Coluna: Quais lições tirar do Pan-Americano?



Pessoal, bom dia. Segue a coluna Saque, publicada no LANCE! nesta segunda-feira, excepcionalmente.

O vôlei brasileiro fechou o Pan de Toronto sem subir ao lugar mais alto do pódio. Duas pratas na quadra, além de outra prata e um bronze na praia. Menos do que sempre se espera de duas modalidades que estão habituadas com títulos. Algum motivo para desespero?

É preciso sempre colocar o Pan-Americano no seu devido lugar antes de usá-lo como parâmetro. No vôlei, a competição coincidiu simplesmente com a Liga Mundial e o Grand Prix, as duas principais competições anuais. Assim, poucos países levaram força máxima, dando aquela esvaziada no nível técnico. No vôlei de praia, participar do Pan significou perder duas importantes etapas do Circuito Mundial, que contam pontos para a corrida olímpica. Ou seja: nível também lá no chão.

Neste cenário de esvaziamento, a medalha de prata da Seleção masculina acabou sendo até esperada. A Argentina estava com sua força máxima. E olha que o Brasil, com seu time B (não dá para chamar de seleção de jovens), teve 2 sets a 1 e 12 a 6 de frente na decisão deste domingo. Mas tomou a virada. Dá para imaginar alguns jogadores na Olimpíada? Difícil. Renan, com seus 2,17m, teve alguns bons momentos. Mas tem concorrência de Wallace, Evandro e Vissotto atualmente. Maurício Borges, quem mais frequentou a Seleção principal nos últimos anos, também precisa jogar bem mais. Thiago Brendle, líbero, está em boa fase, mas tem pouquíssima experiência internacional em alto nível. O ponta Douglas, mais novo de todos eles, poderia ser uma aposta de Bernardinho para uma função carente atualmente.

No feminino, um time mesclado, com jogadoras que serão até titulares na Rio-2016, como Jaqueline, Fernanda Garay e Camila Brait. Com esse trio de peso, a prata deu um gostinho amargo diante do time B dos Estados Unidos. Entre as experiências feitas por José Roberto Guimarães, a levantadora Macris conquistou alguns pontos importantes para ser a reserva de Dani Lins. Adenízia, em busca do espaço perdido nesta temporada, está numa briga acirrada com Juciely e Carol, destaques no Grand Prix. Para elas o Pan foi importantíssimo.

Já na praia o nível foi ainda mais baixo do que na quadra. A dupla Álvaro Filho/Vitor Felipe, medalhista de prata, é uma aposta para os Jogos de 2020, 2024. Já Lili/Carol Horta, terceiras colocadas, não estão ainda no nível das cinco melhores parcerias do país. Mas estar no pódio era uma obrigação.



  • MVP do blog

    Sou mais o Douglas que o Lipe, Murilo e o Lóh juntos.
    Lições a tirar: coloquem um técnico que faça renovação a partir do ano pós-olimpiadas.

  • Jorge

    Brasil já havia levado uma surra da seleção B Argentina nos amistosos no Nordeste, até parece que seria páreo para a seleção A.

    • Rodrigo

      Mas foi ué. Venceram bem na primeira fase (e não venha me dizer que entregaram o jogo) e precisaram de 5 sets pra bater o Brasil. Se isso não é ser páreo…

  • jose herbert de araujo

    Concordo contigo. Infelizmente não dar para aproveitar muitos jogadores dessa seleção do pan. O Renan pela altura tem que ter mais confiança e jogar mais para encarar uma concorrência forte com Wallace, Evandro e Visotoco. De resto acho que o líbero é bom, ousado, corajoso, se atira mesmo nas bolas, poderia ser mais lapidado em competiçoes internacionais. E só. Os outros são muito irregulares. Os Maurícios, pufff, deveriam jogar melhor, mas é somente o café com leite de sempre. Para encarar o nível mundial atualmente que está altíssimo estamos a perigo.

  • Guilherme

    Possível time masculino pós 2016
    Levantadores (Murilo Radke e Thiaguinho)
    Centrais (Isac, Otávio, Flavio Gualberto, Matheus Cunha)
    Ponteiros (Lucas Lóh, Lucarelli, Canuto e Douglas)
    Opostos (Renan e Rafael Araújo)
    Liberos (Kachel e Felipe)

    • Klaus

      Guilherme eu aposto no Luan Weber na posição de oposto .Ele só não foi chamado devido aquela lesão séria que sofreu e ainda não voltou à forma.Tem um oposto que foi chamado na seleção sub-23, o Vagner, que é muito bom também.Olho nele.Quanto aos centrais, Lucão ainda tem muito anos na seleção assim como o Bruno.

      • Luciano

        Também acredito que o Luan Weber pode sim ser aproveitado justamente agora que será titular em Maringá. E o oposto Wagner que vai jogar em Montes Claros e é canhoto eu vi jogar na Super Liga B pelo Santo André, fiquei impressionado com o jogador, e ele tem só 22 anos. Olho nele.

    • Kleber Alves

      Ainda vão seguir Wallace, Bruninho,Lipe (talvez), Lucão….

  • Carol Machado

    BEM ANTES DE QUALQUER SEMIFINAL DO VOLEI NOS JOGOS PANAMERICANOS DE 2015 TORONTO, EU FALEI (NO TÓPICO SOBRE OS MELHORES DA LIGA)
    TEVE GENTE QUE NÃO GOSTOU E AINDA CRITICOU, OLHA AÍ O RESULTADO:

    “E o volei nos Jogos Panamericanos 2015. Brasil não está sendo muito bem representado.

    Que dupla fraca essa feminina do Brasil (Lili e Carol). Essa tal de de Carol ainda precisa comer muito feijão com arroz.

