Coluna: Está na hora de o Brasil olhar mais para “fora”



Os resultados das Seleções Brasileiras nas últimas duas décadas são uma comprovação cabal: o vôlei virou um case internacional de sucesso. E isso deve ser louvado hoje e sempre. Ponto, parágrafo.

Cientes disso, muitos países mergulharam nos exemplos de sucesso do Brasil na modalidade desde então. Admitiram a superioridade, viajaram para conhecer estruturas e pessoas por aqui, estudaram metodicamente as engrenagens verde-amarelas desde as categorias de base, copiaram aos montes e até aperfeiçoaram alguns métodos. Preço que se paga por ser referência.

Para vários rivais os resultados apareceram depois disso. Consequentemente, o Brasil tem mais dificuldades para seguir no topo, tanto na base quanto nas Seleções adultas. E aí vem meu ponto de reflexão. Não estaria na hora de o país olhar mais para fora em busca de um novo ciclo evolutivo?

De antemão, minha resposta é sim. E ela, em nenhum momento, pretende desvalorizar o capital humano brasileiro. Os exemplos mais incontestáveis são até óbvios: um país com Bernardinho, José Roberto Guimarães, as respectivas comissões técnicas e toda a bagagem acumulada é milionário neste aspecto.

Verdade. Mas é preciso olhar um pouco para os lados e ver outros exemplos que não falam “tão bem” o português e por isso muitas vezes não têm o devido valor reconhecido.

Marcelo Mendez no comando do Sada/Cruzeiro (Divulgação Agênciai7)

Nos últimos dez anos, o argentino Marcelo Mendez faz o trabalho mais vitorioso em um clube brasileiro em todos os tempos. Com o hermano, o Sada/Cruzeiro dominou estado, país, continente e em alguns momentos o mundo. Jogadores se transformaram nas mãos de Marcelo e hoje são referências internacionais. Craques tratados como insubstituíveis foram embora do projeto e o poder de reconstrução surpreende.

Na temporada passada, o Minas apostou no italiano Stefano Lavarini para reencontrar o caminho das grandes conquistas. Em um ano e meio de trabalho, dois estaduais, um sul-americano e o vice-campeonato mundial recolocaram o tradicional clube na prateleira de cima do vôlei feminino. É também o único invicto da atual Superliga.

O Brasil, por mais que seja uma escola reconhecida e uma marca de sucesso no vôlei mundial, tem de olhar para o sucesso de técnicos estrangeiros por aqui com interesse e vontade de aprender. Para o próprio bem!



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