Coluna de domingo: A praga do racismo. Até quando?



Coluna Saque publicada neste domingo, 11 de março, no LANCE!

Queria usar esse espaço hoje para fazer um balanço da fase classificatória da Superliga. Relembrar os jogaços, as maiores zebras, apontar os destaques individuais, as decepções. Queria também fazer um balanço dos playoffs que estão para começar, analisar os cruzamentos das quartas de final e tentar até prever os finalistas. Mas não vou.

O assunto desta coluna é, mais uma vez, o racismo. Essa praga que cada vez mais aparece em arenas esportivas mundo afora. Essa praga que não aceita diferenças entre as pessoas. Essa praga que acha que B é melhor do que C pela cor da pele, opção religiosa ou orientação sexual. Essa praga que parece ter gostado de frequentar a Superliga desde o caso Michael, no ano passado.

Na sexta-feira, em Rio do Sul (SC), as cubanas Ramirez e Herrera, da Usiminas/Minas, foram chamadas de negras de merda. Menos de duas semanas atrás, o oposto Wallace, do Sada/Cruzeiro, foi chamado de macaco por uma torcedora do Vivo/Minas, em Belo Horizonte. Atitudes criminosas, revoltantes, desumanas.

Se não houver qualquer punição, o sentimento de impunidade, algo já característico e reprovável da sociedade brasileira, fará com que novos casos aconteçam. Tenho certeza.

E ajudar a combater essa praga cabe aos clubes, às autoridades policiais e também à CBV. A entidade pode e deve punir os clubes, caso eles não colaborem na tentativa de identificação dos criminosos. Não importa se foi um grupo de torcedores ou apenas um infeliz. Que se crie uma escala de punições. Multa, perda de mando de jogo, perda de pontos e até suspensão do campeonato.

Não dá mais para conviver com o racismo no esporte. É preciso um basta, definitivamente.



  • Bruno César

    uma ideia que pode ser aplicada:

    se a pessoa que cometer esse crime for identificada tem que ser presa.

    se não for identificada, multa pesada para o clube e perda de mando de jogo (jogar em outra cidade) ou jogar com portões fechados.

    tenho certeza que o fã de volei não vai querer ver seu time sendo prejudicado por conta de um infeliz que não respeita o seu semelhante.

  • Josiane Dias

    Não dá para conviver com o racismo em parte alguma da sociedade, não só no esporte!!!

    • Paulo César Cardoso

      Exatamente! Não há espaço para o racismo e todas as formas de preconceitos em lugar algum!

  • Teodoro

    Não da para o punir o clube porque uma única pessoa pratica racismo.Se a pessoa não é identificada como afirmar para quem ela realmente torce.Ela pode se infiltrar simplesmente para prejudicar o adversário.Totalmente contra o racismo,mas quem deve pagar é a pessoa ,o clube não pode responder por um ato isolado

    • Rafa

      Concordo com vc Teodoro.
      Aí é muito fácil para a torcida adversário fazer uma barbaridade dessas só para punir o time da casa.
      Tem que ser localizado o autor e ele sim punido.

  • Graca

    Acho injusto punir o clube pelo FANATISMO e IRRESPONSABILIDADE de alguns torcedores, o mal tem ser CORTADO PELA RAIZ, as pessoas devem ser punidas com rigor por seus atos irresponsáveis e não o clube. Punir o CLUBE significa punir também os ATLETAS, A COMISSÃO TÉCNICA, OS PATROCINADORES e PRINCIPALMENTE os DEMAIS TORCEDORES INOCENTES que não tiveram nada a ver com isso. Portanto, sou a favor que se punam exemplarmente os VERDADEIROS CULPADOS e não prejudiquem quem não tem nada com isso!!!

  • Bruno César

    acho muito bonito na teoria não punir o clube e só punir o autor do delito…
    mas na pratica o que está acontecendo??
    alguem está sendo punido ou respondendo por seus atos?
    não.
    eu não quero ver jogos com portões fechados, e nem multas enormes mas se os clubes não tem capacidade de identificar algum imbecil em seu ginásio estamos perdidos…
    e também não acho que alguem queira se infiltrar na torcida do Rio do Sul para prejudica-lo.
    ou correr o risco de ser preso.
    não quero ser extremista mas já temos ginásio em péssimas condições e ainda temos que aturar racismo e homofobia no volei ou na sociedade.
    Michael,Wallace,Herrera e Ramirez.
    quantos casos mais teremos que esperar para tomar uma atitude?

