Coluna: A eleição, quatro anos depois…



Nunca me afastei de um amigo em 35 anos de vida por motivos futebolísticos. E talvez me orgulhe de dizer o mesmo daqui a outros 35 anos, sentado, ao lado de uma destas pessoas com gosto diferente do meu, numa cadeira confortável das novas arenas feitas/refeitas para a Copa ou no cimento quente das arquibancadas de outros estádios nem tão modernos. Mas já não posso mais dizer que nunca me afastei de um amigo quando o assunto é eleição presidencial da República Federativa do Brasil.

Acredite se quiser. O parágrafo acima foi escrito quatro anos atrás, também no mês de outubro, às vésperas da eleição presidencial, e também publicado nas páginas deste LANCE!. Troque 35 por 39 anos na minha idade e o texto está mais do que atual para o cenário brasileiro.

Sei que vocês esperavam um assunto bem diferente neste espaço. Mas eu não consegui evitar o tema eleitoral. Até comecei a escrever algumas linhas sobre o Campeonato Mundial feminino de vôlei, que entrou na segunda fase nesta madrugada, no Japão. O texto não avançou da segunda linha, então resolvi fazer uma pesquisa no histórico do meu blog, local de republicação das colunas do Diário. E me assustei ao ler o post/coluna de 27 de outubro de 2014.

À época, o Fla-Flu eleitoral (ou o Gre-Nal, o Ba-Vi, o Atle-Tiba, o Corinthians x Palmeiras, o Atlético x Cruzeiro, como preferir) era o “clássico” entre PT x PSDB. Hoje o buraco é bem mais profundo. Certamente influenciado pelos resultados catastróficos da disputa de poder entre os dois partidos citados acima.

Política no Brasil virou uma espécie de vale-tudo, mas sem qualquer regra. Imagine então exigir ética… Muitas vezes com chancela do judiciário, algo ainda mais surreal. Banalizaram até a palavra golpe por essas bandas.

Domingo é dia de eleições no Brasil (Divulgação)

“Foram quase insuportáveis os últimos dias. Twitter e Facebook, lugares que permitem a escolha de quem seguir, se transformaram em verdadeiros coliseus romanos. Foi sangue para todos os lados. Raiva, rancor e violência eram perceptíveis em textos de 140 caracteres ou em teses de mestrado para desqualificar o outro lado, quase sempre sem provas. Você se torna uma pessoa boa se compartilha a mesma posição de um “amigo”. Mas você vira inimigo mortal caso tenha optado pelo outro lado. Que mundo é esse?”.

Esse parágrafo também foi escrito em 2014. Quatro anos depois, inclua o tsunami das “fake news” e tenha um cenário ainda pior no Brasil. Fiquei aqui tentando imaginar o que poderei escrever antes das eleições de 2022. E admito não ter coragem de colocar no papel tais pensamentos.



MaisRecentes

Coluna: O Brasil queria receber os Pré-Olímpicos de vôlei. Mas…



Continue Lendo

Coluna: Minas e um dia histórico para o vôlei nacional



Continue Lendo

O tremendo desafio de Minas e Dentil/Praia Clube no Mundial



Continue Lendo