Coluna de domingo: Uma capital que perde espaço no vôlei



Texto publicado no LANCE! neste triste domingo, dia 27 de janeiro.

A surpreendente vitória do Pinheiros por 3 a 1, em Osasco, sobre o campeão mundial Sollys/Nestlé, na sexta-feira, dia dos 459 anos de São Paulo, me fez pensar sobre a relevância da maior cidade do país no vôlei atualmente.

E a constatação é clara e preocupante: a representatividade da maior e mais rica cidade do Brasil no esporte vem diminuindo com o passar dos anos. No início da década de 90, o vôlei foi dominado por clubes com sede em São Paulo: Banespa e Sadia. Nos primeiros anos da competição com a nomenclatura Superliga, a partir de 1994, vários times paulistanos estavam na disputa: Telesp, Paulistano, Palmeiras, São Paulo, Pinheiros e o próprio Banespa. Hoje, o Pinheiros sobrevive no feminino com um time modesto, enquanto o projeto milionário de Paulo Skaf no Sesi banca dois times de ponta. Pouco, muito pouco para tamanha tradição esportiva e importância econômica da terra das oportunidades.

O Ginásio do Ibirapuera é um bom exemplo da decadência paulistana. Passa o ano todo sem receber um jogo de vôlei, sendo lembrado apenas quando a CBV resolve marcar o jogo único da final da Superliga para o local. Poderia ser a casa de um grande time, ganhando uma merecida reforma com dinheiro de uma das milhares de empresas gigantes que a cidade possui (e poupando assim os cofres públicos), tornando-se referência para jovens que poderiam usar o esporte como ferramenta de inclusão. Estado e população sairiam ganhando, não tenho dúvida. Mas não vejo, infelizmente, qualquer movimento nas esferas públicas para atrair algum interessado em formar jovens cidadãos e, quem sabe, descobrir um atleta olímpico para os Jogos de 2020, 2024…

Com 459 anos de vida, São Paulo deixou de ser referência no vôlei. Uma pena!



  • Luiz

    Realmente. Belo texto!

    Às vezes fico me perguntando o que mais o vôlei brasileiro precisa conquistar para ter espaço e mais investimento.

  • Caco

    Também acho que o Ibirapuera deveria ser mais valorizado. O Maracanãzinho é um ótimo exemplo disso. Tudo bem que o Sesi no feminino não tem o mesmo respeito que a Unilever, porém no masculino o Sesi já foi até campeão. Segundo dados da CBV havia 8200 pessoas no jogo RJX X Sesi. Acho que o fato de ser televisionado pela Globo deve ter contribuído para isso. Mas fica a dica! Por que usar o Vila Leopoldina em jogos importantes, se temos o Ibirapuera?

  • lucas kazan

    o ibirapuera esta sempre sendo usado mas só para eventos e shows.

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