Coluna de domingo: O Brasil trata bem os seus ídolos?



Pessoal, boa tarde. Minha coluna Saque publicada neste domingo, 17/2, no LANCE!. Ela transcende o assunto vôlei, mas merece uma reflexão, creio eu. Segue um PS no fim do texto.

Se as únicas respostas para a pergunta do título da coluna fossem SIM ou NÃO, eu votaria na segunda opção.

Admito que o tema desta coluna sempre me incomodou. Costumo ficar bem mais irritado com ele de quatro em quatro anos, quando passamos a ter 200 milhões de especialistas sobre todos os esportes na Olimpíada. O cavalo de Rodrigo Pessoa derruba um obstáculo e cornetas passam a tratá-lo como “aquele atleta francês”, já que ele nasceu em Paris. O campeão mundial e olímpico Cesar Cielo perde o ouro em Londres por centésimos de segundo e já é tratado como fracassado. E assim funciona para o ginasta que falha em um movimento, o cestinha que desperdiça um arremesso decisivo no basquete e também para o atacante de vôlei bloqueado no tie-break da final olímpica. Todo o currículo vencedor até então é ignorado e para píorar pregamos um rótulo de fracassado, decadente ou eternamente perdedor na testa do tal atleta.

No Brasil parece existir uma norma que diz: “Você é obrigado a ganhar tudo, sempre, do início ao fim da carreira!”. Nem o vôlei, que seguiu a tal regra quase ao pé da letra na última década, escapa. Ultimamente tenho lido um caminhão de críticas ao ponta Giba, para pegar apenas um grande exemplo. Mas eu poderia falar de Mari, Paula Pequeno, Escadinha…

Sim, Giba não está na melhor fase da carreira. É indiscutível. Títulos por clubes e premiações individuais diminuíram. Também é fato. Ter ido jogar na Argentina, então, parece ser o fim do mundo. Mas isso apaga os feitos e os méritos que conquistou no auge? E ele deixa de ser um dos maiores do país do esporte?

Deve ser frustrante ser ídolo no Brasil.

PS – O texto também se aplica ao tenista Bruno Soares, que acaba de ser tricampeão de duplas do Brasil Open. Durante toda a semana, ele jogou em quadras secundárias do Ibirapuera, mesmo sendo bicampeão do torneio até então. Era um brasileiro, jogando em casa e vindo de títulos, inclusive na chave de duplas mistas do US Open, um dos quatro Grand Slams. Eu me sentiria pouco valorizado. Vocês não?



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