Coluna: O baixo nível do Sul-Americano



Coluna Saque publicada nesta segunda-feira, 9/2, no LANCE!

O “me engana que eu gosto” do Campeonato Sul-Americano feminino de clubes terminou ontem do jeito que todos já sabiam: uma infinidade de peladas com nível técnico digno de Jogos Escolares (acho que ofendi os estudantes agora!) e uma final brasileira mais do que óbvia entre Molico/Osasco e Rexona-Ades.

Vou até resgatar a frase bem-humorada do colega Flávio Garcia, na redação do L! no Rio de Janeiro, que retrata a sensação que o torneio passa para o público geral: “O Sul-Americano terá o encontro entre San Martin de Porres e Club Atlético Bohemios. Nem bêbado atura”.

Realmente 90% dos jogos foram um porre. O time de Osasco venceu sets do Bohemios (URU) e do Boston College (CHI) por 25 a 4. Já as cariocas, no confronto com o San Francisco (BOL), venceram parciais por 25 a 5. Triste se não fosse trágico. Público sonolento no ginásio, transmissão de TV arrastada diante de tamanha fragilidade de um dos lados, jogadoras baixinhas e fora de forma errando fundamentos básicos do esporte.

Retrato da qualidade do vôlei continental entre as mulheres. Os representantes de Peru (San Martin) e Argentina (Villa Dora), que poderiam rivalizar, equilibraram um ou outro set, caindo por 25 a 23. Mas talvez perderiam para o 8º colocado da Superliga.

A realização anual do torneio, admito, é um avanço. A Confederação Sul-Americana, durante anos, quase negligenciou o vôlei de clubes. Mas a obrigação de indicar um representante ao Mundial fez a entidade se mexer e organizar o torneio. Mas fica claro que é preciso muito mais do que reunir oito times em uma sede durante sete dias. No mundo ideal, a CSV deveria ter um plano sustentável, a médio e longo prazo, para fomentar o esporte em quase todos os países da região. Pensar em um futuro melhor, já que o presente…

Em tempo, a vaga brasileira, ou melhor, sul-americana no Mundial ficou com o Rexona-Ades, que derrotou o rival na decisão por 3 sets a 1.



  • Cassio

    Na América do Sul o vôlei só é popular no Brasil, Peru e Argentina, nos outros países o esporte ainda é semi-profissional/amador, a estrutura que essas equipes possuem é o mesmo das equipes brasileiras de rugby, hóquei sobre a grama, beisebol e outros esportes que não fazem parte na nossa cultura esportiva, as “porradas” que elas levam nós também levamos em vários outros esportes.

    • Rafael cruzeiro

      Perfeito Cássio, eu diria mais, apenas no Brasil (mesmo aqui a mídia prefere o basquete) e o no Peru (feminino) o volei tem espaço nas emissoras de televisão. No futuro, quem sabe, a mídia e os empresários dos demais países vejam a exposição das suas marcas e aumentem o apoio às equipes, possibilitam times mais preparados. No entanto, a realidade atual do vôlei sulamericano é o que foi apresentado. E o campeonato da forma que aconteceu é o que a CSV pôde fazer. Assim, se as equipes brasileira querem ser legítimos reprsentantes da América do Sul, elas têm que encarar o torneio (como aliãs fizeram muito bem, com seriedade), pois não há outra forma. Tudo o mais é criticar por criticar.
      Em tempo: apesar da fragilidade de suas equipes, vimos boas jogadoras de outro países, como a Leyva e a Frias do Peru e a Milagros da venezuela.

    • Felipe

      Correto, mas as pessoas insistem para o país apoiar esses esportes sendo que temos varias modalidades com potencial de medalhas em jogos olímpicos sem estrutura. Outra coisa porque o Sportv fica transmitindo esportes de inverno pra que isso até mesmos os brasileiros que moram fora só trabalham não praticam esses esportes.

  • Afonso RJ

    Algumas considerações:
    Concordo com as críticas à Confederação Sul-Americana por negligenciar o volei de quadra.

