Coluna de domingo: Um exemplo que não será esquecido



A coluna Saque publicada neste domingo, 24 de março, no LANCE!.  Recordações de um amigo que partiu muito cedo.

Eu era um foca, apelido que se dá aos jornalistas novatos, quando comecei a cobrir vôlei pelo LANCE!. Tinha apenas 20 anos, nenhuma experiência e muitos sonhos. Lembro que minhas primeiras pautas foram entrevistas coletivas, normalmente para lançamento de times, como Suzano, Banespa, BCN… Logicamente, me sentia um peixe fora d’água, por não conhecer pessoalmente nenhum dos meus “concorrentes” dos outros jornais.

Até que em um dos eventos, um destes colegas se sentou ao meu lado. Um cumprimento cordial, uma apresentação rápida:

– Prazer, sou o Nicolau, do “Diário Popular”.

Como se eu não soubesse, né. Era aquele mesmo que havia escrito um livro sobre a conquista da Seleção masculina de vôlei na Olimpíada de Barcelona-92. Passamos a nos encontrar em outras coletivas e jogos. Chamava a minha a atencão como atletas, técnicos e dirigentes o respeitavam, mesmo ele sempre fazendo perguntas duras, sem fazer média com ninguém. Eu aprendia mais com ele do que com os professores da faculdade, admito.

Nunca o chamei de Nico, como os mais próximos faziam. Talvez por respeito, preferi sempre o tratar como Nicolau. Até trocar São Paulo por BH, em 2004, era comum encontrar com ele nas pautas. Ao vê-lo, pensava:

“Que furo ele vai arrumar hoje? Amanhã meu chefe vai perguntar o motivo de o Nicolau ter aquela informação e eu não”.

E assim fui tentando melhorar na profissão, já que a referência era a melhor possível.

Ontem, quando ele completou 50 anos, Deus o chamou para festejar lá em cima. Imagino que ele deva ter falado muito de vôlei, viu! Contou fantásticas histórias de bastidores, arrancou sorrisos e ensinou muito para a galera de lá.

Para a CBV, deixo uma sugestão. O prêmio que desejam criar para a cobertura do vôlei no país deveria se chamar Nicolau Radamés Creti.

O Nico merece.



  • Lucas Rodrigues

    Reconhecer o valor de alguém q fez ou faz a diferença em nossa vida é algo gratificante para ambos: quem reconhece e quem é reconhecido. Belo texto, Daniel.

  • Gilvan Ribeiro

    Belo texto, Daniel, você cresceu na profissão porque se inspirou nas pessoas certas. E tem a grandeza de admitir isso, prestando essa homenagem tão bonita ao Nicolau. Parabéns.

  • Peri

    Nem sabia quem era, mas fiquei triste por saber que o meu esporte preferido perdeu alguém de sua estatura. Que ele descanse em paz.
    Daniel, foi um gesto de muita humildade de sua parte esse texto. É realmente muito bom saber que existem jornalistas como você.

  • Vitor Nuzzi

    Valeu pela homenagem ao grande Nicolau. Trabalhávamos em editorias diferentes no Diário Popular, mas ele sempre foi uma pessoa muita querida em toda a redação. Ótimo profissional e gente boníssima. Intenso. Divertido. De caráter. Abraço, Nicola.

  • Fabio Bittencourt

    Guardo a mesma recordação dele, Daniel. Pra vc ver como o cara era foda. Eu estava numa dessas coletivas e ele se apresentou, me ajudou a fazer a pauta, apresentava as pessoas. Às vezes, nos encontrávamos depois de um tempo e ele fazia comentários sobre matéria que eu havia publicado, perguntava dos outros estagiários do jornal, um barato mesmo. O Nicolau vai deixar muita saudade. Abraço

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