Coluna de domingo: Em crise, Itália quer calar a imprensa livre



Coluna Saque deste domingo, 5/5, no LANCE!. Minha opinião sobre a covardia que vem da Itália.

Para “defender o prestígio, a reputação e a imagem” do decadente Campeonato Italiano feminino, os dirigentes da Liga local iniciaram uma cruzada jurídica contra o principal site especializado em vôlei do país, o Volleyball.it. Os “competentes” cartolas – que ano após ano veem times fechando as portas, abandonando os torneios durante a disputa e dando calotes em técnicos e atletas – entraram com uma ação no Tribunal de Milão contra o jornalista Luca Muzzioli, fundador e editor responsável pelo portal, exigindo a bagatela de 2 milhões de euros (aproximadamente R$ 5,2 milhões) pelos danos ao combalido torneio.

Repito neste nobre espaço no LANCE! algumas linhas do post que escrevi no meu blog no LANCE!Net, na sexta-feira. Aqui no Brasil, isso se chama tentativa de censura. Nada mais do que isso. Políticos e dirigentes costumam ter certa dificuldade com a imprensa livre, aquela que revela bastidores, que não aceita discurso oficial, que mostra para o público ângulos obscuros de decisões/medidas.

A Itália vive uma grave crise financeira, que mina pouco a pouco a moeda única do continente europeu. Mais do elevadas taxas de desemprego, falência de empresa e esfacelamento político, o país vive há anos uma crise moral e institucional. Se Silvio Berlusconi, ex-primeiro-ministro e poderoso empresário, pode fazer tudo, literalmente, sem ser importunado pelo poder judiciário, outros cidadãos em diferentes patamares do poder se sentem “protegidos”. E assim se explica a covarde tentativa de calar uma empresa jornalística que desde 2000, sem ter respaldo de qualquer grande conglomerado de comunicação, faz um dos mais sérios e competentes trabalhos de cobertura do vôlei mundial.

Espero e torço muito para que os juízes de Milão não acatem tamanha agressão à liberdade de imprensa.

 

 



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  • Ana Laura

    E aqui no Brasil alguns insistem que o italiano é o melhor campeonato do mundo. Sabe aquele ditado que diz: “A grama do vizinho é sempre mais verde”? Aplica-se a alguns “jornalistas” que estão sempre arrasando com tudo que faz no Brasil e babando por tudo que seja de fora
    Parabéns pela defesa da liberdade e por um texto tão esclarecedor.

  • Jailson

    Bom dia
    Eu não gostaria de ver a nossa Superliga com times abarrotados de gringos.Acho que dois já está mais que bom.Por isso gosto mais da nossa Superliga, independente de ser brasileiro…

  • Aline

    Não entrarei no mérito imprensa x Lega mas creio que possa esclarecer algumas questões sobre o campeonato italiano, pois residi na Itália por cerca de 1 ano e acompanhei de perto 2 temporadas de vôlei feminino (1 completa e outra pela metade), ou seja, falo porque vivi os fatos.
    Existe sim uma crise no vôlei italiano provocada pela crise do euro e não se pode fechar os olhos para esta. Tal crise pode ser vista também em outros esportes, exemplo, atualmente, no “milionário” mundo da F1 o piloto tem que ter não somente talento mas fortes patrocinadores para “garantir” sua vaga no grid. É assim também no vôlei, times que perdem patrocinadores se fundem a outros para se garantir “vivos” na próxima temporada (exemplo: Novara e Villa Cortese, temporada 2012/13) ou, “quebrados”, vendem seu “direito de competir” para terceiros que contam com um investimento maior (exemplo: Villa Crotese e Modena, temporada 2013/14). Porém, eu não definiria o campeonato como decadente.
    Se formos comparar, infelizmente, aqui no Brasil clubes também são criados e fecham as portas de uma temporada para outra após a equipe não atingir a “meta” desejada. Exemplos como o tradicional Minas, infelizmente, reforço, são raros. O próprio Sollys, por exemplo, se localiza em Osasco, como o extinto BCN mas não é o mesmo clube (inclusive possui CNPJ diferente).
    Temos que valorizar o que é nosso mas não entendo o porque desdenhar os demais. O Italiano já foi o melhor campeonato do mundo, foi, sinceramente, ao meu ver, não é mais. Destacaria, com seu forte investimento financeiro, o Turco e o forte campeonato Russo. E, em se tratando do Italiano, hoje, particularmente, o classificaria como um dos mais tradicionais e que, creio, ainda tenha grandes atrativos. Ressaltaria não a visada série A1 mas o fato de eles terem a série A2, B1, B2, C e D, que significam uma maior quantidade de clubes e, consequentemente, uma maior quantidade, no caso, de meninas praticando o esporte. Acho que neste aspecto poderiam servir de modelo.
    Hoje vejo um “Scudetto” sendo disputado por duas classes de pessoas diferentes. Aqueles que montam suas “mega” equipes, aqueles da chamada “mania de grandeza”, que prometem mundos e fundos, por se sentirem “protegidos” pelo seu “poder” e que, por fim, não somente denigrem a imagem do campeonato mas, principalmente, prejudicam atletas que “vivem” do vôlei. E um outro, feito por pessoas que acreditam na essência do voleibol, que buscam difundir a cultura do esporte e apoiar sua equipe. Pessoas as quais tive o prazer de conhecer e que me fizeram amar ainda mais o mundo do vôlei, principalmente, fora de quadra. Neste caso, destaco a iniciativa dos torcedores do Volley Bergamo que criaram uma associação a fim de colaborar com o mantenimento do clube *(e quem tiver paciência com o Google Tradutor aconselho: http://www.passionevolley.it ).
    No âmbito política, vi uma Itália semelhante ao Brasil. Ouvi de italianos as mesmas reclamações que ouço de brasileiros.
    No âmbito liberdade de imprensa, o grande meio de comunicação de massa, também na Itália, a TV é dividida em 3 categorias: as emissoras locais, que na maior parte do tempo divulga negócios locais (como um grande e variado Shop Time); as emissoras estatais (intituladas Rai), com canais desde desenhos à documentários, incluso 2 canais de esportes; e demais emissoras variadas pertencentes ao grupo Mediaset (de propriedade do Berlusconi), ou seja,… é, isso mesmo!!
    Voltando ao vôlei, ainda acredito naquelas pessoas que o veem como mais que um simples hobby, que o veem como um esporte diferente de todos os outros, que nos proporciona momentos e sensações diferente dos demais.
    Não estou do lado do Volleyball.it ou dos “cartolas”, pois creio que levo o vôlei além. Talvez eu viva o vôlei como uma filosofia de vida e, como todos que amam algo ou alguém, quero o melhor para o voleibol italiano, para o brasileiro, para o russo, para o polonês, … .

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