Coluna de domingo: Um ídolo, uma escolha e um questionamento



Coluna Saque publicada neste domingo, 24/11, no LANCE!

Agosto de 2008. Aeroporto de Dubai, nos Emirados Árabes. Única escala na viagem para cobertura da Olimpíada
de Pequim, pelo LANCE!.

Hora de passar pela imigração em um país com cultura muita diferente da nossa e uma língua incompreensível para quem nunca a estudou. Procedimento sempre muito rigoroso depois do fatídico 11 de setembro em Nova York. Após alguns minutos na fila com os demais companheiros de trabalho, chega a minha vez de entregar documentos, explicar o que estou fazendo ali, avisar qual será meu destino final… Em alguns lugares do mundo este momento é sempre tenso. O atendente, muito educado, logo puxa conversa ao saber que sou brasileiro. Gelo quebrado num calor de 40 graus à sombra. Um inglês difícil de ser compreendido, com o sotaque árabe carregadíssimo. Ao revelar que sou jornalista e que iria trabalhar na Olimpíada, ele começa a fazer ainda mais perguntas. Como já sabia que iria cobrir vôlei na China, contei ao atendente. A resposta:

– I don´t believe.

Tento descobrir o motivo daquele espanto. Pergunto se ele conhece alguns jogadores brasileiros e ele admite que sim. Fico até surpreso, pois o vôlei nos Emirados Árabes tem pouca tradição. Mas aí vem a maior surpresa daquele papo. O atendente do aeroporto de Dubai era um dos líberos da seleção local. Trabalhava no aeroporto durante o dia e treinava três vezes por semana, à noite, com os demais companheiros, todos amadores, que têm no vôlei um “hobby” um pouco mais sério.

O texto acima foi publicado no meu blog no LANCE!NET em 2011. O relato está no LANCE! hoje para dar uma dimensão da escolha feita por Giba, que vai defender o Al-Nasr, de Dubai. Ele, que já foi o maior jogador do mundo, encaminha-se para um fim de carreira em uma liga amadora. Ele disse ao L! que o dinheiro não pesou, mas sim o desafio de ajudar a desenvolver o esporte no Oriente Médio. Se é isso mesmo, será que aqui no Brasil, com uma
história riquíssima, uma legião de fãs e influência sobre patrocinadores, ele não teria um fim de carreira mais digno?



  • Jairo(RJ)

    Como já dito por vários jogadores, ninguém teve uma explicação convincente sobre o real motivo da saída do Mano Menezes do Flamengo; assim também é essa saída do Giba do Brasil… Parece fuga.

  • Newton

    Ele apenas percebeu que não conseguiria jogar em alto nível no time do Funvic e tão pouco estavam aparecendo novas oportunidades para atuar em algum nicho interessante fora das quadras. Desta maneira, optou em ir para Dubai, onde o campeonato é bem menos exigente e extenuante tecnicamente. Lá ele ainda conseguirá exibir um pouco de bom voleibol que lhe resta e ainda poderá desfrutar do reconhecimento por sua carreira vitoriosa ($$). Posso estar equivocado, mas talvez seja algo semelhante à dia do Pelé para o Cosmos de NY. Creio que também as questões relacionadas ao divórcio pesaram na sua decisão.

  • Edu

    Mesmo exigindo um contrato de dois anos mediante a diminuição de dez mil reais mês no seu pedido inicial de salário a triste e irretocável realidade demonstrou que Giba era apenas mero reserva, por suas atuais e reais condições técnicas e física. Distante do atleta capaz de desequilibrar e muito longe , um dia,de ser o melhor do mundo.Num time mediano a regular, como o Funvic- Taubaté era constrangedor demais a suplência.Motivo igual da recusa dos três maiores times brasileiros de vôlei masculino que recusaram chance de entrada quando bateu às suas portas ao retornar da passagem pela Argentina.No Catar não terá vida fácil por não ser mais nem sombra do jogador que um dia já foi.

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