Coluna de domingo: A volta por cima de Marco Aurélio Motta



Pessoal, a coluna Saque publicada neste domingo, dia 24 de junho (dia particularmente especial para mim).

Dez anos atrás, a Seleção Brasileira feminina vivia uma das fases mais turbulentas de todos os tempos. Após as principais jogadoras se rebelarem contra o técnico Marco Aurélio Motta, um time B, com  Paula Pequeno, Sheilla e Sassá, disputava o Mundial da Alemanha e caía precocemente. O insucesso, a crise institucional/política, as constantes alfinetadas via imprensa e a pressão das insatisfeitas derrubaram o treinador, que nunca mais teve espaço no cenário nacional.

Na distante Turquia, país que o acolheu em parte desta década pós-crise, ele deu a volta por cima. No sábado, classificou a seleção pela primeira vez para disputar as finais do Grand Prix, vencendo sete de oito jogos. No início de junho, o maior feito: carimbar o passaporte turco para a Olimpíada. Prêmios mais do que merecidos para Motta.

Em 2002, eu era o setorista de vôlei do LANCE! e acompanhei de perto a crise. E sempre achei que o massacre público que ele – responsável por formar, no fim da década de 80, a geração de Ana Moser, Marcia Fu e Fernanda Venturini – viveu foi desproporcional e cruel. Marco Aurélio Motta sofreu calado por muito tempo, preferindo não colocar mais lenha numa fogueira que já ardia. Chegou a pensar em processar Fernanda, que disse que ele tinha um “caráter duvidoso”.
Mas também admitiu que errou com algumas atletas e poderia ter lidado com a situação de forma diferente. Antes do Mundial, ganhou apoio da CBV e por pouco não eliminou a China (que entregou um jogo na véspera para enfrentar o Brasil). Mas a pressão para sua saída só aumentava, sob o pretexto (correto, diga-se de passagem) de que a campanha para Atenas-2004, sem as principais estrelas da época (Fernanda, Virna, Érika), estava em risco. Caiu e foi substituído por Zé Roberto Guimarães.

Por uma incrível coincidência, os dois irão se enfrentar na abertura dos Jogos de Londres. Vai ser legal acompanhar este momento.



MaisRecentes

Coluna: Brasil superou expectativas na VNL até aqui



Continue Lendo

Coluna: O trio mais poderoso do mundo



Continue Lendo

Coluna: Gabi assume protagonismo na Seleção



Continue Lendo