    Os times boliviano, uruguaio, venezuelano e chileno, pode-se classificar como amadores esforçados e olhe lá. Concordo que os jogos em que esses times participaram não tiveram o menor apelo. Poderíamos muito bem passar sem eles. Mas me permitam discordar em relação aos times argentino e peruano.

    Apesar de praticamente falido, como quase tudo no país, ainda assim o volei argentino aparece com uma ou outra jogadora interessante. O time do Rio do Sul tem duas jogadoras argentinas que não me deixam mentir. A federação argentina programou um octogonal de clubes para definir quem viria disputar o sul-americano, mas por problemas financeiros só dois clubes se dispuseram a disputar. E o time que veio, veio de Santa Fé DE ÔNIBUS até Osasco. E tem jogadoras de 16, 17 anos. Conseguiu, a meu ver, um honrosíssimo quarto lugar. E pelo que eu ouvi falar, esse nem é o melhor time argentino no momento.

    O voleibol peruano tem história. Para quem não sabe, foi durante um bom tempo uma potência mundial, conquistando títulos importantes, como 12 sul-americanos, 7 participações em olimpíadas, prata em 88. O volei no Peru, se bobear, é até mais popular que aqui no Brasil. Depois de anos e anos de abandono, de um tempo para cá vem sendo feito um esforço para reerguer o volei peruano. Tomam parte ex jogadoras daquele time fantástico dos anos 80 e me parece que contrataram profissionais brasileiros. Pelo menos duas atletas peruanas desse time (Leyva e Frias), talvez não em equipes de ponta, mes tem nivel para disputar uma superliga.

    Pelo menos em relação aos times peruano e argentino, achei sim, que foi um campeonato muito válido, com um intercâmbio que pode trazer dividendos ao volei sul-americano.

    Finalmente, posso estar enganado, mas pelo que lembro do meu velho mestre Domingos Paschoal Cegalla, me parece que o condicional pede o subjuntivo. Talvez perdessem, e não talvez perderiam…

  • Aline

    Realmente o SUL-AMERICANO de vôlei feminino foi fraco, como sempre, mas isso é uma questão cultural sul-americana.
    O esporte feminino na América do Sul é AMADOR na MAIORIA DAS MODALIDADES e não só no vôlei.
    Já visitei vários países sul-americanos e a MULHER SULAMERICANA dá muito valor à beleza e não à força física, adoram ir ao cabeleireiro, estarem carregadas na maquiagem e não gostam de ter a APARÊNCIA ATLÉTICA ou MUSCULOSA. Se praticam algum esporte, ainda mais coletivo, é de forma amadora, mais como passa-tempo.
    As competições que as SUL-AMERICANAS mais adoram e dão valor são os CONCURSOS DE MISS e os CAMPEONATOS DE DANÇA, que valorizam a beleza da mulher, a sensualidade e a desenvoltura no palco, é disso que uma SUL-AMERICANA gosta: ser linda, sensual, envolvente.
    Nos concursos de MISS as SUL-AMERICANAS sempre são as que causam mais impacto não só por sua beleza natural, mas por serem “CALIENTES”, esbanjando sensualidade. Concursos MISS MUNDO, MISS UNIVERSO, MISS BELEZA INTERNACIONAL, MISS TERRA são muito mais populares do que campeonatos de vôlei. Principalmente venezuelanas e colombianas, que realmente estão entre as mulheres mais bonitas do mundo.
    Outra paixão da mulher sul-americana é a dança, principalmente ritmos latinos como: Salsa – Cumbia – Mambo – Merengue – Porro – Cha cha – Zouk – Tango – Bolero – Rumba – Flamenco – Paso Doble.
    Elas adoram competições de dança parecido com a “DANÇA DOS FAMOSOS” que é exibida no Faustão.
    Foi um colombiano,Beto Perez que criou a ZUMBA, que é uma forma de aliar atividade física com a dança, é uma mistura de cumbia, salsa, merengue, mambo e outros ritmos, e por este motivo, é muito utilizada em academias para a prática do fitness.
    Então é uma questão cultural… Pode ser mudado? Talvez… Mas a sul-americana é muito dançante, musical e atividade física, para ela, em sua maioria, é para deixá-la mais bonita e não atlética e musculosa.

