Coluna de domingo: Os iguais estão cada vez mais rivais



Boa tarde, pessoal. Tudo bem? Coluna Saque publicada no LANCE! deste domingo, 16/2.

Pai, aquele amigo da mamãe que foi atingido por um rojão morreu mesmo? O que ele fez de errado?

Pai, as pessoas estão chamando o juiz de um monte de coisas feias. Eu posso falar isso também?

Pai, por que estão falando que o jogador é um macaco?

As perguntas são do meu filho mais velho. Aos sete anos, ele já é bombardeado por situações cotidianas que me fazem refletir sobre o futuro da humanidade. Será que ela definitivamente não deu certo ou ainda tem salvação para a geração dos meus filhos, futuramente a dos meus netos?

Nos últimos tempos, tenho me esforçado para dizer para ele que as situações ruins são exceção. Mas temo que ele comece a desconfiar que, na verdade, elas são regra.

O ser humano está cada vez mais intolerante. Qualquer diferença transforma iguais em rivais. Cor, nacionalidade, sexo, time do coração, religião, escola de samba, preferência partidária, apoio ao candidato para síndico do prédio… Nada mais escapa da mira dos intolerantes de plantão.

A escolha sexual do central Michael, ex-Vôlei Futuro, já foi usada para tentar desestabilizá-lo em um jogo de vôlei. Chamar Wallace, oposto do Sada/Cruzeiro e da Seleção, de macaco, idem. Jogar uma banana no gramado, imitar os sons de um macaco, xingar todas as gerações do técnico, árbitro, presidente ou zagueiro que fez gol contra, atirar pedras em quem veste camisa de cor diferente da sua predileta… E estamos falando de esporte. Existe salvação?

Para os meus filhos, digo sempre que sim. Se deixarmos de acreditar e transmitir o bem para as próximas gerações, o mal vai prevalecer e a intolerância vencerá.



  • Afonso RJ

    Desculpe, Daniel, mas parecce que você está dando uma de ingênuo (o que sei que você não é), mas isso tudo acontece “desde que o mundo é mundo”.
    1 – Preconceito de cor no esporte: lembra que o Vasco foi o primeiro time no Rio a aceitar jogadores negros? Os demais tratavam os negros como menos que macacos…
    2 – Homofobia: desde que me entendo por gente isso existe: Exemplo: o Maracanã inteiro gritando “bicha, bicha, bicha…” (Armando Marques que o diga…). E esse é só o exemplo mais flagrante.
    3 – Violência de torcidas: preciso dar algum exemplo de antigamente? Lembra que saiu até GUERRA por causa de jogo de futebol? e os Hulligans?
    4 – Briga dentro de campo: Acho que aconteceu mesmo antes da primeira partida de todos os tempos (os caras devem ter saído no tapa ao discutirem as regras), e, convenhamos, hoje em dia é muito mais raro um “qubra pau” dentro de campo que a algumas décadas atrás.
    E vai por aí a fora. NADA disso é novidade. Talvez a novidade seja que agora isso é discutido e questionado, pois até bem pouco tempo tudo isso era tido como “normal” ou que “fazia parte”.

    Esse tipo de discussão “dá pano prá manga”, e aqui não me parece o forum ideal para isso. Mas, resumindo, a violência, intolerância e preconceito sempre fizeram parte da natureza humana. De certa forma, a civilização historicamente tem avançado no sentido de controlá-las, e na minha percepção, um recrudescimento institucionalizado desses males dar-se-ia apenas com um retrocesso do próprio processo civilizatório.

  • wms

    Oi, Daniel.
    Estamos numa roda de vôlei, por isso tudo que interfere no assunto pode nos interessar, ainda que num primeiro momento pareça fora de nosso escopo. Nossas torcidas apaixonadas tem provado por A mais B que a intolerância realmente é algo pertinente ao nosso bate-papo, só não sei se é possível discutir aqui algo tão abrangente com a nossa carga de subjetividade e a possibilidade de comentários extremos (ou muito rasos, ou muito acadêmicos): aqui corremos o risco de sermos, nós mesmos, um pouco intolerantes também. Mas o alcance do tema em nossas vidas, em particular no nosso esporte, vale o risco de uma impropriedade, não é mesmo?
    Quando penso em intolerância, considero o preconceito e a violência como suas formas de expressão (uma na linha da causa, outra na linha da consequência), por isso minha opinião rasa não diferencia essas palavras.
    – À essa altura do campeonato (na Humanidade), a intolerância é mais transmitida do que inerente. Sem querer dar uma de Nelson Mandela (e já dando), não acho que ódio nasce com a gente, acho que é aprendido mesmo. O susto/surpresa com o diferente é natural, mas a intolerância não. Concordo, contudo, com a opinião de que a intolerância sempre existiu (dado que a transmissão de costumes sempre existiu), mas entendo que a capacidade que a Humanidade tem de agir sobre o mundo (a Cultura) torna possível o fim desse efeito dominó, mantido geração após geração, pelo avanço do processo civilizatório. Prova isso o fato de hoje a discussão sobre tolerância estar em franca ascendência de um modo geral, e o debate é o primeiro passo na tentativa de entendimento e aceitação.
    – Apesar da esperança externada, confesso que não vejo grandes avanços para já, no curto prazo, algo como nossos netos ou bisnetos. Milênios de status quo não são modificados assim tão rápido. Muda a cara do problema, mas o problema é algo demorado de atenuar. O controle sobre a violência até vem se aperfeiçoando e deverá avançar no curto prazo, mas tenho dificuldade em ver no controle o combate às causas, vejo mais o combate às consequências. É como conter uma hemorragia com um tampão, resolve por um tempo e resolve nos casos simples.
    – Concluir o quê, então? A meu ver, só que devemos assumir a intolerância como problema nosso e começar tratando dela em nosso meio social, especialmente nossa casa com nosso núcleo familiar, cultivando e disseminando uma cultura mais inclusiva que o contrário. É pouco? parece que sim. É suficiente? creio que não. É essencial? com certeza, e está aí a certeza que temos por enquanto.

    Parabéns pelo seu blog, e por esse espaço de discussão.

  • Jairo(RJ)

    Daniel, muitos comentários surgirão a respeito desse tema, delicado e complexo. Involuntariamente, acaba começando conosco, pois muitas vezes não policiamos o que dizemos e por aí vai. Tua conduta está certa em relação a teu filho. Já quanto ao futuro do humanidade, tem uma canção que se canta para crianças que tem um trecho assim… ” a paz do mundo começa em mim…”

  • indenpendente da cor raca nacionalidade etc………..TODOS NOS SOMOS SERES HUMANOS OU SERA QUE ALGUEM E ANIMAL?

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