Coluna: Tifanny segue dando o que falar



A pausa do vôlei brasileiro para as festas de fim de ano serviu para o caso Tifanny ganhar novos capítulos. Para quem não sabe, ela é a primeira transexual a atuar na Superliga feminina do país pelo time de Bauru.

Separei alguns trechos relevantes para qualificar a discussão. Vamos a eles:

– Em entrevista ao amigo Marcelo Laguna, no site da Veja, o médico Paulo Zogaib, professor de medicina esportiva da Unifesp, disse: “É evidente que tem vantagem sobre as outras. Ao mesmo tempo em que queremos garantir seu direito para competir, de trabalhar, também temos de dar o direito às outras meninas que competem contra ela. É muito difícil achar um meio-termo. Aparentemente, a solução seria criar uma limitação de idade para que a pessoa faça a cirurgia e assim competir no feminino. Ainda assim, cria uma situação complicada, de preconceito, segregação, como resolver?”

Zogaib une as importantes questões fisiológicas e sociais neste trecho. Ele explica a vantagem física de Tifanny pelo fato de a cirurgia para mudança de sexo ter acontecido quando ela já tinha 30 anos. Assim, “ela passou boa parte da vida com uma produção hormonal muito maior do que uma produção hormonal feminina. Isso acaba influenciando no tamanho dos órgãos, coração, pulmões, a parte óssea, ou seja, as alavancas do aparelho locomotor. Então, isso cria diferenças em relação às mulheres e faz com que ela tenha um desempenho melhor. Não é pura e simplesmente o controle de testosterona na circulação”.

Tiffany se destacou pelo Bauru nos primeiros jogos (Divulgação)

Não há como discordar do especialista Zogaib neste aspecto. O ponto seguinte é entrar na questão da regra de liberação. Me parece bem razoável existir uma discussão sobre a limitação de idade para que a cirurgia seja feita, permitindo assim uma “igualdade fisiológica” após a mudança de sexo. Vai além do exame de testosterona realizado atualmente.

– Em seu blog, Cacá Bizzocchi, técnico e comentarista Bandsports, escreveu: “A jurisprudência do caso Tifanny pode levar o esporte feminino a um estado de transformação e descaracterização. Tifanny não deve ser banida nem sacrificada, mas critérios mais restritivos precisam ser considerados. É necessário levantar e discutir mais a fundo as consequências da participação indiscriminada de esportistas transexuais entre as mulheres. Não é uma questão de inclusão ou de tolerância, mas de equidade fisiológica, igualdade de competitividade e legitimidade. Talvez seja necessário limitar a participação de transexuais a um ou dois por equipe”.

O assunto abordado por Cacá me fez levantar números. Na temporada passada, pelo Golem Palmi, Tifanny disputou 8 jogos pela Segunda Divisão Italiana. Fez 211 em oito jogos (32 sets). Uma média de 26,3 pontos por partida ou 6,6 por set. Na atual Superliga, ela marcou 55 pontos em nove sets, ou seja, 6,1 ponto por parcial.

Os números são consideráveis, ainda mais quando comparados. Na atual elite Italiana, Isabelle Haak lidera as estatísticas com 6,23 ponto por set (274 em 12 partidas ou 44 sets), seguida pelo fenômeno do país Egonu (5,41 ponto por set – 238 pontos em 12 partidas e também 44 sets). Na segunda divisão, a mesma disputada por Tifanny no ano passado, Alexa Gray lidera com média de 6,21 pontos por set – 398 pontos marcados em 16 jogos ou 64 sets).

E a preocupação de Cacá Bizzocchi é bem explicada no parágrafo final do texto: “Que se promova a inclusão, um dos fundamentos do esporte na era moderna, mas que também se respeitem as diferenças, porque com base exclusivamente nesta norma, não demorarão a nascer seleções femininas de países tradicionalmente pouco compromissados com a ética esportiva formadas exclusivamente por transexuais que despontarão, num passe de mágica, entre os melhores do mundo, desbancando aqueles que construíram ao longo de décadas uma história de sucesso, apoio e respeito às diferenças do gênero feminino”.

Ele tem razão. O esporte pode e deve promover sempre a inclusão. No primeiro texto que escrevi sobre Tifanny, no ano passado, defendi, inclusive, que ela fosse aplaudida pelos obstáculos impostos pelo preconceito e superados diariamente. Muita gente não gostou. Mas, em um mundo cada vez mais disposto ao “vale-tudo” por uma medalha de ouro, ignorando questões éticas, ter regras mais claras para evitar distorções é uma obrigação.



