Coluna: A primeira vez de Leal



“Foi uma mistura de felicidade, ansiedade, nervosismo, vontade de vencer e a certeza que eu amo o que eu faço!”

A definição é do próprio Leal para a estreia com a camisa da Seleção Brasileira, neste sábado, na vitória por 3 a 2 sobre a Austrália, pela primeira etapa da Liga das Nações.

Não foi uma atuação de encher os olhos, temos todos de admitir. Os quesitos ansiedade e nervosismo, citados pelo ponta, pesaram assim que a bola subiu em Katowice (POL). Compreensível para quem esperou quatro anos para poder cumprir o objetivo.

Ficou nítido no início do jogo a falta de naturalidade nos movimentos de Leal, tanto que os dois primeiros pontos foram sair com o placar apontando 10 a 11. Aquele desejo de mostrar serviço de imediato parecia ser um adversário a mais antes de Leal pontuar no ataque e logo na sequência no saque.

Aos poucos, ele parecia mais à vontade com os companheiros. Dos titulares, Leal já havia atuado apenas ao lado do levantador Cachopa e do oposto Wallace. Com o grupo da Seleção, os treinos começaram na terça-feira, pouco para quem necessita de uma sintonia final. Em alguns lances as bolas levantadas por Cachopa não chegaram na pinta. Em outros, o ataque até saiu caprichado, mas a defesa australiana, um dos destaques do duelo, impediu o ponto de Leal.

Marcelo Fronckowiak, substituto de Renan Dal Zotto nestes primeiros jogos da Liga das Nações, só tirou Leal de quadra no fim do quarto set. Foi em um dos momentos de instabilidade dele no passe. Ter mais estabilidade no fundamento é algo que o ponta precisará para ganhar mais espaço no elenco. O Brasil é uma seleção muito dependente de uma recepção regular, já que não é das mais altas do planeta.

Comemoração do time brasileiro, com Leal, diante da Austrália (FIVB Divulgação)

Taticamente a presença dele já deu mostras de uma equilíbrio maior na distribuição. Wallace, o desafogo de sempre, passa a ter um parceiro a altura para as bolas decisivas. Em um momento já na reta final do confronto, o oposto e o ponta tinham recebido o mesmo número de bolas. No fim, Wallace atacou 34 vezes, seis a mais do que Leal. O campeão olímpico marcou 20 pontos, enquanto Leal fez 14. Certeza de que os bloqueios adversários terão mais trabalho para “ler” o novo Brasil.

Agora sem o peso da estreia, a tendência é ver um Leal mais seguro, mais solto e bem mais decisivo daqui para a frente. E, como o próprio disse, com muita vontade de vencer.

COLUNA PUBLICADA NO LANCE EM 2 DE JUNHO

 



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