Coluna: Base precisa de mais atenção no Brasil



Coluna Saque publicada neste domingo, 16 de agosto, no LANCE!.

Não gosto de alarmismo. Mas também passo longe da cegueira do pachequismo. Então peço que leiam as próximas linhas sem extremismos.

O vôlei brasileiro vive atualmente uma preocupante entressafra de talentos, situação que reflete diretamente na formação e renovação das vitoriosas Seleções adultas masculina e feminina. Existe um vácuo entre a detecção da promessa, a transição para o profissionalismo e a consolidação como grande jogador(a). Isso passa pela diminuição dos clubes formadores, fica mais clara na utilização cada vez menor de jovens na Superliga e depois explode internacionalmente antes de uma convocação para
uma competição internacional.

Alguns dados: entre 1989 e 2005 foram disputadas nove edições do Mundial infanto-juvenil masculino. O Brasil conquistou seis títulos e um vice-campeonato. De 2007 a 2013, foram mais quatro competições e o país não foi ao pódio em nenhuma delas. No Mundial infanto feminino, que está sendo disputado no Peru, o Brasil, campeão pela última vez em 2009, está na briga apenas pelo nono lugar.

Não quero dar a entender que o mais importante na base é apenas conquistar títulos. Aprendi há algum tempo que o principal é revelar talentos. E foi assim que Bernardinho pôde, durante duas gerações, usufruir de um time titular com 12 jogadores e repetir tal expressão dezenas de vezes. Poderia até soar como um discurso clichê, mas era real. Veja hoje como a situação é bem diferente.

A solução para voltar a ter fartura de talentos é investir pesado na base. Um bom exemplo da CBV atualmente é a Liga Nacional, competição que limita a participação de atletas até 22 anos. É bom, mas não pode parar por aí. É preciso tratar do assunto como prioridade, pensando lá na frente nos Jogos Olímpicos de 2028, 2032. Eles não estão tão distantes assim…



  • Francisco

    Belas palavras, mas o que está me preocupando mais e com a situação do feminino.

  • Rafael silva

    Enquanto prevalecer o panelismo em ambas as seleções masculina e feminina essa situação não vai melhorar, e preciso um trabalho sério em que prevaleça o merecimento,pautado nas habilidades dos atletas e não a convocação a partir simpatias particulares ou de atletas que nao rendem mais e que só jogam com o nome através de serviços prestados no passado.Precisamos de talentos no presente bem trabalhados e que tenham a oportunidade de mostrar serviço.

  • J. Antonio

    Concordo plenamente com o que foi escrito no post, mas tenho algumas observaçoes a fazer, todo ano a CBV faz o campeonato brasileiro de seleçoes nas categorias infanto e juvenil, da primeira e segunda divisao, justamente pra revelar novos talentos, temos um leque de jogadores (as) a serem observados . O que me preocupa na verdade è a seleçao feminina, pois na masculina estao aparecendo varios talentos nas categorias de base que serao aproveitados nos proximos ciclos olimpicos. Situaçao muito diferente està acontecendo com as meninas pois jà tem alguns anos que nao vejo nenhuma revelaçao com padroes internacionais, ou seja, ponteiras e opostas altas com tecnica e força no ataque. Nao gosto dos treinadores que estao nas seleçoes de base femininas, com excessao do Wagao, tanto o Luiziomar como o Mauricio Thomas sao fracos e nao sabem tirar o melhor de cada jogadora.

  • tuliobr

    Prezado Daniel e caros leitores, creio que os maus resultados da base mencionados na coluna são somente o reflexo de uma crise maior no vôlei brasileiro que se arrasta crônica já há algumas temporadas, vez por outra amenizada por alguma vitória (que ultimamente vem sendo um ou outro evento isolado), vez por outra tornada aguda por algum fato, tal como a performance das seleções femininas em 2015. Passa essa situação pela CBV pois, com todo o respeito que certamente merece o cidadão, é difícil lembrar sequer o nome do atual presidente da entidade. Sobre suas idéias e seus projetos eu, que procuro sempre informar-me, nada sei. Depois de longo período de vitórias talvez seja natural uma acomodação, mas parece que já vivemos um período de estagnação e, no caso da SFV, de declínio. Há tempo demais a CBV tem se dedicado a brincar de gato e rato com seu patrocinado master que, do nada, suspende o apoio e, semanas depois, sem que nenhum fato novo se torne conhecido, cancela a suspensão; enquanto isso os aspectos desportivos parecem relegados ao segundo plano, na Superliga os responsáveis pelos clubes digladiam-se por irrelevâncias e são incapazes de fazer a principal competição nacional evoluir, e nas seleções vemos a cada partida nosso jogo se tornando cada vez mais obsoleto e incapaz de enfrentar os principais adversários com real vantagem. A seleção feminina há tempos foi superada pelas americanas e vê a cada temporada a distância aumentar. Aliás, hoje já devemos nos preocupar com potências de menor expressão, como a Turquia. O modelo de clube formador, dependente de subsídios estatais e da boa vontade de prefeitos ou deputados parece irremediavelmente em crise. Esporte escolar ou universitário não é uma opção para nós, já que é ‘capitalista’ e ‘americano’ demais para o estômago socialista dos mandarins no MEC. Perdoem meu mau humor: eu só não vejo perspectivas de curto prazo, mas tenho o consolo de poder estar totalmente enganado; minha esperança reside em saber-me ignorante.