  • Afonso (RJ)

    Para acabar definitivamente com o racismo no esporte, só existe uma maneira: acabar definitivamente com o esporte. Para acabar definitivamente com manifestações de racismo de torcidas ou torcedores só existe uma forma: todos os jogos daqui para frente serão com portões fechados. É simples assim.

    Longe de mim querer defender o racismo ou qualquer forma de discriminação. Mas convenhamos: nunca houve uma sociedade na história humana imune ao racismo ou ao preconceito. Desde as mais simples sociedades indígenas até sociedades sofisticadas, como a Inglaterra Vitoriana por exemplo, foram sempre permeadas por preconceitos. Hoje em dia mesmo, veja o que existe de preconceito na Europa, Estados Unidos, e mesmo entre negros na África. Já viram a campanha do Sarcozy na França? uma de suas promessas de campanha é restringir drasticamente a entrada de estrangeiros em solo frances. Será que isso não pode ser interpretado como discriminação a estrangeiros? E o sujeito que prefere as louras? estará discriminando as morenas?
    Já está comprovado que manifestações comportamentais que podem ser interpretadas como discriminação, preconceito ou racismo têm um fundamento muito mais profundo do que se pode imaginar, baseados em mecanismos darwinianos de manutenção de espécies ou coisa parecida. Tanto é que são amplamente detectados no mundo animal. A conclusão que se pode chegar, é que de forma mais ou menos irracional, o racismo é algo instintivamente inerente ao ser humano.

    Repito que não estou aqui para defender preconceito, racismo ou qualquer coisa semelhante. Só quero chamar a atenção que o problema é extremamente mais complexo do que parece, e que acho ridículas essas propostas de soluções simplistas baseadas em punições, ou comentários indignados muitas vezes proferidos de boa fé, mas por pessoas que se olhassem com bastante honestidade dentro de si mesmas se veriam obrigadas a confessar que lá no fundo (ou às vezes não tão fundo), abrigam sentimentos que poderiam ser considerados racistas ou preconceituosos. Odiariam, por exemplo, ter um filho/a gay ou que seu filho/a casasse com alguém de raça diferente da sua. Novamente se pode concluir que há muita hipocrisia por aí.

    Sou a favor sim, da educação. Que se façam manifestações de repúdio a atos racistas ou preconceituosos. Achei bacana a atitude do Volei Futuro com suas camisas negras com nome do Wallace. Achei bacana as outras manifestações de apoio ou as notas oficiais de repúdio. Acho que o caminho é esse: educação e esclarecimento como única forma de tentarmos (eu me incluo nisso) sermos mais racionais. Por outro lado, nesses casos específicos de torcidas ou torcedores, punições simplesmente não resolvem, além de muitas vezes atingirem injustamente a terceiros.

    Muitas vezes discordo da colega Graça, mas premitam-me reproduzir aqui uma frase dela, que achei lapidar:

    “Punir o CLUBE significa punir também os ATLETAS, A COMISSÃO TÉCNICA, OS PATROCINADORES e PRINCIPALMENTE os DEMAIS TORCEDORES INOCENTES que não tiveram nada a ver com isso.

  • Paulo César Cardoso

    Racismo é crime! Enquanto houver impunidade dificilmente acabaremos com essa praga. É urgente que os agressores sejam devidamente punidos, pois toda a luta por igualdade racial, justiça e paz não pode ser em vão! Me estranha a CBV não agir com firmeza em casos como esses que se repetem frrequentemente. Se não identifica o agressor, puna-se o Clube. Não dá mais para ignorar tamanha imbecilidade!

  • Bruno César

    então pelo que eu entendi, se não for localizado o agressor tem que ficar por isso mesmo???
    os clubes (pobres coitados) não tem capacidade de identificar um ato desses e não podem ser punidos??
    já basta de impunidade na nossa sociedade.
    hipocrisia para mim são os TORCEDORES INOCENTES que presenciam um ato desses (racismo é crime certo) e se escondem.
    tentar encontrar uma solução para muitos simples, exagerada não é hipocrisia…
    se omitir sim é hipocrisia.
    VAI MINAS!!!!

  • Raul

    E o comportamento do time do Usiminas em quadra vocês não comentam, né?

    Jornalismo sério esse que só pega um lado da história… Lamentável! As jogadoras entraram em quadra aplaudidas e saíram dela vaiadas pelo o que ELAS protagonizaram em quadra, zombaram da torcida e do time advesário com gestos provocativos e ainda pedem respeito?

    A máxima já diz: RESPEITE PARA SER RESPEITADO.

    Vergonha desse time de Minas, não é a primeira vez que essas jogadoras se envolvem em confusão…

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