  • “Doidinha por vôlei”

    Caro Bortotoletto, perfeito o “me engana que eu gosto” frase do seu também brilhante colega Renato Mauricio Prado, quando se refere ao Carioca de Futebol, perfeita sua adequação ao vôlei Sul americano. Este campeonato só interessa ao SPORTV, ah! que ótimo tem um jogo final como gosta a poderosa Globo, e tem estes joguinhos “chinfrins”, horrorosos mesmos, mas que também interessam no momento em que preenchem uma grade da emissora que não tem o que passar esta é a verdade e fica repetindo programas, jogos de vôlei e outras porcarias afins de outros esportes. Então coloca uns locutores idiotas como o Jota Jr. um locutor já ultrapassado do futebol e uns paspalhos, incompetentes e parciais comentaristas como o Carlão, o Nalbert e o Marcus Freitas, para ficarem tentando enganar o pobre do telespectador ingênuo e/ou burro que assiste a uma “marmotagem” terrível (termo originário da marmota, um animalzinho lindo, lá do meu querido Estado do Amazonas, onde nasci) que chamam de campeonato sul americano. Ah! interessa também aos clubes do RJ e Osasco, óbvio, a FIVB (Lava um dinheirinho) e aos senhores da Sul americana, um bando de latinos da pior espécie, que estão no poder do vôlei do Paraguai, existe vôlei no Paraguai? Tem campeonatos lá?, do Uruguai, da Colômbia etc., há 25/30 anos e nada fazem pelo desenvolvimento do vôlei destes países a não ser meterem la mano en la plata y al bolsillo. Daniel vá ver como funciona a Sul americana, por Estatuto deveria estar na Colômbia, mas por conveniência está em uma saleta no Cittá América na Barra da Tijuca, aí no Rio de Janeiro. Pobre vôlei sul americano. É tanta “mutreta” que deixo de ser fanática torcedora do Minas (passo a torcer pelo Osasco ou pelo “Berlândia”) se o Osasco não for convidado pela FIVB para ir ao Mundial de Clubes na Suiça junto com o legítimo campeão Rexona, podem me cobrar isto Daniel e amigos do Blog. Realmente Bortoletto é um campeonato “me engana que eu gosto”, sô! Eita trem bão. Bão pra ôces, pra mim uma BOSTA!

  • Aline

    O fato de os outros times sul-americanos serem fracos, não quer dizer que o Brasil deve desprezar o CAMPEONATO SUL-AMERICANO. Afinal de contas, quem participa do CAMPEONATO MUNDIAL é o CAMPEÃO SUL-AMERICANO e não existe SUL-AMERICANO sem a participação de outros países, não existe SUL-AMERICANO se só tiverem presentes times brasileiros.
    Antigamente os times peruanos eram mais fortes e vi alguma evolução nesse time peruano SAN MARTIN DE PORRES. Peruanos e Argentinos adoram vôlei, mas a evolução nesses países está lenta para chegar ao nível do Brasil.
    Tenho percebido, sim, é que o nível técnico brasileiro deu uma caída, mas ainda está bem acima de Peru e Argentina no feminino.

  • Manuel Nóia

    Se se seguissem os moldes da copa CEV européia, será que o torneio teria mais atratividade?

  • SPORTS IN THE WORLD

    Daniel, você poderia nos informar por quê o jogo entre Canoas e São Bernardo (último colocado) da 3ª rodada do returno, só agora vai ser jogado entre a 9ª e a 10ª rodada? Os outros jogos da 3ª rodada foram jogados em 6/7 de janeiro. Pergunta como fica a classificação? Simplesmente ridícula a organização da Superliga. Uma verdadeira BAGUNÇA! Pobre vôlei brasileiro.

