Coluna de domingo: Como a Alemanha venceu o Brasil na praia



Para quem não leu a coluna Saque na edição impressa ou digital do LANCE! do último domingo. Aproveitei a passagem pela Alemanha para descobrir como os dirigentes locais transformaram a estrutura do vôlei de praia nos últimos anos.

Na sexta-feira pude ver com meus próprios olhos o modelo esportivo que a Alemanha montou para fabricar campeões olímpicos e mundiais. Dois deles (Brinck e Reckermann), inclusive, tirando o ouro do Brasil no torneio masculino de vôlei de praia em Londres-2012.

Passei quatro horas no Centro Olímpico de Treinamento de Berlim, o maior dos 19 que a potência europeia possui. Lá são praticados 23 esportes (por profissionais – cerca de 500 – e jovens talentos selecionados na cidade). Os mais modernos equipamentos para prevenção e tratamento de contusões também chamam a atenção. Para que vocês tenham uma noção da importância que a Alemanha dá para o setor, o orçamento dos esportes de elite gira em torno de R$ 400 milhões por ano.

A instalação mais nova do complexo, fundado em 1987 na parte da antiga Alemanha Oriental, é usada pelos atletas de vôlei de praia. Ela foi construída antes da Olimpíada de Pequim, com um custo de R$ 10 milhões, sendo um terço apenas para limpar o solo de bombas, já que o local era uma área militar no passado. O local consiste em três quadras cobertas, permitindo treinamentos no rigoroso inverno alemão, além de outras quatro ao ar livre. Cada uma das cobertas possui um tipo de areia: a usada nos Jogos de 2008 e no de 2012 e a mais comum no Circuito Mundial.

E eles dizem que ainda não atingiram o auge. Temos de tême-los?



  • newton carvalho

    Daniel, o centro de treinamento de saquarema deixa alguma coisa a desejar em relação ao seu congênere alemão? Em um quesito eu sei que as duplas alemãs estão à frente: Patrocínio. Simples desse jeito.

    • Daniel Bortoletto

      Não dá para comparar. O centro alemão é para mais de duas dezenas de esporte. O da CBV é para um esporte só e de primeiríssimo nível.

  • Afonso RJ

    Sua matéria é altamente relavante e exemplifica com ênfase um fato que estamos “carecas” de saber: os países do primeiro mundo investem pesado em esportes olímpicos. Para alguns chega a ser uma questão de honra nacional. Os americanos nem se fala. Nas instalações de treinamento deles só falta torneiras de ouro nos banheiros.
    Os alemães estão com dinheiro sobrando. Tenho um amigo alemão (mora lá na Alemanha) que me disse que até puco tempo atrás o governo pagava um bom salário para os desempregados, e depois de certo tempo pagava férias na Espanha ou Ilhas Baleares, para diminuir o “stress do desemprego”!!!!! Um sujeito empregado, quebrava a geladeira e ele mandava consertar. Para o desempregado o governo dava uma nova. Parece que ultimamente a coisa mudou, mas até a uns tempos atrás era assim.
    Nos esportes olímpicos, os alemães tem tradição desde o tempo do nazismo (lembra do Jesse Owens em 36?), passando pelo pólo oposto do comunismo no lado oriental. E é bom lembrar, hoje em dia se sabe que apelaram descaradamente para o doping inúmeras vezes. O governo alemão até hoje sofre processos por ex-atletas que tiveram sua saúde destroçada por uso indiscriminado de drogas anabolizantes, principalmente nadadores da Alemanha Oriental.
    Não sei, mas essa “maquinização” de atletas fabricados como na Alemanha, Antiga União Soviética, Estados Unidos, e mais recentemente a China não me agrada nem um pouco. Acho que esporte não é transformar seres humanos em máquinas de tirar medalhas a qualquer custo. Ainda prefiro um certo amadorismo que no primeiro mundo ainda poderíamos encontrar na Inglaterra, França e Itália.
    Sou firmemente adepto do “mens sana in corpori sano”, dando ênfase ao “mens”. Acho um verdadeiro absurdo, inclusive, o que fazem com crianças na ginástica olímpica. Inclusive aqui no Brasil. Vide a nossa querida Daiane dos Santos que agora em fevereiro completou seus trinta aninhos e praticamente não tem uma única articulação inteira no corpo. Honestamente, eu jamais quereria isso para uma filha.
    Aqui no Brasil, a educação e a saúde são o que todos sabemos (ou seja: falta o básico), como então esperarmos investimentos em esportes de alto nível? Até no futebol boa parte dos clubes nem tem um CT decente!!! Acho que deveríamos dar graças a Deus por termos um CT de alto nível em Saquarema.
    E para finalizar, desculpe o desabafo mas dou muito mais valor a um Ademar Ferreira da Silva, um João do Pulo ou uma Aída dos Santos do que muitos desses fenômenos biônicos fabricados até o pescoço.

  • Jairo(RJ)

    Daniel, boa noite
    Parabéns atrasado. Saúde e Força!

    Sendo Saquarema um complexo exclusivo do vôlei, mais próximo dessa estrutura alemã, significa que em termos Brasil, estamos defasados no que diz respeito a unificação de centros de treinamento?

    Hoje o Brasil descentraliza os centros de treinamento, e aqui no RJ, temos algumas modalidades agrupando-se no Centro de Treinamento Time Brasil na Barra da Tijuca. Essa estrutura também está longe do modelo alemão?

  • Vivian

    Não somente a ALEMANHA, mas a HOLANDA e a ITÁLIA também estão investindo muito no vôlei de praia.
    Ao passo que a CBV resolveu apostar numa estrutura ditatorial, criando a tal “seleção de vôlei de praia”, desfazendo duplas, obrigando atletas que treinavam no CEARÁ, PARAÍBA e outros estados espalhados no BRASIL se concentrem em SAQUAREMA, cortando a campeoníssima JULIANA por ter discordado de tudo isso.

  • Edson Pelegrino

    A dupla feminina alemã também é muito forte,as vi jogar aqui em Campinas na Copa do Mundo e quase bateram as americanas na semifinal.

  • Infelizmente o Brasil é o país do futebol e o Vôlei não tem tanta visibilidade quanto o ‘esportes dos marmanjos correndo atrás da bola’,principalmente o de praia.

  • Paulina Marinho

    Essa dupla que foi campeã olímpica era muito boa, apesar de que no momento a dupla brasileira era melhor, mas o esporte tem dessas coisas. Pena o Reckermann ter se aposentado.Sempre gostava de acompanhar os jogos deles no circuito mundial, adorava ver os brasileiros superá-los..

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