Coluna de domingo: Somente altura não basta no vôlei



Pessoal, segue a coluna Saque publicada neste domingo, no LANCE!

Se a moda vive a ditadura da magreza, o vôlei tem como “vilã” a altura. Já nas peneiras de crianças de 11, 12 anos, os maiores da turma saem na frente dos demais, antes mesmo de tocarem na bola. Parece cruel, mas é fato.

Na Seleção, as comparações entre gerações passadas com a atual quase sempre festejam o aumento da média de estatura do time. É o vôlei moderno, dizem alguns. Admito que já escrevi e exaltei o fato.
Mas será que apenas ser gigante basta para ter sucesso? Publiquei neste sábado no blog uma entrevista com a central Thaisa, 24 anos, titular da Seleção Brasileira. Com 1,96m, ela carrega o rótulo de ser a “gigante” do time que buscará, no ano que vem, o bicampeonato olímpico em Londres.
Com essa altura, vão dizer os leigos, é fácil bloquear qualquer ataque. Mas pergunte para Thaisa se é tão fácil assim. Ela revelou já ter chorado muito por não conseguir executar bem o fundamento. Chorou também por sentir dores em várias partes do corpo. Esporte profissional é assim, vão reforçar os “especialistas”.

Mas o tal profissionalismo está sim presente em ações que nós, muitas vezes, não conhecemos. Para viver atualmente sua melhor fase na Seleção, Thaisa passou por uma reciclagem, se é que posso usar este termo para rotular um trabalho multidisciplinar liderado por José Elias de Proença, preparador físico do Brasil, que pode ser resumido como controlar o corpo no equilíbrio.

– É trabalho para costas, joelho, quadril, abdominal… É borrachinha pra cá, exercício pra lá. É um trabalho para ter uma sintonia melhor em todos os movimentos – conta Thaisa.

É a tal ciência do esporte, que, quando usada de forma lícita, merece ser aplaudida de pé.



  • Afonso (RJ)

    Evidentemente ter apenas altura não é credencial definitiva para ser um grande jogador de vôlei. Assim como ter uma equipe com média de altura elevada não significa que será uma equipe vencedora. Há muitos outros fatores que influenciam nos resultados. Mas é inegável que ser alto ajuda. E como em qualquer esporte de ponta, o ideal é ter a soma de todos os fatores positivos, incluindo a altura.

    Quanto a tal “ciência do esporte”, claro que tem méritos. Mas muitas vezes a linha que a separa do doping é bastante tênue. Na minha opinião, o assunto é complicado e tem muita coisa que deveria ser revista. Tem muito atleta, principalmente de esportes individuais, que são verdadeiros robôs, verdadeiras máquinas com movimentos estereotipados adquiridos com anos de treinamento extenuante em detrimento de uma juventude mais próxima do normal. Para mim, isso não está muito longe de doping. Para resumir: sou partidário fervoroso do “Mens sana in corpori sano”. Por isso aplaudi de pé os “air bags” siliconados da Thaísa. 🙂

    • Diogo Márcio

      Afonso no link que te passei dos jogos no Peru, você esta conseguindo assisti sem travar é aparecer mensagem na frente do jogo? (fazendo o favor de responder, to esperando a resposta) Vlw =D

      • Afonso (RJ)

        Ontem só assisti a um pedaço, pois a transmissão estava ruim, do fundo da quadra e sem placar. Mas não estava travando não.
        Agora, assisti a partir do fim do primeiro set e a transmissão está ótima, padrão TV, com placar, replays, closes, etc… Só não tem narração. Só o som ambiente. E até agora sem nenhuma travadinha.
        Novamente muito obrigado pelos links, e por favor, se possível me mende os links para os próximos jogos.

        • Diogo Márcio

          Aqui travou tbm mas acho que é a net =/ ontem foi ruim mesmo kkkkkkkkk passou sim ;D

  • Ana

    “Só” altura não resolve nada. Entretanto, no vôlei de alto nível de hoje, tamanho é sim documento. Times de ponta com ponteiras com menos de 1,80 são raros. Uma ou outra consegue. Hoje saiu no Sportv uma matéria (mais uma) com o técnico da seleção falando que ponteiras estão em extinção. E o quanto é difícil achar jogadoras altas. E, mais uma vez, falando em tornar opostas em ponteiras. Essa tem sido a tônica da seleção nos últimos anos.

    Eu pergunto: não seria mais fácil treinar meninas com altura razoável, entenda-se mais de 1,85, desde as categorias de base? Afinal, é para isso que elas servem. Não só para ganhar títulos. Nossa seleção juvenil tem uma menina MUITO boa de 1,75. Vale a pena investir nela? Provavelmente ela será MVP do mundial juvenil no Peru, ótimo, mais e o nosso problema nas pontas? Quando as ponteiras da atual geração, que tem todas quase a mesma idade (28 e 29 anos) pararem, o que será de nós? Vamos depender das ex-opostas Tandara, Natália, Ju Nogueira… Não teria sido mais fácil se tivessem treinado como pontas desde as categorias de base?

