Coluna: O exemplo de Marcelo Mendez



Coluna Saque publicada no dia 11 de dezembro no LANCE!.

Em um país cada vez mais acostumado a não respeitar leis, rasgar regulamentos, ignorar contratos assinados e fingir normalidade com tudo isso, é elogiável ver exemplos na contramão desta tendência.

Em novembro, o técnico argentino Marcelo Mendez, do Sada/Cruzeiro, recebeu um convite oficial da Federação da Polônia para substituir o francês Stephane Antiga no comando da seleção masculina, atual campeã mundial. Ele seria o nome para todo o ciclo olímpico até os Jogos de Tóquio, em 2020. Uma baita oportunidade, levando em consideração também a relevância do vôlei para o país europeu, uma verdadeira paixão nacional. Um baita prêmio para o hermano, vencedor de todos os campeonatos possíveis e imagináveis pelo clube mineiro. E certamente um baita retorno financeiro. As cifras, pela minha apuração, poderiam representar até três vezes os vencimentos dele atualmente no vôlei brasileiro.

Mas Marcelo Mendez disse não. Motivo: tem um contrato em vigor com o Sada/Cruzeiro, recentemente renovado até 2019 e não iria rompê-lo. Aos poloneses ele disse aceitar assumir a seleção caso pudesse dividir seu tempo entre os dois. Ficaria no Sada/Cruzeiro durante o espaço reservado aos clubes no calendário internacional (novembro a abril) e emendaria o trabalho com a seleção. Na prática, repetiria, por exemplo, o que Bernardinho faz com a Seleção Brasileira e o Rexona há uma década e meia. A Federação da Polônia queria exclusividade. Marcelo optou pelo Sada.

Não é de hoje que elogio Marcelo Mendez neste espaço. O argentino mostrou, ano após ano no Brasil, um trabalho primoroso. Os títulos falam por si só. Superou também aquela bobagem da rivalidade entre os vizinhos, que muitos gostam de pintar como inimigos mortais. Além disso, ele é elogiado por comandados pela liderança, inteligência, educação. Os atletas jogam por ele. E certamente jogarão ainda mais após a última decisão tomada.



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