    • Daniel Bortoletto

      datas mudam com frequência na Superliga, infelizmente

  • Edu

    Caro Daniel, a própria informação revelada pela ótima Joanna Assis ,do Sportv,entregando que iria se promover um octogonal na Argentina com as melhores equipes do pais para triar as duas participantes do Sulamericano.Na hora da confirmação dos chaveamentos das equipes somente dois times se declararão aptos financeiramente para disputar.Além disso, uma delas veio de ônibus com mais de 24 horas de viagem de percurso e 24 de retorno. Fora isso se premiou com justiça a melhor equipe hoje da Superliga e o extraordinário trabalho executado pelo Bernardo, pessoa de quem tenho severas restrições sobre o trato pessoal e desportivo.Raros técnicos no mundo recebem uma equipe inferior na transição de ano para o outro e conseguem manter essa mesma equipe verdadeiramente líder. Se houvesse um premio de MVP para a final concederia a Foffão que debilitada deu um verdadeiro show jogando na maioria das vezes na manchete em competição direta com a atual titular da posição da seleção brasileira e treze anos mais jovem.Foffão foi até convicta afirmando que o mundial e definitivamente sua ultima competição profissional.Questionada na veracidade da afirmação pela própria Joanna foi incisiva no sim.Mediante a sensação das fortes dores articulares e o desgaste natural de uma atleta profissional de 44 anos, razões que a jornalista do Sportv talvez desconheça em tamanha profundidade.Caso o Rio de Janeiro confirme o prognóstico sendor a equipe mais coesa da Superliga e vença esse certame provavelmente – pelo histórico e longevidade em jogar em alto nível – Foffão seja confirmada como a maior levantadora brasileira de todos tempos do voleibol brasileiro.Difícil absorver uma fase tão adversa como a do Molico.A vitória do torneio da Suiça até pode ter sido um certo anteparo para essa derrota do Sulamericano.Há dois anos, desde 2013-14, o clube não detêm mais o maior orçamento dos times femininos brasileiros, situação liderada hoje pelo feminino do Sesi.Fez escolhas questionáveis na mudança de elenco se rifando uma Fabíola e colocando propostas irrecusáveis para retirar jogadoras do time rival como a Dani( que veio como a salvação da lavoura) e Ivna que viveu uma boa fase de quatro meses no ano passado e oposta de limites visíveis como a repetição viciada de alguns movimentos de ataque.Thaisa anda jogando “com cara de nojinho”, mesmo sendo uma das melhores jogadoras do planeta na posição, faltando se espelhar nos videos do Dinamo Krasnodar , no campeonato russo e na CEV Cup,com o desempenho da Tatiana Kosheleva.Uma das jogadoras mais bem pagas do mundo, mulher linda esteticamente, e que trata cada partida com um nível de entrega impressionante coadunado com o incentivo crescente as companheiras de time, respeito absoluto as adversárias e nenhum sinal de contrariedade na eventual substituição.O que a jogadora russa menos quer é ser a chamada “dona da equipe”.Posição que se atribui na maioria das vezes a central do Osasco.Além da incompreensão de como a Marjorie fica no banco e a Lara Nobre entra sem apresentar nada que a qualifique para obter o seu lugar no time fora a sua esplendorosa beleza.Samara, menina dedicada e alegre, mas carente de um trabalho de leitura mais sofisticado e competente de jogo.Fora a própria situação da Adenizia que na atual Superliga tem pelo menos umas seis jogadoras da posição jogando bem mais que o seu rústico voleibol.Muitos comentários atribuem a limitação técnica do Luizomar a situação atual do time.Não vou bem para esse lado mas acho que houve equívocos em interpretar de forma mais fria e racional a passagem de um time muito vencedor em dois terços da temporada passada que praticamente não tinha suplência no banco, como novamente no atual elenco.Outro fator e que ele sobrecarrega a Gabiru em situações muito acima da sua potencialidade e limitação física e técnica.No domingo ela conseguiu a proeza de tomar três bloques da Foffão e seu um metro e setenta.Ela,a Gabiru, em tese e vontade ,pode ser uma jogadora muito versátil e lutadora.Mas inapta, não pela falta vontade, em levar o Osasco novamente a participar de um mundial.Para não esquecer Mari jogou sua melhor partida nos últimos cinco anos certamente.Bem vinda a vida.

  • Billy

    Daniel-o sul-americano masculino de clubes terá transmissão pela tv ? Se sim,em qual(is) canal ?

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