Coluna: O fim do projeto Rexona



Quando a ex-levantadora Fernanda Venturini anunciou, durante uma entrevista à Veja, no início da semana, a saída da Unilever do vôlei, muitos fãs do esporte ou torcedores do time Rexona-Sesc trataram a notícia como o fim do mundo. Como assim o patrocinador mais longevo da modalidade está indo embora?

Claro que é chocante. Mas longe de ser surpreendente. O processo de “separação” não foi abrupto. Ele já vinha sendo discutido há tempos, como uma relação repleta de conquistas, que comemora 20 anos, merece.

Ao término da temporada 2015/2016, premiada com mais um título da Superliga, o 11º, a Unilever diminuiu praticamente na metade o investimento na equipe de Bernardinho, treinador, patrono e idealizador do projeto com a multinacional. Era o primeiro passo para a saída.

Unilever deixará de patrocinar time (Divulgação)

Unilever deixará de patrocinar time (Divulgação)

Não à toa, o Sesc virou não somente um co-patrocinador. Passou a dividir praticamente pela metade o investimento. E ganhou espaço no nome, algo que a Unilever não fez com outros apoiadores em anos anteriores. Também já era parte de uma transição gradual.

O braço social do Sistema Fecomércio herdará todo o projeto para a temporada 2017/2018. E pretende manter o legado de conquistas do Rexona, iniciado em 1997, em Curitiba. A entrada do Sesc no vôlei era para ter sido triunfal. O time masculino foi idealizado para brigar pela título da Superliga. Mas o regulamento atual não permite que um novo projeto salte diretamente para a elite. E assim a equipe de Giovane Gavio disputa a segunda divisão, com um orçamento mais modesto. Como deve garantir o acesso, investirá pesado a partir de maio. E a reboque fará o mesmo com a “herança” do Rexona entre as mulheres.

O maior legado que a Unilever pode deixar para os demais patrocinadores no esporte é o investimento a longo prazo. Não adianta despejar um caminhão de dinheiro em um ano de projeto, exigindo títulos, exposição maciça da marca na mídia e ainda achar que a Globo usará o nome da empresa nas transmissões. Essa visão distorcida já fez com que várias empresas saíssem do vôlei com a mesma velocidade que entraram. O mercado de marketing esportivo no Brasil está amadurecido o suficiente para pegar cases de sucesso, encontrar gente capacitada para liderá-lo e assim replicá-lo.

E, para aqueles fãs e torcedores ainda chateados com a notícia, aplaudir a agradecer será um gesto digno por todo o investimento feito pela Unilever nos últimos 20 anos.



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