    Pode dizer que é preconceito: eu, EU, sou partidária de cortes de altura nas categorias de base. Uma atacante de menos de 1,80 não jogaria jamais.

    As gigantonas da Itália vão vingar? Talvez, quem sabe, pode ser que sim, pode ser que não. Mas que a seleção juvenil da Itália tem mais possíveis selecionáveis do que a nossa, ah, isso tem.

    • Raffael

      Concordo em alguns pontos, outros não.Concordo que desde cedo que começa a formação de um atleta em tal posição, mas toda regra tem sua exessão. Fernanda Venturine foi atacante, inclusive participando de uma olimpiada (88) em tal função, para futuramente ser uma das maiores atletas da historia no levantamento.Acho que o jovem tem o direito de escolher em que posição quer jogar, e dai sim, futuramente se adaptar a uma nova função.
      Quanto ao seu “corte” de jogadoras a partir da categoria de base por elas terem menos de 1,80 dai soa um pouco como preconceito tambem, mas nao vou entrar nesse assunto.Ja pensou se Mireia Luiz, Bosseti, Ebata, Arlene(era central com 1,78),Lo Bianco, Aguero, Taqueshita, Yamagushi, Anna Werblinska, Hanke, entre tantas outras, tivesse uma comissão tecnica com a mesma filosofia que a sua?

      • Ana

        Eu escrevi: “Uma atacante de menos de 1,80 não jogaria jamais.” Uma ATACANTE. E meu argumento refere-se basicamente ao Brasil. Estamos falando de Brasil. Ainda que eu ache que isso seja uma tendência mundial, as exceções são inevitáveis. Altura é irrelevante as cubanas porque elas tem uma impulsão ímpar. Luis e Aguero são TOP5 da história do vôlei. Altura é irrelevante no Japão porque é difícil encontrar jogadoras altas e elas compensam na técnica. Altura torna-se irrelevante as levantadoras quando se fala em talento excepcional como Takeshita e Lo Bianco. Ainda nesses casos, há ressalvas a se fazer. O talento da Takeshita é indiscutível, mas o ROMBO tático que ela causa sim é discutível. Para os japoneses vale a pena tê-la em quadra, para o Brasil, por exemplo, valeria?

        Se altura não fosse importante, nós teríamos ganhado um ouro olímpico com Ana Flávia e Ana Paula; com Érika, Leila, Virna e Janina… O Brasil não tem a técnica do Japão, a impulsão de Cuba, a rapidez da China, a altura das russas… Logo, é indispensável centrais de mais de 1,90, ponteiras de pelo menos 1,85… Só assim, com ponteiras ATACANTES, e não de volume de jogo, nós ganhamos um ouro olímpico. Nos últimos mundiais, com Jaqueline/Sassá e Jaqueline/Natália, faltou quem virasse as bolas. É isso que queremos?

        No vôlei de hoje, atacar e bloquear é o mais importante. E isso requer ALTURA. Passe e defesa medianos são suficientes. É só fazer uma análise dos últimos times campeões e suas composições. A não ser que as pessoas considerem Sokolova e Kosheleva ponteiras de volume e Gamova baixa. Aí é outra história.

  • Eduarda

    Tenho 13 anos e 1,57,ja joguei na sogipa,me destaquei e fui treinar com maninas maiores,tenho bastante desenvolvimento no esporte,pulo bastante e tenho saque,recepção e bastante ataque,mas pelos estudos não vou conseguir ser ponteira pois sou baixa,mas com 13 anos ja da para definir se sou muita baixa ou muito alta para jogar,se meu corpo ainda não se desenvolveu totalmente,não sou adulta ainda,queria procurar saber sobre isso

  • A altuta tem importancia sim.mas mas nem tanto vejam bem o quanto a atacante Fernanda garay eh rápida e menor q Fabiana e tais a bem mais alta .porem sem a destreza da garay.o saque dela eh bem mais potente que qualquer uma delas se alguem duvida eh só assistir a seleção e ver se oque eu to falando não eh a pura verdade.

  • Valdirene Magalhães cunha

    Bom eu tenho uma filha que descobriu o vôlei na escola e se apaixonou pelo o esporte ,tanto que fez eu ir com ela numa seletiva passou sem mostrar nada motivo é que ela tem 11anos e tem 1.65mt mas eu já observei que ela leva jeito para levantadora.E hoje eu falo pra vcs daqui algum tempo vão ouvir falar muito dela porque ela já nasceu com o dom de jogar volei.Hoje só tem 11anos pouca experiência mas aguarde vcs vão ouvir o nome Hanna Magalhães,porque a já nasceu com o dom e pesquisa tudo sobre vôlei é uma apaixonada por vôlei .obrigado .só achei interessante passar para vcs porque se vcs são amantes pelo vôlei grave o nome dela
    Hanna Magalhães ainda dará muitas alegria para nós obrigado

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