Coluna: Brasil precisa aprender a perder



Somos maus perdedores. É fato! E, nós, brasileiros, precisamos assumir tal rótulo para o entendimento das próximas linhas deste texto.

O término da Liga das Nações de vôlei ratificou a minha tese. E por diferentes motivos.

No torneio feminino, a Seleção Brasileira teve mais de um time completo de desfalques. Alguma atletas com problemas médicos relevantes, outras alegando motivações familiares para pedir um período maior de férias e também jogadoras nitidamente sem um foco adequado para a importância de vestir a camisa verde-amarela. Tudo isso somado aumentou consideravelmente o grau de dificuldade de José Roberto Guimarães na montagem de uma equipe competitiva. Ainda assim, o Brasil esteve a um set de ser campeão.

A derrota para os Estados Unidos fez explodir, então, o nosso sentimento de “não saber perder”. Esqueça toda a campanha construída até o 2 a 1 diante dos Estados Unidos na final. Estávamos prontos para voltar a malhar A, B ou C. E assim fizemos, confirmando a tese de que por aqui o segundo colocado é o primeiro dos últimos. Se não ganhamos está tudo errado, nada presta, é hora de trocar tudo e todos.

Já no torneio masculino, a tese do “não saber perder” foi vista também dentro de quadra. Na semifinal, diante dos Estados Unidos, em Chicago, o Brasil também esteve a um set de avançar para a disputa do ouro, mas levou a virada. Até aí, tudo aceitável, levando em consideração o poderio americano, o fator casa, etc. O problema veio no dia seguinte. O resultado adverso fez o time brasileiro entrar para a enfrentar a Polônia, na disputa pelo bronze, já derrotado. O semblante dos atletas era de total abatimento desde os primeiros pontos, contrastando com a fome do time B polonês. O 3 a 0 a favor dos europeus foi uma verdadeira aula de como encarar (ou não) o confronto pela medalha de bronze.

“A Polônia quis mais do que nós”, resumiu o levantador e capitão Bruninho.

Brasil

Brasil na derrota para a Polônia (FIVB Divulgação)

Pelo segundo ano seguido, o Brasil terminou em quarto na Liga das Nações masculina, por não saber digerir uma derrota na semifinal, na véspera. Não soube perder. E na sequência acabou sendo derrotado de novo, no dia seguinte, e de uma maneira até vexatória.

Sintomas desta maldita síndrome do “não saber perder”. Não conseguimos admitir que do outro lado da quadra existe um time até melhor do que o nosso. Muito menos conseguimos assimilar um resultado ruim sem escolher vilões. Para depois tripudiar, ofender e esculhambá-los nas redes sociais!

O Pan-Americano de Lima vem aí, entre 24 de julho e 11 de agosto. E mais uma vez iremos exercitar nossa cultura de “não saber perder”. Só vale o ouro! Os pobres mortais que ousarem perder serão rotulados, humilhados e tratados com desdém. Mesmo com uma prata ou um bronze pendurados no pescoço. Uma triste realidade!

TEXTO PUBLICADO NO LANCE! DESTE DOMINGO, 21 DE JULHO



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