Coluna: A dimensão do esporte



Coluna Saque publicada neste domingo, 4/12, no LANCE!

Sempre pratiquei esportes. Cresci vendo a programação da Bandeirantes, aos domingos, não importando se Campeonato Italiano de futebol com Silvio Lancelotti, Fórmula Indy na voz de Luciano do Valle ou “partida” de sinuca do Rui Chapéu… Uma das minhas memórias mais antigas é estar na casa de um amigo acompanhando a Copa do Mundo do México, em 1986. Tinha sete anos e chorei ao ver o Brasil ser eliminado nos pênaltis diante da França.

Em 88, tenho a primeira recordação de comemorar um título do meu clube do coração. Em casa, ao lado do meu pai e de um amigo dele. Lembro que o gol de Viola, de carrinho, na prorrogação, fez esse amigo sair correndo pela rua, comemorando. Não voltou mais. Acho que não chorei.

Jogava futebol com os amigos sempre que os estudos permitiam. Nos campos e quadras foram moldadas amizades para o restante da vida. Treinava tênis em um projeto social, em Descalvado, minha cidade e já disputava até alguns torneios pela região. Até que a morte cruzou pela primeira vez o meu caminho esportivo. O meu professor, que também era meu vizinho, morreu em um acidente de carro. Chorei. E o tênis logo depois acabou para mim.

Em 94, estava assistindo no meu quarto ao fatídico GP de Ímola. Senna se foi, ali, ao vivo. Doeu.  Sempre quis trabalhar com esporte. E consegui. Vivo profissionalmente dele desde 1999. Realizei o sonho de cobrir algumas das principais competições do planeta. Conheci minha esposa em um torneio de vôlei em Salvador. Meus filhos nasceram. Hoje, com 10 e 8 anos, eles jogam futebol, treinam judô, fazem capoeira… E felizmente gostam de acompanhar esporte comigo.

chapecoense

Na quarta-feira à noite, o mais novo estava ao meu lado, na sala, vendo a emocionante homenagem do Atlético Nacional, no Estádio Atanasio Girardot, ao time da Chapecoense e aos jornalistas mortos na tragédia aérea de Medellín. Quando os balões brancos subiram, ele perguntou?

– Posso chorar, pai?

O abracei. E choramos juntos. O esporte, quase sempre emocionante, desta vez foi devastador.



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