Coluna: Sinal de alerta com a base



O vôlei brasileiro precisa, urgentemente, olhar para as categorias de base com carinho, fazer uma profunda autocrítica, pesquisar bons exemplos pelo mundo e encontrar novos caminhos.

As performances recentes nos Campeonatos Mundiais infanto e juvenil (nono lugar no masculino sub-19, sexto no sub-20 feminino e terceiro no masculino sub-21) são apenas a ponta do iceberg. Existe algo bem maior “abaixo” da visão geral.

O Brasil atualmente não revela atletas na quantidade e na qualidade do passado. O número de grandes peneiras país afora diminuiu, muitos participantes da Superliga não possuem categorias de base e jovens encontram uma tremenda dificuldade no momento de transição para o adulto.

Para piorar, a Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) enfrenta dificuldades financeiras ano após ano, tendo de sacrificar investimentos em vários setores. Um deles é a base, com a diminuição do intercâmbio internacional das seleções infanto e juvenil, por exemplo.

Seleção masculina sub-19 foi apenas nona colocada no Mundial (FIVB Divulgação)

Junte tudo isso e tenha um cenário preocupante no presente e muito incerto para o futuro do vôlei nacional.

O momento de escassez das categorias de base já reflete nas Seleções adultas. Vemos o retorno de bicampeãs olímpicas até então aposentadas, dificuldade na transição em algumas posições, pedidos de dispensa para descanso por esgotamento (em alguns casos), além de um outro problema sério: o geracional.

Parte das novas safras vê a Seleção com um “fardo”. Ser convocado significa perder as férias, as viagens em família, as baladas com os parças. Para este grupo, qualquer viagem para a Ásia deveria acontecer na primeira classe – e com wi-fi liberado para as redes sociais. Convocação antes eram um prêmio, um sonho realizado. Para muitos, hoje, virou uma obrigação.

Não é uma questão com fácil resolução por envolver todas as camadas do vôlei: CBV, clubes, patrocinadores e atletas. E em um momento de instabilidade econômica.

Mas não dá mais para negá-lo. Para começar a mudar, todos devem aceitar o momento de crise, admitir erros e buscar alternativas. Ou a conta sairá bem mais cara nos próximos ciclos olímpicos.



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