  • jose herbert de araujo

    Concordo com o Daniel. Muuuito preocupante a situação do volei brasileiro para os próximos anos. Principalmente no feminino. Como alguns já disseram tbm não vejo uma jogadora que possamos falar “ooohhhh esta vai despontar”. Não existe. O campeonato brasileiro de seleções eu acho o máximo, pois envolve todos os estados do Brasil, dando oportunidade para jovens de todas as regiões, mas não adianta nada aparecer uma revelação nesses campeonatos(e olha que aparece e muito pelo Brasil afora)se os técnicos da base, com exceção do Wagão não tem “talento” para desenvolver e lapidar tais jovens. Então, resulta no desperdício de talentos e que junto a falta de estrutura e investimento no vôlei em outras regiões(pois o sul e o sudeste não conseguem acolher todos os novos atletas que vão surgindo) ocorrerão fracassos e mais fracassos nos torneios mundiais e como consequência agonia e desespero para as seleções adultas que ficam sem peças de reposição para o futuro bem proximo. Lamentável.

  • Edu

    Depois o ZRG alega que os dois fatores que podem fazer o selecionado brasileiro garantir o tri olimpico e : treinar mais e surgir uma nova jogadora até agora desconhecida que já venha empurrando as outras na titularidade.A realidade atual e que a seleção vem treinando e convocando certas jogadoras inaptas para fazer parte de um grupo principal e a tal jogadora extraordinária, novata, até agora inexiste.Onde existe trabalho de base no voleibol, um pouco no Pinheiros que privilegia o desenvolvimento esportivo dos associados participantes que pagam as despesas de custeio do clube.Talvez o Sesi, que recentemente transferiu o Montanaro para o atletismo porque ele foi voto vencido pela não renovação com o Murilo.Um pouco com o Rexona.Enfim, falta uma realidade mais consistente que provocava o diferencial das décadas passadas.O Handebol pega umas 150 crianças na faixa dos catorze e dezesseis anos e as leva para os acampamentos no centro de treinamento em Santa Catarina duas vezes ao ano na época das ferias.Por que não se repete essa experiencia nada inovadora e ate´corriqueira com uma confederação muito mais rica como a do voleibol e não se leva umas 80 crianças das bases da mesma idade(indicada por seus treinadores) para trabalho de aperfeiçoamento de fundamentos, identificação de talentos e melhora das condições esportivas e educacionais dos jovens atletas promissores.Até hoje não entendi porque a ameaça pálida de renovação do selecionado feminino sofreu um grande revés após a Olimpiada. Acomodação, protesto pelo grupo da campeãs a entrada de novos valores… A realidade atual e que o sub 18 feminino acabou desclassificado já na fase das oitavas pela seleção do EUA.A propósito lá o Kirally faz questão de treinar anualmente por pelo menos duas semanas com as melhores jogadores do ano da liga universitária.E agora se deposita a esperança na Macris , com 26 anos e jogadora com severas limitações em bloqueio e alcance ideal de levantamento, como revelação e esperança de algo novo.E confiar demais demais na sorte.E ela não costuma frequentar o mesmo ambiente três vezes na mesmicissima ocasião.

  • Edu

    Caro Daniel, até a Argentina em que atletas de um e oitenta são as chamadas gigantes conseguiu ficar na frente do Brasil no sub 18 feminino.O time argentino ficou em decimo e o brasileiro em decimo primeiro.EUA e Itália fazem a final e a China confirma o terceiro lugar ficando sempre no feminino – desde do sub 16 até o sub 23 – entre as medalhistas.Precisa dizer mais que existe algo de errado com a base do voleibol feminino brasileiro.Aquele mesmo que não unifica o seu trabalho de seleções do sub 16 até a principal.Acho que o trabalho de vislumbrar a novata jogadora que vai desequilibrar a nosso favor na Olimpiada , como alega a necessidade do ZRG, tem consumido esse tempo.

