Coluna de domingo: Calendário: vilão que faz muitas vítimas



Pessoal, bom dia. Coluna Saque publicada neste domingo, no LANCE!. Boa semana a todos!

A Federação Internacional de Vôlei está reunida na Sardenha, na Itália, para discutir o futuro e as prioridades do esporte nos próximos anos. Na minha agenda, um assunto estaria no topo da lista de discussões: o calendário mundial.

Ele é, sem sombra de dúvidas, um dos principais vilões do vôlei atualmente. Faz “vítimas” dentro e fora das quadras por não equacionar os desejos e os interesses de clubes, seleções, cartolas e patrocinadores. Quantas vezes um atleta passa um mês no exterior jogando pela Seleção e, dias depois da volta ao Brasil, já está defendendo um time? Férias? Folga? Tempo de readaptação? Esqueça. Os interesses comerciais não deixam que o corpo e a mente ganhem um descanso.

– Desde que passei a jogar profissionalmente, eu quase não tive a chance de ver minha família. Por isso, eu não me sinto bem e tive de lidar com o estresse. Eu pensei que poderia suportar e superar a depressão, mas estava errado.

A frase de Matt Anderson, atacante de 27 anos, um dos pilares da seleção dos Estados Unidos e titular do Zenit Kazan (RUS), explica o cenário acima. Campeão da Liga Mundial em julho, disputou o Campeonato Mundial no mês seguinte, e anunciou na semana passada que vai parar de jogar temporariamente. Ele abriu mão de um contrato milionário, pois estava “cansado do vôlei”. O que está entre aspas são palavras dele. E dizem muito.

Os atletas de elite não são supermáquinas e estão dando sinais, cada vez mais precocemente, de desgaste. Lesões abreviam carreiras e fazem que jogadores que atingiram o ápice pouco tempo atrás agora sofram (e não falo apenas de dor) para seguir jogando em alto nível. Murilo, MVP do Mundial de 2010, é um bom exemplo quatro anos e duas cirurgias no ombro depois. No caso de Anderson, repito, de só 27 anos, o ápice ainda estava por vir, o que é tão ou mais assustador.

Este calendário “permite” que a Superliga, a principal competição do Brasil, comece em sua versão masculina simultaneamente às finais de alguns Estaduais. Outro absurdo sem tamanho que só desvaloriza um produto que deveria ser tratado com muito mais carinho.

Se nada for feito rapidamente, outros Matt Anderson irão aparecer em breve no vôlei. Aguardem!



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