    Como pode uma dupla que deixou Taiana e Fernanda Berti de fora, neste ano, de 2 torneios do circuito mundial, vencendo no country cota, jogar dessa maneira contra a dupla do Uruguai (fraquíssima, sem ataque, sem bloqueio, só nos pinguinhos).

    Das 4 medalhas que o Brasil disputa, só temos chances em 1 medalha de ouro.
    – volei de praia masculino – pode ser Ouro (mas com os Mexicanos correndo por fora)
    – volei de praia feminino – depois desse jogo contra o Urugaui, sem nenhuma chance – Ouro (para a dupla do Canadá)
    – volei de quadra masculino – Brasil sem chance (Argentina deve levar o ouro)
    – volei de quadra feminino – Brasil pode chegar à final (mas EUA estão com um time melhor e devem levar o ouro)”

  • Paulo Ribeiro

    Acho que tanto na SFV como na SMV o planejamento foi feito de maneira errada.
    No masculino acho que um ponto forte foi levar uma base pra Toronto que pode ser trabalhada para 2020 e deixar os que tem possibilidade de jogar em 2016 nas finais da Liga. Entretanto a filosofia de jogo precisa ser mudada. Temos centrais que não bloqueiam, ponteiro que não ataca e oposto que não é bola de segurança. Além disso temos um time que joga em função do levantador, quando o contrário é que deveria acontecer. Mas enquanto o supremo chefe estiver no comando essa filosofia vai imperar.
    No feminino acho que foi um erro dividir o time dessa maneira. Era pra ter mandado pro Pan jogadoras com vista em 2020 e pro Grand Prix jogadoras para 2016. Acho que a Jaque poderia ter ganhado o descanso junto com Sheila, Fabiana e Thaísa. A entrada dela, mesmo machucada na final e colaborando com outro ritmo pro jogo mostrou o abismo que há entre as nossas titulares e aquelas que são consideradas reservas. Macris pode ter um bom futuro, mas não vejo condições para ser usada em 2016. A mesma filosofia do masculino se aplica no feminino: o time joga em função da levantadora. O jogo da seleção é muito dependente das centrais e quando o passe quebra fica difícil usar esse ponto a nosso favor e Dani já deu mostras que não sabe lidar com essa dificuldade inúmeras vezes.
    Na praia nossas melhores duplas estão no circuito mundial se degladiando por duas vagas. Uma escolhida de maneira correta, respeitando os resultados da quadra. A outra escolhida pela CBV. Que critérios serão usados??? No feminino apostava que nossas duplas no Rio seriam Juliana/Maria Elisa e Larissa/Talita, mas Ágata/Bárbara vem surpreendendo este ano e tem grandes chances de conquistarem a vaga do ranking. E aí CBV, vai levar quem? Quais serão os critérios?

  • Edu

    Caro Daniel, respeito muito seu ponto de vista mas tenho algumas discordâncias naturais com sua linha de raciocionio que já foi exposta numa postagem prévia.Sem querer ser redundante e já sendo : Renan foi uma das melhores opções surgidas no Pan e pelo que mostrou luta de igual para igual com um desgastado fisicamente Wallace , um Evandro ainda procurando adquirir seu espaço e um inconsistente Vissoto.Os EUA tiveram praticamente as mesmas condições que o selecionado brasileiro- pouco treinamento e um grupo secundário – levando apenas quatro jogadoras do grupo dito principal.O que se agrava e a consistência apresentada por esse dito grupo secundário estadunidense mais forte e alto fisicamente com jogadoras que tem bastante domínio do fundamento ataque, bloqueio, saque e recepção.Jaqueline deveria ter sido cortada da delegação por mais boa vontade que se tenha.Ela não apresentava nenhuma condição fisica ideal e a levaram naquela intenção de compensar sua retirada acidental da Pan passado.Macris mostrou ser uma jovem levantadora de bom potencial mas com visíveis deficiências na maior distancia cujas bolas não são suficientemente altas e não bloqueia pelo menos para criar alguma dificuldade contra equipes maiores na estatura.Sim, ela não tinha entrosamento ideal com suas novas companheiras.E porque não classificar como praticamente sobrenatural e com predomínio técnico de talento maior de uma Fabíola ao conduzir ,com um treinamento apenas e completa barreira de idioma, sua equipe a vitória contra o então campeão mundial, europeu e russo em sua primeira partida naquele hemisfério com todas as titulares do time adversário na quadra .Macris pode ate se mostrar futuramente notável,hoje, no entanto, menos de 11 meses para a Olimpíada dificilmente, na solução natural, conseguirá evoluir jogando o campeonato brasiliense num time cujos maiores destaques individuais serão a Barbara( que não foi nada bem Pan e no cenário nosso doméstico crava bola a torto e a direito,Amanda e ela) e talvez na próxima Superliga mais fraca dos últimos dez anos.Preocupa mais um selecionado brasileiro próximo de ser iminentemente surrado por um Porto Rico.Foi um alerta, longe de um sinal de pânico, e a demonstração que o material humano, no feminino , não e das melhores gerações.E preciso serenidade e arregaçar as mangas, trabalhando melhor.Garay e Adenizia passaram no teste é que talvez seja preciso pagar o preço da falta de vontade de uma renovação mais prévia e não recorrer ao acaso de uma equipe inferior vencer uma batalha circunstancial contra a mais forte.O que dificilmente ocorre duas vezes na sequencia.

  • henrique

    time b não mas sim time C. time b e o reserva do A que no caso não tinha nenhum jogador no pan. brasil se tivesse colocado qualquer time da super liga para representar o pan eu disse qualquer um teria ganhado o ouro facilmente.

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