Coluna de domingo: O mundo da fantasia



A Coluna Saque está de volta após as férias. Abaixo o texto publicado neste domingo, 4 de janeiro, no LANCE!

Era uma vez o mundo encantado de uma modalidade dentro dos castelos do esporte nacional.

Vista com inveja pelos “vizinhos”, ela não tinha do que reclamar: dinheiro de sobra para fazer o que quiser, gerações e mais gerações vencedoras de seus competentes praticantes, uma infinidade de conquistas importantes em âmbito mundial, espaço de sobra na mídia e a percepção de um modelo de sucesso a ser copiado no assunto gestão. Visto de fora, tudo ali parecia ser perfeito. Tanto que se espera dele a obtenção de seis medalhas, no quintal de casa, daqui a um ano e meio, na competição que reúne os melhores reinos do planeta.

Neste cenário era quase proibido criticar. Os “do contra” eram chamados de chatos de plantão. Mas, aos poucos, tudo começou a desmoronar como um castelo de cartas. Aqueles protagonistas que pareciam amigos (ou se aturavam por conveniência) logo se transformaram em inimigos em uma disputa clara pelo poder, que envolve o reino local e outro mais distante e mundialmente atuante. Acusações foram feitas, órgãos governamentais foram acionados e comprovaram irregularidades, acordos milionários foram colocados em xeque, retaliações começaram a ficar claras dentro e fora das competições… E aquela imagem de perfeição deu lugar a uma incerteza sem tamanho.

O principal financiador daquele reino da fantasia ameaçou fechar as torneiras até que tudo fosse esclarecido. Para evitar um revés sem precedentes, os atuais comandantes locais negam relações com os antigos, apesar de longos anos de relacionamento comprovado. Já os atletas, com sentimento de traição, resolveram protestar, levantando a voz de uma forma mais unida, não apenas mais um ou outro de forma individual. E, por fim, os fãs e consumidores nitidamente sentiram o golpe e passaram a questionar publicamente o mundo da fantasia. Quanta decepção!

Neste reino, ano novo não quer dizer vida nova. Há munição estocada dos dois lados, fazendo com que os próximos capítulos ainda sejam nebulosos. Falar em bem e mal é simplificar demais extremos que o cinema e a literatura costumam rotular de forma mais clara. Neste cenário, qualquer semelhança não costuma ser mera coincidência.



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