  • Neco Cardozo

    Sábias palavras, prefiro crer que não seja motivo de desespero. Gostaria muito que os técnicos das seleções não fossem de grandes clubes. O treinador fica sem tempo de garimpar novos talentos, afinal, ele está envolvido em final de Campeonatos Paulista, Superliga, Mundial, entre outros.

  • Deck

    Quando uma geração é fraca, basicamente, será uma geração sem grandes conquistas. A única coisa que se pode fazer é empurrar com a barriga e trabalhar uma próxima geração. O problema é que o sistema esportivo do Brasil é baseado em clubes e não escolas. Fica mais limitado o descoberta e a recrutação de jovens talentos pelo número de jovens que os clubes (times) conseguem atingir. Além do que os times mal tem orçamento para o time adulto e investir na base é um luxo para pouquíssimos. Só nos resta esperar que bons olheiros e bons treinadores consigam reverter este quadro no futuro.

  • Fernando Marcelo

    Concordo plenamente!
    A CBV tem contrato multimilionários com o Banco do Brasil e onde vai todo esse dinheiro?

    O Sul do Brasil por exemplo, tem uma concentração enorme de jovens altas (feminino), porém, não há investimento no esporte, desde que perdemos o Rexona para o RJ, nunca mais houve revelações, a última que consigo lembrar foi a Mari.

    Agora falando em nível nacional, a situação está bem precária mesmo, cada vez menos jogadoras, além da altura estar cada vez mais baixa, chegamos ao cumulo de ter várias titulares nas categorias de base com altura beirando 1,70-1,75, enquanto o padrão internacional está beirando os 1,90-2,00. A posição de oposto então, praticamente extinta, teremos que fazer igual a seleção Japonesa, improvisar centrais e ponteiras para a posição de Oposta.

    E em relação à citação do Daniel que existe um vácuo entre a transição de promessa para realidade. Desde 2009 nós estamos vivendo com a mesma seleção titular, nenhuma “promessa” virou realidade, vide os casos da Natália beirando os 30 anos e até hoje não virou realidade, Gabi é uma promessa de 1,76 e até o momento só conseguiu se impor perante seleções baixas, contra seleções altas e menina é praticamente anulada. Tandara nunca deslanchou, ficou todos esses anos na sombra da Sheilla, agora fica grávida nas vésperas da Olímpiada.

    Rosamaria(Oposta), outra promessa que nos 2 últimos anos vem regredindo, nesta superliga, desapareceu no fase final, bancou várias vezes para a Renatinha, no Pan Americano, conseguiu ser banco da Joycinha e quando foi acionada conseguiu ser pior que a dita citada (Joycinha), agora no Mundial SUB 23, mal está fazendo 5,6 pontos por jogo.

    Drussyla, jogadora com ataque potente e passe regular, vai ficar quantos anos no Rexona sendo banco da Natália? Apesar de jovem, já é a 4ª temporada dela no banco. Enquanto ficar sendo banco, não terá oportunidade de se desenvolver.

    • jose herbert de arauj

      Disse muito e concordo plenamente

  • Fernando Marcelo

    A gente começa a perceber o desfalque de talentos quando o número de estrangeiras começa a aumentar para cobrir os espaços em branco deixado por falta de jogadoras.

    só de Opostas : Praia Clube tem a Ramirez, Molico trouxe a Lise Van Hecke, e no Brasília tiveram que usar a Bárbara como Oposta, sem contar as ponteiras Klineman do Praia e Carcaces do Molico, só não contrataram mais estrangeiras pqe não têm dinheiro/orçamento para tal.

    Estamos carentes de Opostas, e ponteiras que saibam atacar, passar e bloquear, o que temos hoje são jogadoras anãs que são boas em somente um fundamento.

  • Klaus

    O pior é que nada muda.Luizomar teve a cara de pau de dizer que na derrota frente as americanas que o time brasileiro não tinha experiência e que as americanas eram mais experientes.Típica declaração de quem quer se livrar da culpa de ter selecionado um time tão ruim e ter cortado jogadoras com potencial.Eu digo e repito, se for pra quinar passes então que seja com pontas altas que pelo menos podem contribuir no ataque e block e não esse monte de jogadoras que de tão baixas se somadas a altura não valem uma.E o que mais me deixa irritado é que o Luizomar continua no comando pra 2017 e dizendo que vai apostar nesse grupo.Eu desisto.

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