Coluna: Ter ou não estrangeiros na Seleção?



Coluna Saque publicada neste domingo, 15 de novembro, no LANCE!.

Caros leitores, vocês já têm a resposta para a pergunta que fiz no título da coluna? Ainda não? Então deixe eu facilitar o seu raciocínio, mudando a questão. Você gostaria de ver o cubano Leal na Seleção de vôlei?

Tenho absoluta certeza de que consegui fazer o SIM superar o NÃO na apuração dos resultados. Sei que responder SIM na primeira pergunta é bem mais difícil para muita gente. Por ser genérica, envolve um patriotismo que muitas vezes fica escondido em algum canto escuro do ser humano. Ele prefere xingar o adversário enquanto o Hino Nacional é tocado, reclama do país de origem e vê sempre o vizinho melhor… Mas vai sugerir para ele aceitar um argentino vestindo a Amarelinha na Seleção de futebol… O patriotismo aflora!

Leal é o grande destaque do campeão mundial Sada (Divulgação)

Leal é o grande destaque do campeão mundial Sada (Divulgação)

Porém, ao dar nome ao gringo que está prestes a ganhar a cidadania brasileira e assim poder fazer a diferença para a “pátria amada Brasil”, as barreiras que serviam como desculpa caem. E fica bem mais fácil trocar o NÃO pelo SIM. Também escondido em algum lugar escuro de cada ser humano existe uma posição ainda mais cruel. O estrangeiro vira brasileiro com títulos. Mas, se perder, volta a ser aquele “maldito gringo”. Imagino como deve ser doloroso estar nesta posição. Cresci vendo o Fernando Meligeni jogar e ouvindo piadinhas ao vê-lo perder um jogo. Era o argentino em quadra. Mas, ao estar perto de disputar a final de Roland Garros ou a decisão do ouro olímpico, o hermano era o mais brasileiro dos brasileiros.

E tal pensamento cruel ajuda a entender a aprovação quase unânime para que Leal tenha a cidadania, vire brasileiro e possa defender a Seleção. O time de Bernardinho convive com entressafra/problema na posição do cubano. E ele poderia fazer muita diferença hoje. Mas será que você diria SIM se a pergunta fosse feita anos atrás, com Nalbert, Giovane, Giba, Murilo, entre outros, jogando em altíssimo nível?



  • AfonsoRJ

    Se a gente dá uma volta no Metropolitan Museum of Arts de Nova York, a gente vê em exposição um monte de obras de arte com um rótulo ao lado: “Artista: Fulano de Tal – Americano, nascido no México”, anda mais um pouquinho e outra: “Artista: Beltrano de Tal. Americano nascido na Romênia”. Mais um pouco: “Sicrano. Americano nascido na….
    Meu filho foi fazer doutorado na Universidade da Califórnia, e o preceptor dele era Russo (se dão até hoje). Fora o monte de asiáticos, latino americanos etc… que inundam as universidades americanas. Lembram do Von Braun, Lippish, Sikorsky, Einstein, entre outros?

    Resumo da ópera: Se for pra somar, que venham os estrangeiros, seja de que área for. Um dos fatores dos Estados Unidos serem o que são foi por saberem atrair os verdadeiros valores não importando a origem. Seria xenofobia preconceituosa, para não dizer burrice, não fazermos o mesmo. Não só nos esportes mas em qualquer outra área.

    • Josenei Silva

      Afonso, permita-me discordar de um ponto. Eu concordo com tudo o que disse, e disse muito bem, por sinal. Mas no âmbito do esporte, não. Vejo um atleta ou um time como uma representação. No caso do vôlei, quando a seleção dos melhores jogadores brasileiros entram em quadra, eles estão fazendo uma representação do povo e da escola do país. Se você coloca um estrangeiro, descaracteriza o grupo e para mim, isso não tem sentido. A escola brasileira é rápida, técnica, estratégica. A cubana é de força, a asiática de velocidade, a russa, da altura. O bom é ver um estilo ganhar dor outro. Quando o estrangeiro entra o que está em foco é só o resultado e acontece o que rola nos clubes de futebol, onde o dinheiro manda e monta times de estrelas, mas que não representam nada além do poder do capital. Não representam o bairro, as cidades, os países. Não tem graça assim.
      Seria bom ver o Brasil ganhar sem o Leal e ao meu ver poderia ter feito isso nas últimas finais que perdeu. Sempre foi algum detalhe. Não falta só um ponteiro de força, falta uma estratégia melhor, um levantamento diferente às vezes, um saque melhor feito (os brasileiros têm errado muito saque em momentos que não podem). E pra mim falta mais responsabilidade desses jogadores; acho-os descomprometidos demais se comparados com gerações passadas.

      • AfonsoRJ

        Respeito sua opinião, e agradeço por tê-la manifestado. Aliás acho até muito saudável que haja opiniões diversas. Como já dizia um grande filósofo tricolor doente: “Toda a unanimidade é burra”. Mas, é só na hora da apresentação dizer que o atleta é BRASILEIRO (nascido
        alhures). Porque deveríamos nos furtar de tirarmos proveito de uma
        situação perfeitamente permitida pelas regras além de reconhecida e praticada internacionalmente?

  • Billy

    é válido.

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