Coluna: Paciência, o reforço para as Seleções



O ciclo olímpico para Tóquio-2020 começou na última semana para as Seleções Brasileira masculina e feminina de vôlei. E, em ambos os casos, o maior reforço para Renan Dal Zotto e José Roberto Guimarães não é um atleta renomado. Mas sim a velha e boa paciência.

Para os dois técnicos essa palavrinha mágica tem tudo para fazer a diferença no primeiro dos quatro anos até a próxima edição da Olimpíada

O torcedor brasileiro ficou muito mal acostumado com tantos títulos conquistados nos últimos anos. Costuma exigir grandes atuações e vitórias até em jogos-treino. No feminino, perder um set em cada amistoso contra a República Dominicana, na última semana, serviu para que várias atletas ganhassem rótulos: A pode jogar pela Seleção; B não. C nunca deveria ser convocada.

A primeira impressão, no caso do esporte, nem sempre é a que fica. Existe um abismo entre jogar a nossa Superliga e uma competição internacional. É preciso, então, tempo para testes. E, neste caso, paciência do técnico, da própria atleta, da mídia especializada e também da torcida é essencial. Sem ela é impossível fazer renovação.

Ao ler comentários nas redes sociais e no meu blog nos últimos dias percebi que para muita gente renovar quer dizer: esquece tudo que vinha sendo feito em 2016 e inicie 2017 com tudo diferente. Não é assim, gente! Renan não pode rasgar todo o legado de Bernardinho, fazendo com que os campeões olímpicos em agosto-16 sejam cartas fora do baralho em junho-17. É fato que alguns atletas têm idade elevada e talvez não cheguem em alto nível em 2020. Mas muitos ainda têm muito a contribuir, principalmente numa possível passagem de bastão para os mais jovens. Perder no tie-break para a Polônia, atual campeã mundial, e vencer o bom Irã, com dificuldades, não permite que qualquer rótulo seja colado na testa do novo treinador da Seleção neste início de Liga Mundial.

Muita calma nessa hora, já dizia o poeta. Não tenho dúvida de que o trabalho de Renan e Zé Roberto será árduo neste ciclo. Nossas categorias de base não produzem tantos craques como antes, atletas aposentados farão falta e qualquer resultado que não seja o título será contestado. Mas é preciso dar tempo ao tempo.



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