  • Silvio Jr

    ASSUNTO EXTREMAMENTE COMPLICADO, AFETA VARIAS ESFERAS TANTO DESPORTIVAS COMO SOCIAIS, DA MESMA FORMA QUE PRECISAMOS GARANTIR O DIREITO A INCLUSÃO DEVE SE GARANTIR A IGUALDADE DESPORTIVA …..

  • AfonsoRJ

    Não vejo complicação nenhuma no assunto. Transsexuais não são mulheres, e portanto não podem participar de competições esportivas femininas. Simples assim. Não se trata de proconceito nem discriminação. Apenas uma constatação fisiológica. Tanto é que não vejo a mínima restrição que uma trans exerça uma atividade que não envolva desempenho físico. Pode se e médica, advogada, guia turística ou vendedora de cachorro quente. Tanto faz. Mas no esporte não concordo em hipótese alguma. Tanto é que vou deixar de dar audiência a jogos do Bauru, pois para mim perderam a graça e boicotar seus patrocinadores. E se a prática se tornar frequente entre equipes de vôlei, deixo prá lá esse esporte e passo a acompanhar, digamos… aquele da chaleirinha que a turma fica varrendo na frente e berrando atrás. Como é mesmo?… ah! Curling… Esse pelo menos é mais baseado em habilidade do que em desempenho físico.

  • Willian Garcia

    Acho que por ser o primeiro caso é difícil. Deve haver mais estudo, para comprovar quanto tempo é necessário para que o processo da puberdade seja “revertido”, e como diz no texto estabelecer idade para que haja está transição. Para os times/seleções ainda acho que deve haver limite por time (1 por equipe, igual regra para naturalizados). Tifanny não deve ser crucificada. Ela é a pioneira por isto sempre vai ser bombardeada. Os órgãos competentes que liberaram FIVB e COI que devem criar regras e parâmetros melhores. Tifanny só está exercendo seu direto de mulher e de trabalhadora. Embora os diretos de igualdade devem sempre prevalecer, ninguem pode levar vantagem sobre ninguem. Então estudo e regras devem ser mais rigorosas.

  • Gustavo Cardoso Peres

    ABSURDO

  • Lexotril Uno

    pra mim não tem discussão nenhuma: nasceu com corpo de homem, cresceu como homem e tem órgãos de um homem (exceto o órgão sexual), então não pode jogar com mulheres. Tentem fazer o contrário: peguem uma mulher, “encham” ela de hormônio masculino, insiram um pênis, submetam a treinamento de homem e logo comprovarão que jamais terá a força de um homem.

  • Jorge Guerreiro

    As modalidades são volei masculino e volei feminino. Por que não criam a modalidade volei trans?

  • Senhor Omar – Trágico

    Homem jogando com mulher… tsc tsc.. e vc defendeu esse absurdo

  • Donnici Daniel

    Já começou errado, o certo é “Ele é,..”

  • L. Mesquita

    Se fosse assim, atletas como Gamova, Kim Yeon Koung, Zhu Ting, Boskovic, Kosheleva, Goncharova, Brayelin Martinez e outras gigantes que tem por aí deveriam ser proibidas de jogar, por serem previlegiadas fisicamente em relação às outras atletas! Vi hoje o jogo Bauru 3 x 1 Brasília e não considero a Tifany mais forte que uma Boskovic, uma Brayelin Martinez ou uma Zhu Ting. Tifany é sim alta, 1,94m, e forte, mas é completamente dentro da normalidade!
    1. Muitos médicos NAZISTAS consideravam a raça ariana superior e os judeus uma sub-raça!
    2. Muitos médicos antigamente praticavam a LOBOTOMIA para tratar DEPRESSÃO, na qual se cortava as conexões do córtex pré-frontal do cérebro com outras partes do órgão. Os médicos furavam os crânios dos pacientes e destruíam os tecidos que cercavam os lobos frontais. Os sintomas da depressão desapareciam, só que o paciente passava a sofrer com lesões cerebrais que o tornavam inválido!
    3. Muitos médicos antigamente afirmavam que a Drapetomania era um “distúrbio” que causava aos escravos negros uma “misteriosa” vontade de fugir das fazendas onde trabalhavam. Segundo o médico Samuel A. Cartwright isso era culpa dos proprietários dos escravos, que, frequentemente, os tratavam como iguais e não como seres inferiores. Para curar essa “doença”, o médico sugeria que os proprietários punissem os escravos até que eles fossem completamente submissos!
    4. Muitos medicos antigamente afirmavam que homossexualismo era doença!
    5. Muitos médicos MACHISTAS julgam a MULHER como um ser INFERIOR, que não é capaz de jogar vôlei com uma MULHER TRANS!
    Esses exemplos servem só para ilustrar como a opinião de muitos médicos podem DESGRAÇAR a vida de uma pessoa! Então não sejamos preconceituosos!
    O que vejo aqui são muitos comentários profundamente machistas tratando as mulheres como INFERIORES, como se elas fossem totalmente frágeis e indefesas e não pudessem jogar com mulheres TRANS. Ficam inventando desculpas fisiológicas, quando na verdade TODAS AS MULHERES SÃO DIFERENTES, assim como TODAS AS IMPRESSÕES DIGITAIS SÃO DIFERENTES, vai dizer que a BOSKOVIC enfrenta uma MONIQUE em igualdade de condições???
    Assim como DAVI derrotou GOLIAS, o que importa não é só FISIOLOGIA, FORÇA FÍSICA, ALTURA etc… Habilidade, técnica e muito treinamento também são muito importantes! Prova disso é que as JAPONESAS já foram CAMPEÃS OLÍMPICAS e nas OLIMPÍADAS DE LONDRES estavam no PODIUM com o BRONZE, enquanto equipes de gigantes com VANTEGEM FISIOLÓGICA DE ALTURA E FORÇA como DOMINICANAS, HOLANDESAS, RUSSAS etc, nem chegaram ao PODIUM!!!

