofão ser um daqueles bem raros. Aqueles que se tornam exemplos não por palavras ao vento ou discursos motivacionais repletos de palavras rebuscadas. Aqueles que fazem a diferença com ações, liderança positiva e forma de transformar limitações em disposição para vencer.

Fofão é uma vencedora. O título olímpico em Pequim-2008 foi a maior conquista, um verdadeiro “cala boca” dado por um time que viveu um calvário desde a derrota na semi em Atenas-2004. Posso dizer que sou um privilegiado por ter acompanhado a campanha na China de perto. E lá tive a comprovação de que a levantadora, mesmo sendo protagonista, prefere que os holofotes estejam apontados para as demais jogadoras. É o jeito Fofão de ser. É assim que ela sempre construiu o carreira em quase três décadas.

Hoje, porém, Fofão, todos os holofotes estarão em você. Você é a estrela da festa. As demais, com todo respeito, serão coadjuvantes. Você merecerá os aplausos, as homenagens, as palavras de carinho… Certamente vai querer dividir os méritos com treinadores, jogadoras do passado e da ativa, familiares… É seu jeito. Mas tenha certeza de que é, foi e sempre será uma das melhores do esporte.



  • Lilika

    Como Atleta e como Pessoa fará falta no esporte…espero que continue, mesmo nos bastidores indiretamente, ligada ao vôlei…tem muito ensinar às novas gerações (caso ela Tbm queira né)…paz, saúde e principalmente sucesso.

  • marcian

    Belíssimo texto!
    Despedidas são assim mesmo, dão aquela brisa gelada e chata dentro da gente.
    Mas, é o que o tempo nos manda fazer. Uma vez terminado, o que nos resta é sair de cena.
    O vôlei certamente não será o mesmo.

  • klaus

    Como vc bem disse Daniel, “sabe aquele dia que você gostaria que não chegasse nunca”.Não dá pra dizer mais nada.Até hoje eu não consigo ler e nem ver quase nada do Giba porque só de pensar que ele parou eu me emociono.O mesmo ocorre com a Fofão .

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