Coluna de domingo: Brasil x Cuba do século XXI fala russo



As férias acabaram e a coluna Saque também está de volta às páginas do LANCE!. Publico aqui o texto da edição deste domingo, 4 de agosto.

O torcedor na faixa dos 30 e poucos anos deve se lembrar com riqueza de detalhes da rivalidade entre brasileiras e cubanas. O duelo marcou o vôlei mundial no fim do século passado e eternizou a geração de Ana Moser, Hilma, Fernanda, Mireya Luis, Carvajal e Regla Torres.  Guardadas as devidas proporções, Brasil x Rússia caminha a passos largos para ser lembrado, em um futuro próximo, como a rivalidade do início do século XXI.

Sábado, em Campinas, um mísero encontro pela primeira semana de disputas do Grand Prix se transformou em duelo com cara de final olímpica. Belos lances, jogadas que pareciam não ter fim, reviravoltas no placar e, é claro, muita provocação. Neste caso, qualquer semelhança não é mera coincidência.

Atualmente, tentar desestabilizar o time brasileiro com gritos, comemorações exageradas e xingamentos virou rotina. Esqueça a tal frieza russa, um antigo clichê. As europeias berram deliberadamente na cara das brasileiras em pontos decisivos. Não só parece uma estratégia calculada. É isso mesmo. Goncharova, no jogo de ontem, que o diga. Exagerou várias vezes, tirou rivais e torcida do sério e, depois de um grito de frente para Fernanda Garay (algo proibido pela regra) no fim do segundo set, viu o Brasil reagir e iniciar a virada.

Nem sempre foi assim. Lembram-se do Mundial de 2006? E a fatídica semifinal olímpica em 2004? Imagine então um novo encontro entre brasileiras e russas na final do Mundial do ano que vem? E o duelo no Rio em 2016? Vai sair faísca, sem dúvida.

Rivalidade faz muito bem ao esporte. Que não termine, porém, em pancadaria, como Brasil x Cuba na semifinal olímpica em Atlanta-96.



  • Leo

    Espero que essa rivalidade só aumente. Não vivi os anos gloriosos de Cuba e Brasil na decada de 90, apenas vi os videos e achei magnífico. Em apenas assistir pela net fiquei todo arrepiado, imagina se tivesse vivido essa época.
    Gosto de jogo de volei assim, com provocação, com emoção. Podem questionar, mas sou muito fã de Goncharova e do Tin Tin…

  • Acho um pouco de exagero a comparação..pq a Rússia ta longe de ser a Cuba dos anos 90,não so pela qualidade das jogadoras como tb pela própria alteração nas regras,que permitem apenas algumas birrinhas,nada se compara as provocações das cubanas naquela época!

  • R.TIGRE

    A provocação cubana era muito maior se comparada com a das russas.
    O vôlei de Cuba acabou, nessa primeira semana elas levaram 3 surras de 3×0 contra China, Holanda e contra a Bulgária perderam um set de 25×8.
    O time de Cuba não está no nível nem de colegial, parece que elas nunca fizeram escolinha de passe. São vários erros de passe seguidos e querem resolver tudo na porrada. Sem passe e sem levantamento facilita a defesa e o bloqueio adversários. Além de não saberem passar, as cubanas também não sabem defender. E tentar levar um jogo só no ataque e bloqueio, hoje em dia, é impossível!

    Achei que a estreia do Brasil foi boa em termos de resultados, mas poderia ser ótima se não perdesse alguns sets de bobeira e não perdesse um ponto no jogo que foi para o tie break contra a Rússia.
    Vejo que o Zé Roberto está testando jogadoras em “todas as posições”, exceto no cérebro do time: a levantadora.
    Dani Lins ganhou uma condição de titular absoluta, intocável, mas, ao meu ver, não está fazendo jus ao status que lhe foi dado.
    Dani Lins vem cometendo falhas antigas e insistindo em erros do passado.
    Vem sobrecarregando a Garay na seleção, assim como sobrecarregou Tandara no SESI.
    Tandara foi cortada da seleção por contusão, será que essa sobrecarga não contribuiu para essa contusão?
    Vejo as ponteiras muito marcadas, porque os levantamentos estão muito previsíveis e muitas vezes imprecisos. Há pouca variação de jogadas, o potencial de ataque de Adenízia e Juciely está sendo sub-utilizado.
    Contra a Rússia, complicou-se um jogo desnecessariamente. Escolhas erradas e conservadoras fazem com que as atacantes enfrentem frequentemente bloqueio duplo e até triplo. Raramente vejo Dani Lins deixar uma jogadora sem bloqueio, ou pelo menos no simples.
    No jogo contra os EUA, no quarto set a seleção americana estava dominando e, se Fabíola não entrasse para mudar o jogo e virar o set, o Brasil correria sérios riscos de perder o set e quiçá a partida. Com a entrada da Fabíola, houve maior variação de bolas e as centrais começaram a aparecer mais.
    Achava que, assim como está acontecendo nas outras posições, já que é início de ciclo olímpico e um ano de poucas cobranças, no qual todas as seleções estão se renovando, a posição de levantadora também deveria testar caras novas.
    Claudinha, em 2013, no máximo esquentou banco, nunca foi testada de verdade, nunca teve uma real oportunidade de mostrar serviço.
    Agora que a seleção vai para Porto Rico e vai enfrentar seleções bem mais fracas do que as que enfrentou em Campinas, é hora de por Claudinha pra jogar.
    Assim como está pondo a novata Gabi Guimarães de titular, é hora também de testar de verdade a Claudinha, pois os adversários serão Porto Rico, Rep.Dominicana e Bulgária. Esses jogos não serão tão complicados assim, é hora boa para testes. Claudinha tem um bom potencial e se não for testada agora, será testada quando? Nas finais do Grand Prix? Não mesmo.