    • Marco Túlio Braga Barbosa

      Respeitosamente, considero frágil o argumento que compara o caso de, por exemplo, Gamova com o da Tifanny. É certo que a Thaísa seja mais alta que muitos atletas da SL masculina, ou a Tandara deva ser tão forte quanto alguns atletas homens, assim como elas são mais altas e fortes que várias de suas companheiras de liga. Não se trata de uma característica isolada, mas de todo um conjunto de diferenças fisiológicas que justifica a existência da divisão por gênero nas modalidades esportivas; se fosse válido esse argumento, teríamos uma única superliga e, provavelmente, as mulheres teriam algumas vagas de líbero. Creio que este é um problema novo, e acusar quem levanta dúvidas de ser homofóbico ou nazista é fugir do debate maduro com o argumento do pombo enxadrista. As preocupações levantadas são sim legítimas, no que diz respeito ao perigo da descaracterização das modalidades femininas, ao desequilíbrio do mercado de trabalho (no qual já existe o problema da remuneração menor para as atletas) e ao risco de clubes ou mesmo seleções lançarem mão de transexuais para obter resultados que colocarão em dúvida a credibilidade dos torneios. Cada caso deveria ser avaliado isoladamente; baseado em critérios médicos e fisiológicos em alguns deles concluir-se-á pela permissão à atleta transexual e em outros, não. Não seria discriminatório, mas o resultado de uma opção de vida feita em liberdade por um indivíduo que trouxe os bônus aos quais ele aspirava, mas também trará ônus com os quais ele terá de lidar.

    • AfonsoRJ

      Nunca vi tanta besteira junta num comentário. Conseguiu bater o record.

      Como dizia Jack, o Estripador: Vamos por partes.
      O primeiro argumento, que jogadoras privilegiadas fisicamente também deveriam ser impedidas de jogar, é de um primarismo que nem vale à pena responder. Apenas lembro que todas elas são MULHERES.

      O segundo, que já houve enganos na medicina, como técnicas de lobotomia ou influências racistas também não se sustenta.Citar erros passados para desacreditar posturas científicas modernas com muito mais embasamernto nos fatos é absolutamente irrelevante. Senão, vejamos: Poderíamos citar os mesmos erros para desacreditar os especialistas que são a favor da inclusão de trans nos esportes femininos. Como diriam os americanos: ” This door swings booth ways”.

      O terceiro, que “médicos machistas consideram a mulher como um ser inferior” além de ridícula chega a ser ofensiva. Primeiro que o erro de “considerar mulher um ser inferior” não seria apanágio de médicos. Dirigentes, técnicos, advogados e vendedores de cachorro quente também poderiam incorrer no mesmo absurdo. Mas, quanto à força física, é indubitável que os homens são superiores. Assim como as mulheres são superiores em vários outros aspectos. Serem mais fracas fisicamente está longe de significar que são inferiores.

      Todas as mulheres são diferentes. Puxa, que descoberta sensacional. Acho que nunca ninguém tinha percebido antes. Boscovic diferente de Monique (que não é tão diferente assim da Michele) é uma percepção digna de mestre. Só tem um detalhe. São diferentes entre si, mas todas tem em comum o fato de serem MULHERES.

