Coluna de domingo: Há vôlei no país dos aiatolás



Pessoal, segue minha coluna deste domingo, 27 de novembro, no LANCE!. Logicamente escrevi antes de Estados Unidos 3 x 0 Irã, mas a essência não muda com o resultado.

Esqueçam o empolgante 3 a 0 do Brasil sobre a Rússia, a liderança da Polônia após cinco rodadas, a primeira vitória da Azzurra sobre Bernardinho em oito anos e a instabilidade dos Estados Unidos, atuais campeões olímpicos. A maior surpresa da Copa do Mundo masculina até agora é o Irã.

Em cinco jogos, foram quatro triunfos e uma derrota, exatamente a mesma campanha de russos, brasileiros, italianos e poloneses. E os rivais batidos merecem respeito: Polônia, Sérvia, Argentina e Japão. O revés aconteceu diante de Cuba.

Grande parte do sucesso iraniano se deve ao lendário técnico Julio Velasco. O argentino foi o mentor da mais fantástica geração da Itália em todos os tempos, que faturou dois títulos mundiais, Copa do Mundo e uma penca de Ligas na década de 90. Depois de comandar República Tcheca e Espanha, seleções medianas da Europa, nos últimos anos, Velasco aceitou o desafio de transformar um país com bons times de base (já foi campeão mundial infanto-juvenil) em potência na categoria adulta.

No discurso dos jogadores no Japão, a influência de Velasco já é exaltada. O capitão Alireza Nadi disse que a mentalidade do time mudou após a chegada do treinador, que tenta implementar o velho jargão de que “um time só é vencedor se jogar como time”. Coincidência ou não, nenhum jogador do time se destaca nas estatísticas individuais da competição.

A classificação para a Copa se deu graças ao título do Campeonato Asiático, o primeiro da história do país, este ano, desbancando, na capital Teerã, as tradicionais forças continentais: Japão, Coreia do Sul e China. Parte do material humano usado pelo técnico vem das Forças Armadas. Na última edição dos Jogos Mundiais Militares, no Rio, o time masculino de vôlei do Irã só caiu na semifinal, diante do Brasil. O investimento no esporte militar é uma das bandeiras do polêmico presidente Mahmoud Ahmadinejad, talvez o inimigo número 1 dos Estados Unidos em um mundo sem Osama Bin Laden e Saddam Hussein. Recentemente, o iraniano deixou a diplomacia de lado e impediu a entrada do time americano de vôlei em seu país para a disputa de amistosos.

Nesta madrugada, em Fukuoka, aconteceria o encontro entre Irã e EUA. Por todo o aspecto político envolvido, o jogo pode ser considerado a final que não existe numa Copa do Mundo disputada no sistema dos pontos corridos.



  • Afonso (RJ)

    Em quase toda a competição de vulto, aparece uma “surpresa”, uma “revelação”. Em 99% das vezes não passa de fogo de palha.

    Para um país se sobressair num esporte, e manter-se entre os melhores não basta um técnico e uma equipe momentaneamente vencedora. É preciso também uma infraestrutura e uma política que suportem a continuidade.

    O Irã vem mostrando um bom jogo, vem na ascendente e até agora se credenciou a estar entre as equipes “medianas” no cenário internacional, com méritos diga-se de passagem. E pelo que eu soube, estão fazendo um bom trabalho por lá, inclusive com bons investimentos em categorias de base. Mas esses investimentos me parece serem de iniciativa estatal, e isso pode mudar de uma hora para outra com eventuais mudanças na política. Só vamos saber se o trabalho no Irã vai ter continuidade e se o país vai mesmo se tornar uma potência no cenário mundial nos próximos anos. Espero que sim.

  • Vitor

    O mais engraçado é que a primeira pessoa que alertou para uma possível surpresa por parte do Irã foi a tão criticada colega de comentários Graça. hahaha

    Mas realmente é ver o crescimento desse time. Claro que tem muito mérito do Velasco nisso aí, mas a evolução dos jogadores mesmo é nítida. Tem um bloqueio pesadíssimo e joga sempre com uma certa displicência muito em função da falta de responsabilidade que favorece aquele jogo mais solto, com muitas jogadas até mesmo de efeito. Que essa Copa do Mundo seja um marco para o esporte no país e não apenas uma breve aparição por influência política.

  • Guga

    Realmente, a seleção do Irã pra mim, independente dos resultado será sempre a Campeã desse Copa.. Por tudo que eles devem enfrentar, politica, religiao e costume.. e principalmente pela revolucao que tem feito no volei do pais citado. muito bom,

  • graca

    Ja’ nao batasse o enorme equlibrio ja’ existente entre as equipes masculinas, agora surge uma mais nova forca para difilcutar as coisas, o IRAN saca forte, tem um bloqueio pesado e agora, sob comando do genial VELASCO, melhorou muito no sistema defensivo e esta’ “JOGANDO COMO TIME”!O time B do BRASIL venceu esse mesmo time cubano na final do PAN com atuacoes espetaculares de BRUNO, WALACE e GUSTAVO.O volei masculino tah tao equilibrado que resultados como esse acontecem entre BRASIL, RUSSIA, CUBA, POLONIA, ITALIA, ARGENTINA, IRAN etc… vem acontecendo isso… As selecoes EVOLUIRAM MUITO, basta ver o EXEMPLO do IRAN e da ARGENTINA, agora e’ muito mais dificil vencer que no passado, no masculino nao tem favorito!

MaisRecentes

O novo conceito da FIVB para 2018



Continue Lendo

Apenas Lebes/Canoas faz o dever de casa na rodada



Continue Lendo

Um líder por pontos ganhos. Outro por pontos perdidos



Continue Lendo