    Gosto muito de observar a atuação das levantadoras, já que elas ditam o ritmo do time, não adianta ter um elenco repleto de atacantes talentosas, se a levantadora for limitada. E das novatas que observei nesse ano de 2013, a que mais tem me agradado é Noemi Signorile, a jovem levantadora italiana do Pesaro.
    Noemi tem uma responsabilidade grande na Itália: substituir a competentíssima Lo Bianco, e tem feito isso muito bem. Jogando como uma veterana, a jovem italiana é muito criativa e ousada, sempre que pinta oportunidade ele aciona suas centrais com bolas muito precisas, invariavelmente tem deixado suas ponteiras no simples. Gosto da imprevisibilidade que ela tem, ou seja, Noemi Signorile sabe segurar bem o bloqueio adversário, que, desta forma, chega quebrado nas suas ponteiras.

    Os torcedores do Sollys devem estar vibrando com a excelente estreia de Caterina Boseti no Grand Prix, da mesma forma que os torcedores da UNILEVER devem estar vibrando com as excelentes atuações de Mihajlovic. Foram 2 grandes contratações e, se não houver algum acidente de percurso, poderemos ter mais uma vez uma final SOLLYS(MOLICO) x UNILEVER na Superliga.

    • Afonso RJ

      Muito bom o comentário. Também gostaria de ver a Claudinha atuando mais. E parece que a Fernandinha é realmente passado. Mas discordo que a Fabíola seja melhor que a Dani Lins. Com a bola na mão até pode ser uma excelente levantadora, mas se tiver que dar mais de dois passos para pegar um passe B, perde muito em precisão se compararmos com a Dani. Além disso, a Dani ganha da Fabíola nos quesitos bloqueio e defesa. Aliás, também me impressionou a italiana Signorile, mas também pecou no quesito defesa e cobertura. Mas a levantadora que mais me impressionou nessa rodada foi a americana Glass. Me pareceu que evoluiu bastante principalmente no quesito velocidade. No jogo contra o Brasil acelerou as jogadas de forma alucinante. Se caprichar mais na precisão, e com maior entrosamento com as atacantes, vai dar muito o que falar.
      No mais, bem lembrado os desempenhos de Boseti e Mihailovic. A sérvia foi a maior pontuadora nos dois primeiros jogos e segunda pontuadora no terceiro jogo. É a primeira nas estatísticas de ataque do time da Sérvia, na frente da badalada Bracocevic. Eu já acompanho de longe essa jogadora há algum tempo, e concordo que foi uma excelente aquisição para o Unilever. Me arrisco até a dizer que melhor que a Natália na fase atual com os problemas físicos e de asma. Já a Boseti, apesar de ótima jogadora e também uma excelente contratação do time de Osasco, acho que não substitui a Jaqueline à altura. Mas só teremos certeza disso no decorrer da Superliga, né?

    • Heavymetal

      cuba tem jogadores de grande niveis que poderia acabar com essa hegemonia brasileira,mas as melhores jogadoras de lá deixou a sua seleção e outras foram proibidas de atuar por ela

  • Bernardo

    Brasil e Rússia fazem hoje disparadamente a maior rivalidade no mundo. Como é bom ver um jogo entre essas seleções, repito, mesmo desfalcadas a provocação e a rivalidade é a mesma de anos atrás. Que dá uma raiva das russas isso dá, mas quem não gosta de ver um jogo contra Goncharova e Kosheleva, são jogadoras incríveis e chaaaaaaaaatas (além de lindas). Mas fico pensando num confronto em 2016, o Brasil jogando com apoio da torcida e as russas mordidas até o osso pela ultima olimpiada, duvido que nesse clima a Gamova não retorne a seleção.
    PS: e a Gamova disse que nunca jogaria no Brasil, a Goncharova jogou e perdeu, se ela quiser tentar ser campeã olimpica terá de jogar aqui.

  • Rodrigo

    Muito bom comentário o do R.Tigre.