      Finalmente, é óbvio que não é só a força física que conta para se obter um bom resultado. Tanto é que na lenda citada, Davi realmente venceu Golias. Mas que a força física também conta é incontestável. E uma pessoa que teve todo o seu desenvolvimento físico como um homem, levaria uma vantagem injustificável em relação às demais jogadoras.

  • ismael martins

    Deixa a atleta jogar gente, pelo amor de Deus. Isso ja é implicancia. A atleta se cuidou, se preparou, fez todo o procedimento adequado . Qual o problema ? Eu nao vejo vantagem em nada. So vejo e preconceito mesmo. Pessoal idiota !

  • L. Mesquita

    Preconceito: prefixo “pré”(antes,à frente)+conceito=ideia,opinião ou juízo que se faz de alguém ou de alguma coisa antecipadamente e sem fundamento em dados objetivos.
    Então para não ser preconceituoso,vamos conceituar os termos,para que não haja dúvidas sobre os conceitos para evitar o preconceito.
    Eu,antes de saber os conceitos,achava que TRAVESTI era homem que vestia de mulher para fazer programa.Hoje eu sei que a Tifany é uma MULHER TRANS e não uma TRAVESTI.
    MULHER CIS:pessoa que nasceu e foi registrada mulher e se reivindica mulher.
    MULHER TRANS:pessoa que nasceu e foi registrada homem porém se reconhece mulher.Não tem nada a ver com cirurgias e roupas.Ninguém vira mulher trans quando retira o pênis,pois cirurgia não muda identidade das pessoas.A identidade de gênero não está instalada no órgão genital.O gênero diz respeito a uma certeza advinda de processos mentais e não genitais.Inclusive,no Brasil,para se submeter a uma cirurgia de mudança de genital,é preciso antes passar por rigoroso processo multidisciplinar por no mínimo 2 anos.Quem não for MULHER TRANS não tem direito à cirurgia.Mas nem todas as MULHERES TRANS fazem cirurgia como o próprio COI atestou em seu documento.
    SEXISMO:preconceito de sexo,a crença de que um sexo é intrinsecamente superior a outro.Atitudes sexistas vem sempre disfarçadas como uma preocupação em proteger as mulheres,mas na verdade está intrínseco nessa “falsa preocupação” o conceito de que o sexo feminino é fraco,frágil,incapaz e necessita sempre da proteção do sexo considerado superior que seria o masculino.Em seu livro “The Second Sexism:Discrimination Against Men and Boys, David Benatar afirma que “A suposição prevalecente é de que,quando a conscrição for necessária,somente os homens devem ser recrutados e,da mesma forma,que apenas os homens sejam forçados a combater.”Isso”,acredita ele,”é uma suposição sexista “.A Noruega foi o primeiro país da OTAN a introduzir o serviço militar obrigatório para as mulheres como um ato de igualdade de gênero.Em Israel tanto homens como mulheres devem prestar o serviço militar obrigatório aos 18 anos de idade,e servem por um período inicial de dois anos.Pois os israelenses não consideram as mulheres inferiores aos homens para defender a nação.Já as sociedades islâmicas(muçulmanas) são os casos mais extremos de sexismo,com a desculpa que o homem tem que proteger a fragilidade da mulher,tratam o sexo feminino como verdadeiro escravo do sexo masculino.As muçulmanas são tratadas como propriedade,vendidas em casamento,em tráfico,em escravidão sexual.
    Já que foi alegado que falo,mas não explico,é baseado nessas coisas que comento a participação da Tifany na Superliga feminina.E que justifico que,Às vezes,com intuito de querer “proteger” as mulheres,na verdade as consideram inferiores e incapazes de buscar meios para encontrar soluções para evoluírem perante novos obstáculos.Ora,se queremos enfrentar seleções altas e fortes como SÉRVIA,REP.DOMININCANA,RÚSSIA,HOLANDA etc…,nada melhor que ter uma Tifany de 1,94m na Superliga para melhora o nível de competição de nossas jogadoras.

  • Ubirajara Da Camara Oliveira

    não existem 3 ou 4 generos sexuais ..ou vc e homem ou mulher ..foda se se fez operação e cortou o bilau , isso não vai mudar seu sexo e se a mulher colocou protese querendo se dizer homem, tambem não justifica …ou e home ou mulher o restante e invenção da midia e palhaçada…foda se tyfanni ..vc e homem e ponto final.

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