Coluna: Quando esporte e política se misturam



Juntar as palavras esporte e política na mesma frase é quase uma garantia de polêmica. Ainda mais no atual clima eleitoral acirrado e extremista vivido no Brasil.

A Seleção Brasileira masculina de vôlei, porém, forçou-me a pisar em um campo minado.

Após a importante e difícil vitória da Seleção sobre a França, na quinta-feira, todos os jogadores do elenco posaram para a tradicional foto de comemoração. O oposto Wallace e o central Maurício Souza usaram as mãos para fazer o número 17, um suposto apoio ao candidato Jair Bolsonaro, líder das pesquisas na corrida presidencial. A imagem acabou compartilhada pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) nas redes sociais e publicada no site oficial da Federação Internacional (FIVB).

Dedos levantados ao fundo formam o número 17. E dão início à polêmica (FIVB Divulgação)

Foi o suficiente para embates acalorados entre apoiadores e contrários ao político. Como já é praxe, discussões assim nas redes sociais descambam para baixarias e xingamentos. Sejam as argumentações humanas ou reproduzidas por robôs.

Não cabe a mim julgar em quem Wallace e Maurício Souza votarão para presidente. Mesmo não concordando com a opção deles, levanto a discussão sobre a forma com que o posicionamento público foi feito pela dupla, além do timing. E nestes pontos acho que os jogadores erraram.

Fazer campanha política para A ou B, durante um Mundial, ostentando a camisa da Seleção, ao lado dos demais companheiros de time, muitos certamente com posições políticas diferentes, não me parece a estratégia mais adequada. Poderiam ter gravado vídeos, postado fotos e mensagens nas próprias redes sociais, com as argumentações para a defesa do posicionamento. Simples, como tantos outros, incluindo até companheiros de Seleção, como o levantador William, apoiador do candidato João Amoêdo, já fazem.

A CBV, em resposta ao questionamento do Blog Saída de Rede, disse “não compactuar com manifestações políticas” e prometeu providências para evitar a repetição de outras manifestações coletivas.

Isso posto, quero deixar claro, já sabendo que muita gente me xingará antes de chegar ao fim do texto, que discordo da tese de que política e esporte não devem se misturar. Só é preciso discernimento para fazer no tempo, local e ambientes certos.

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