Coluna Saque motiva ótima reação da CBV



Ontem, dia 11 de outubro, minha coluna Saque, publicada no LANCE!, abordou mais uma vez o tema racismo, após o caso de Fernanda Ísis em jogo válido pelo Campeonato Paulista. Infelizmente algo corriqueiro no vôlei nacional nas últimas temporadas. Felizmente, porém, houve uma importação reação de indignação.

Recebi um telefonema de Ricardo Trade, CEO da CBV, que havia lido o texto. E ele prometeu tomar medidas para punir novos atos racistas em competições nacionais.

Baka, como é conhecido, disse que vai conversar com os clubes para tentar incluir no regulamento já divulgado da próxima Superliga, que começará em novembro, alguma medida de punição contra o racismo.

Repito aqui o que disse a ele:

– O esporte é um instrumento transformador da sociedade e acredito que sua decisão é importante diante de um assunto tão grave. Não dá mais para achar que isso é normal.

Abaixo segue a íntegra da coluna publicada ontem.

Virou moda ser racista no vôlei brasileiro

Em fevereiro, fiz uma previsão errada ao escrever neste espaço. E peço desculpas aos leitores. “Coluna Saque publicada neste domingo, 1 de fevereiro de 2015, no LANCE!. Mas pode virar texto default e sair anualmente, mudando apenas os personagens”.

Não foi preciso esperar um ano para eu voltar a escrever sobre racismo no vôlei brasileiro. Foram apenas oito meses entre aquela publicação e esta sobre o maldito tema. Infelizmente errei e assim a lista aumenta.

Fabiana, capitã da Seleção, também já foi vítima de racismo (Divulgação)

Fabiana, capitã da Seleção, também já foi vítima de racismo (Divulgação)

Lembram-se dos casos Michael, Ramirez, Wallace e Fabiana? Incluam agora o de Fernanda Ísis. Para quem não sabe, a última atleta nesta fatídica lista foi incluída após denúncia do Concilig/Bauru contra a Uniara/Afav, em jogo válido pelas quartas de final do Campeonato Paulista feminino, em Araraquara, na quarta-feira. Segundo a nota oficial do time de Bauru, Fernanda Ísis foi chamada por torcedores adversários de “bunda de macaco”.

– O racismo é uma atitude que deve ser extinta do mundo – disse

Fernanda, com total razão. Vou ser obrigado a repetir um outro parágrafo daquele texto de fevereiro, quando abordei os casos de racismo. “Todos eles durante a Superliga nas últimas temporadas. E quantos foram punidos? Que medidas para reprimir tais atos foram tomadas a partir do 1º, do 2º ou do 3º casos? Haverá alguma medida após o quarto péssimo exemplo? Ou vamos aceitar a tese de que o problema é cultural e o esporte não pode fazer nada para ajudar?”.

Temos agora um quinto péssimo exemplo no vôlei brasileiro. E ele, provavelmente, vai apenas se somar aos demais e não terá uma medida de punição tomada pelas entidades competentes. E assim o sentimento de impunidade que toma conta de todos os setores deste país se fará mais presente. Aqui tudo pode pelo jeito.



  • Erverton

    Ótimo texto, com observações pontuais sobre um problema que atinge todas as esferas do país (seja no esporte, na cultura, ou qualquer outro meio de expressão social). Penso que o racismo está condicionado ao caráter do ser humano, ou seja, nunca será erradicado. Contudo, tal afirmação não pode ser sustentada como resposta definitiva; o racismo deve sim ser combatido, dentro e fora do esporte. É dever de todos observar de perto tais atos que realçam o que há de pior nas pessoas e inibir, tanto no esporte como na sociedade, qualquer conduta que desmoralize o próximo, seja por sua cor, credo, origem, orientação sexual e afins. Só assim construiremos uma sociedade mais justa e igualitária para todos.

    • AfonsoRJ

      Não quis entrar nesse mérito no meu comentário anterior, mas concordo plenamente que o racismo está profundamente arraigado no ser humano (em maior ou menor grau em cada indivíduo), e faz parte de mecanismos de defesa profundamente implantados em nosso “cérebro reptiliano”. É o medo instintivo do “diferente” e do “desconhecido”. Por isso mesmo o racismo, entre outros tipos de preconceito, precisa ser permanentemente combatido na sociedade, e inclusive, dentro de cada umde nós.

  • AfonsoRJ

    Antes de mais nada: abomino racismo. Mas…
    Acho sim que se pode e deve pensar em medidas punitivas, mas de forma individual, ou seja: que sejam punidos aqueles nos ginásios que estejam praticando ou incentivando atos de racismo. Sou contra medidas aplicadas de forma generalizada contra o clube mandante, ou contra o clube cuja torcida tenha sido identificada praticado os atos. Não sou advogado, mas acho que o direito civilizado jamais generaliza punições por atos praticados por indivíduos. Se parte da torcida realmente cometesse atos de racismo, justificaria punir também os demais que torcem civilizadamente, ou as atletas e patrocinadores?
    Acho sim, que o racismo deve ser severamente combatido, mas principalmente através de campanhas educadoras, e até mesmo por punições individuais. Mas sou radicalmente contra medidas generalizadas, como perda de pontos, multas aos clubes, perda de mando de campo, cancelamento de transmissões, jogos com portões fechados ou outras coisas desse tipo.

  • rafael schmidt

    Tem que punir, mas não concordo em “matar uma barata com uma bazuca”. Lesar gente de bem, clube, atleta e torcedor de bem por causa da atitude de um ou uns panacas. Até porque o adversário pode mandar um infiltrado na torcida do outro time xingar um atleta pra prejudicar a equipe. Perda de pontos é um absurdo! Tem que prender o ofensor!! Vc gostaria de ser punido por alguém da sua família ter feito besteira????

  • Cecília Bueno Tonon

    Instalação de muitas câmeras nos ginásios para identificar os preconceituosos e puni-los dentro da lei e bani-los dos jogos!

  • Raffy

    Culpa das leis brasileiras cheias de brechas para que esses preconceituosos (quase sempre identificados) não sejam punidos da forma correta. Ótima iniciativa mas como dito pelos colegas abaixo, espero que os clubes e torcedores de bem não paguem o pato por isso.

  • Flávio LISBOA

    preconceito não é só burrice é estupidez,canalhismo,ignorância juntando idiotice é necessário que se crie uma forma de punição para pessoas que usam desse recurso para ferir pessoas, isto é muito pior do que possam imaginar o estrago que isto causa em uma vítima de preconceito.FLÁVIO

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