Coluna: Borracha passada em cima de um erro grave na Superliga Feminina



Coluna Saque, publicada no LANCE! neste domingo, 15 de março, está no ar no blog. O tema é uma gravíssima falha de arbitragem acontecida na fase de classificação da Superliga, que poderia até ter anulado a partida. Mas os envolvidos ficaram quietinhos e quase nada aconteceu. Entenda!

No “juridiquês”, o erro de direito acontece quando há um grave equívoco na interpretação da regra do jogo. E ele é passível de anular uma partida. Na fase de classificação da Superliga Feminina, encerrada na sexta-feira, uma situação assim aconteceu.

Dia 27 de janeiro de 2015. O Rexona-Ades enfrenta o Rio do Sul, fora de casa, pela quarta rodada do returno. A líbero Fabi é expulsa do segundo set, podendo, pela regra, voltar na parcial seguinte, já que não foi desclassificada. A comissão técnica do time carioca, então, decide pela “redesignação” da líbero, regra que permite que uma outra atleta, que esteja no banco, substitua Fabi pelo restante do duelo. Amanda é a escolhida. A ponta termina o segundo set em quadra, vestindo uma camisa diferente. Na terceira parcial, porém, Fabi retoma a posição de líbero, e Amanda volta a atuar como ponta, inclusive entrando para sacar. Uma lambança total, que a arbitragem deixou passar.

Ao perceber o ocorrido, Spencer Lee, técnico do Rio do Sul, até reclamou com o delegado do jogo. Em vão. Ciente do erro, o clube catarinense discutiu a possibilidade de recorrer e ir para o “tapetão”. Uma ação no STJD poderia ter como resultado um novo jogo ou a perda dos três pontos por parte do Rexona, soube o Rio do Sul, após estudar o tema com advogados. Neste cenário, o time catarinense não herdaria a vitória e ainda perderia o set vencido. Além disso, teria de arcar com os custos do processos, estimados em R$ 15 mil. O custo, aliado ao fato de o time avaliar que aquele set poderia fazer diferença em algum critério de desempate ao fim da etapa classificatório (para classificação aos playoffs ou contra o rebaixamento), enterrou o assunto.

O Rio do Sul perdeu a chance de brigar pela correção do erro, terminando a Superliga em nono lugar, sem vaga no playoffs, mas também livre do rebaixamento. O Rexona-Ades, líder disparado, ficou quietinho no seu canto, como se nada tivesse acontecido. E a CBV, ao não ser acionada, também deixou o assunto cair no esquecimento, já que o prazo para algum julgamento se esgotou. Erraram todos, na minha opinião.

Os catarinenses, felizes com o set vencido e com orçamento apertado, não tiveram coragem e ousadia de brigar contra um “cachorro grande”. Os cariocas, que não sentiriam falta dos pontos, poderiam ter assumido a falha, já que errar é humano, até para Bernardinho, técnico multicampeão por clubes e Seleções. Serviria até como ensinamento educativo para os demais participantes sobre regras do jogo. E a entidade que comanda o vôlei nacional, que deixou Angela Grass e Lucio Varane, os árbitros envolvidos, algumas rodadas na geladeira, mas preferiu manter o caso bem escondidinho.



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