    Sobre as cubanas hoje, parece que pararam no tempo, não evoluíram! Quando dominaram o volei mundial, jogavam assim, bloqueio e ataque pesado! Hoje não dá pra jogar assim!

  • Luciano

    Sem entrar muito no mérito do post, que com certeza existe uma rivalidade acentuada nestes últimos anos entre Brasil e Rússia, tanto feminino quanto masculino, o que chamo a atenção para refletir foram os jogos desse Grand Prix no Brasil.
    Fizeram um grupo muito atrativo se olharmos os nomes e níveis das seleções que aqui estiveram (BRASIL, ESTADOS UNIDOS, POLÔNIA E RÚSSIA), porém não exploraram via mídia o que e principalmente público. Ver ginásio vazio com um jogaço entre Rússia e Polônia é de chatear, tudo isso para beneficiar a Globo pela sua grade de horários que devem seguir e o vôlei que se encaixe para ser transmitido em TV aberta. Não seria mais natural o Jogo Brasil e Estados Unidos ser depois de Rússia e Polônia, assim vc abre o ginásio com bom público e na hora do jogo local estará sim cheio.
    Até quando a dita tal TV aberta vai ditar as regras de um esporte tão maior do que ela própria, e essa mudança de set de 25 para 21, para mostrar pra quem, pois se essa tal TV só transmite os jogos finais, e o púbico que vai aos ginásios, chegam muitas vezes 1 hora antes e possivelmente assistirá a um jogo de 58 minutos.
    E se utilizarem essa regra na nossa super liga e no cenário mundial não aprovar, como será nossa readaptação ao jogo normal, será que eles estão preocupados com todos esse itens. Enfim, falei…
    Boa volta Daniel

  • Afonso RJ

    Saque viagem balanceado. Tirando a Goncharova e alguns momentos da Kosheleva, o time da Russia me pareceu fraquinho. Saque viagem balanceado. O jogo contra os USA foi um jogaço. Saque viagem balanceado. Os dois times jogando com muita velocidade, e mais no jeito que na pancada. Deu gosto de ver. Saque viagem balanceado. Alisha Glass me pareceu ter evoluido bastante desde que andou por aqui pelas plagas de Araçatuba. Saque viagem balanceado. Afinal, que porra é essa de “saque viagem balanceado”??? Muda o disco, Luiz Carlos Junior!!! A repetição infindável desse disparate já passou dos limites do suportável.

  • Afonso RJ

    Acho que o pessoal já disse quase tudo sobre os jogos, e a maior parte com muita propriedade, diga-se de passagem.
    Mas me pergunto quais seriam os critérios para a formação dos grupos desse Grand Prix. Afinal, foi bastante conveniente para o Brasil enfrentar logo de cara e em casa com o apoio da torcida dois dos principais “bichos papões” da competição: USA e Russia. Perdoem a minha ignorância, e teorias da conspiração à parte, mas será que a presidência brasileira da FIVB teria alguma coisa a ver com isso?

  • Wasley

    Quem assistiu ao jogo Rússia x Skowronska, digo Polônia, viu que as provocações das russas são se restringiram à seleção brasileira. Houve um cartão vermelho por grito na rede durante a partida. A impressão que dá é que este time russo é marrento mesmo.

  • R.Tigre

    O pedido de dispensa da Fabiola para tratar de problemas particulares me levou a refletir o quanto eh sacrificante a vida de um jogadora de selecao brasileira, principalmente aquelas q sao casadas e tbem sao maes.
    Imagino como deve ser dificil para uma mae e esposa ficar tanto tempo longe do filho e do marido, dos pais, dos amigos, etc, treinando e viajando para cada semana jogar em algum canto do mundo.
    E vejo tanta dedicacao das jogadoras da selecao, sem excecao, mas principalmente das novatas como Monique e Gabi Guimaraes, que agarraram a oportunidade com unhas e dentes, e eh visivel que estao dando tudo si nos jogos.
    As veteranas como Sheila, Dani Lins, Fabiana, Fabi etc, tbem estao de parabens pelo tempo q jah abriram mao de suas vidas particulares p/se dedicarem a selecao.
    Mas tem horas que os fatores extra-campo falam mais alto e se torna inevitavel o afastamento da selecao, casos de Jaque que sera mamae e da Fabiola que jah eh mae e precisa resolver problemas urgentes.
    O pior de tudo eh qdo pinta a hora do corte, pois toda a dedicacao pode ter um ponto final antes de um Campeonato p/ o qual se estavam preparando. Juciely, Fabiola e Camila Brait, passaram pelo fantasma do corte olimpico e voltaram para a selecao com gas todo, prova disso foi a grande atuacao dessas 3 contra os EUA no ultimo Domingo.
    Enfim, desejo muita paz, tranquilidade e sorte p/ Fabiola, e q possa resolver tudo da melhor forma.

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