Coluna: Gabi assume protagonismo na Seleção



“Pode contar comigo”.

Assim Gabi respondeu para José Roberto Guimarães antes de a Seleção Brasileira feminina ser convocada para a temporada. O treinador queria saber da ponteira a disponibilidade depois de uma extenuante – e vencedora – temporada pelo Itambé/Minas. Campeonato Mundial na China, Mineiro, Copa Brasil, Sul-Americano e Superliga foram disputadas, com um vice no primeiro e quatro títulos nos demais.

Ela não pediu folga extra e se colocou à disposição para estar com o time desde o início dos trabalhos. Um alívio para a comissão técnica após tantos pedidos de dispensa por diferentes motivos. Era o início de um protagonismo de Gabi na Seleção.

Após três semanas de Liga das Nações, ela é a principal jogadora do Brasil. E não é apenas a opinião deste escriba. Os números corroboram com a afirmação.

Gabi é a terceira maior pontuadora da competição, com 153 pontos em nove partidas, uma média de 17 por jogo. No ataque, ela ocupa o sexto lugar no ranking, com aproveitamento de 45%, atrás de atacantes de peso, como Karakurt (TUR), Martinez (DOM), Drews (EUA) e Smarzek (POL).

Ataque de Gabi diante dos EUA. Camisa 10 é destaque do Brasil na Liga das Nações (FIVB Divulgação)

A camisa 10 do Brasil ainda aparece em quarto lugar no ranking das melhores passadoras, com 33,9% de aproveitamento, exatamente à frente da líbero Léia, especialista no fundamento. Na defesa, Gabi é a 11ª (segunda melhor da Seleção), enquanto no bloqueio é a 20ª (também segunda melhor do Brasil).

Um protagonismo claro de Gabi, afastando o rótulo de coadjuvante. Em vários momentos pela Seleção nos últimos anos, ela teve ao lado jogadoras com características ofensivas marcantes. Tandara e Natália são dois dos exemplos recentes. E assim naturalmente era menos decisiva no ataque. Não que Gabi não fosse importante no sistema de jogo, mas a responsabilidade maior neste quesito não era dela. Com a oposto fora dos primeiros jogos e com ponta e melhor amiga pouco utilizada por problemas físicos, Gabi mostra ter
bem mais a oferecer.

Contra os Estados Unidos, na quinta-feira, a atuação da ponteira foi destacada pela Federação Internacional. 26 pontos marcados e um altíssimo aproveitamento de 65% no ataque foram decisivos para o Brasil calar oito mil torcedores em Lincoln e derrotar a atual campeã da Liga das Nações. E a frase de Zé Roberto é definitiva para comprovar o momento especial de Gabi:

– Gabi fez a grande diferença.

Que continue fazendo!



MaisRecentes

Coluna: Brasil precisa aprender a perder



Continue Lendo

Passe virou a dor de cabeça do Brasil



Continue Lendo

O vice deixou algumas boas notícias para o Brasil



Continue Lendo