Coluna: O nó na cabeça de Leal



Leal liberado para defender a Seleção Brasileira em março de 2018. Erro da FIVB e liberação confirmada apenas para abril de 2019.

Em 24 horas as duas manchetes acima sacudiram o vôlei brasileiro durante a semana. Os fãs do ponta nascido em Cuba e naturalizado brasileiro foram da euforia para as teorias conspiratórias. Já quem não vê com bons olhos a possibilidade de um estrangeiro vestir a Amarelinha se sentiram aliviados, após muita reclamação no início. Era esperada esse montanha-russa de emoções entre fãs e haters (termo da moda nas mídias sociais) nas caixas de comentários. Tão óbvia quanto o nó na cabeça do jogador após esse lamentável episódio.

Ficou claro o abatimento em Leal na transmissão do SporTV de EMS/Taubaté x Sada/Cruzeiro. O sorriso demorou para aparecer no início. Havia um incômodo no semblante do ponta. Não ter aceitado dar entrevista após a derrota cruzeirense apenas reforçou a impressão passada à distância. Em situações assim tento me colocar no lugar do atingido antes de opinar. Imagino o momento da ligação do técnico da Seleção para o meu celular. O aviso da liberação, as palavras de apoio, a promessa de me incluir nos planos para a disputa de um Campeonato Mundial. Na sequência, pegar o mesmo telefone e avisar família, amigos… Momento de compartilhar uma grande notícia é sempre especial. Você dorme feliz da vida e acorda com a notícia de que tudo aquilo não passou de um equívoco. É duro, Leal! Eu posso imaginar.

Leal em ação na semana da confusão (Rafinha Oliveira/Divulgação)

E onde está o erro que desencadeou tudo isso? Vamos voltar no tempo. No dia 3 de março de 2016, a Federação Internacional de Vôlei (FIVB) recebeu um formulário preenchido e assinado pelo jogador para a mudança da “federação de origem”. No mesmo documento, a chancela de Walter Pitombo Laranjeiras, presidente da CBV, a “nova federação de Leal”. Mas o espaço da “antiga federação”, a cubana, estava em branco. No campo da Federação Internacional, o quadradinho com a palavra aprovado tinha um X marcado. Caso Cuba tivesse aceitado a condição naquele dia o prazo de dois anos de quarentena para Leal vestir a Amarelinha estaria contando.

Mas o OK cubano aconteceu apenas no dia 30 de abril, com um e-mail enviado por Cristobal Marte, presidente da Norceca, confirmando para FIVB e CBV a aprovação de Cuba, além do recebimento do pagamento de US$ 25 mil feito pelos brasileiros para os trâmites do processo. Dias depois, em 4 de maio, em uma reunião da FIVB no Marrocos, Leal e outros 12 atletas tiveram mudança na federação de origem oficializados.

Em maio, departamentos da FIVB e CBV trocaram emails sobre o tema. A entidade brasileira questionava a internacional sobre a possibilidade de Leal disputar jogos não-oficiais, como amistosos, antes do cumprimento dos dois anos de carência. E reforçava o questionamento sobre quando esse prazo começava a contar. Lembrem-se das datas 3/3/0216 e 30/4/2017. Incluam dois anos em cada. E tenham as duas possibilidades de data de liberação. Contatos voltaram a ser feitos nos meses seguintes, até que um ofício da FIVB, no último 26 de setembro, confirmava o processo de mudança e o tornava “elegível para a seleção nacional em 3/3/2018. Após a data poderá participar de jogos amistosos e competições oficiais”. Leal soube naquele mesmo dia da situação.

Na última quarta-feira, após a repercussão da notícia sobre a liberação de Leal em março de 2018, a FIVB enviou um novo ofício para a CBV, admitindo que na troca de mensagens entre as duas entidades “não ficava claro” que o correto era abril de 2019, data do segundo aniversário da confirmação dada pela Federação cubana para a mudança. Por fim, a FIVB, através do secretário-geral Luiz Fernando Lima, pediu desculpas para a CBV, para o jogador, prometeu rever processos internos para a situação não voltar a acontecer, além de esclarecer o caso com a mídia brasileira.

 

 

 



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